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Os paralelos entre A Mulher Rei e Ela Seria o Rei

Descubra como essas duas obras nos aproximam das verdadeiras histórias dos povos africanos

O filme A Mulher Rei estreou em meados de setembro e apresenta Viola Davis como Nanisca, a general que comanda as guerreiras Agojie, um grupo formado por mulheres que ficou reconhecido por sua força, seus conhecimentos táticos, sua garra e orgulho por seu povo. Enquanto isso, na obra Ela Seria o Rei, livro de estreia de Wayétu Moore, conhecemos em primeiro momento Gbessa, uma garota amaldiçoada com o dom da bruxaria, que usa a imortalidade para salvar seu povo. 

LEIA TAMBÉM: 5 MOTIVOS PARA LER ERA SERIA O REI

A semelhança não está apenas no nome ou no enredo, ambas as obras apresentam um olhar diferenciado sobre os povos africanos, fugindo de estereótipos criados a partir de uma ótica eurocêntrica, que marginaliza culturas, crenças e, principalmente, o saber que os ancestrais carregam

Em Ela Seria o Rei iniciamos a história conhecendo Gbessa, uma jovem amaldiçoada aos olhos do povo por um dom pouco conhecido. Ela é excluída pelos seus iguais e acolhida por seus ancestrais, que sopram baixinho em seu ouvido frases de acalento. Com o avanço da narrativa, também somos apresentados para outros personagens que são agraciados com dons, como June Day, dono de uma força inigualável e Norman Aragon, que herdou o dom da mãe e consegue ficar invisível. Juntos, eles defendem aqueles que mais precisam de ajuda, e enfrentam situações de conflito entre colonizadores e povos originários.

A história que conta mais sobre os povos Vai, também usa como cenário a fundação da Libéria, nação conhecida por ser uma das únicas a não ser colonizada pelos europeus. 

ela seria o rei

Viola Davis mostra quem seria Gbessa nas telas

Já no filme A Mulher Rei, Viola Davis é Nanisca, uma general implacável que atua com suas guerreiras defendendo o povo de Daomé (atualmente Benin) contra invasores, escravizadores e colonos. A produção audiovisual, que foi sucesso de bilheteria logo na estreia, apresenta mulheres fortes, donas de saberes fora do comum que conseguem revolucionar a história do seu povo com as próprias mãos.

Nanisca e Gbessa fogem de qualquer ideal criado por uma lógica colonizadora, elas são fiéis ouvintes de seus povos, respeitam suas culturas e compreendem a necessidade de ouvir seus ancestrais.

Esse último ponto em especial fica evidente em Ela Seria o Rei, no qual um ser que só pode ser compreendido através da leitura sussurra aos ouvidos daqueles que tomam para si o centro da narrativa. Esse ser, ou essa mulher, vai pouco a pouco soprando através de uma brisa suave, ou um vendaval se for preciso, a força necessária para que os protagonistas encontrem seus ideais, conhecendo suas verdadeiras histórias.

a mulher rei
Divulgação / Sony Pictures Entertainment

LEIA TAMBÉM: WAYÉTU MOORE: “A LEITURA É O QUE NOS ABRE PARA O NOSSO MUNDO INCRÍVEL”

As semelhanças não param por aí

Um detalhe que pode passar despercebido aos olhos de muita gente, é como a cultura pode se expressar através do senso estético. Essa ação é muito bem representada, tanto no lançamento de Viola quanto na obra de Wayétu Moore.

A consultora de estilo e colorista Andreza Ramos, em sua viagem para a África do Sul, reafirmou o quanto a premissa do estilo é a identidade. Isso fica claro nas duas narrativas, enquanto as guerreiras Agojie honram sua cultura com cabelos trançados por suas companheiras de luta, roupas características que não são apenas uniformes, são como o verdadeiro escudo que comporta suas almas. Gbessa, June e Norman criam suas identidades e seus respectivos estilos a partir da situação que os circunda, reafirmando o que já sabemos: corpos pretos são sempre corpos carregados de história, são seres profundos e ancestrais. 

Afinal, o que isso quer dizer? 

Acima de qualquer consideração, reafirmamos que essas são histórias que buscam retomar narrativas reais, tanto da fundação da Libéria quanto do reino de Daomé. Entretanto, em ambas as narrativas encontramos muito mais do que estamos habituados a ver, compreendemos mais sobre o feminismo negro, povos originários, respeito pelos ancestrais e, principalmente, como a ficção pode nos aproximar das histórias reais. 

Histórias sobre minorias não precisam optar sempre pela ótica do sofrimento. A riqueza cultural, o saber daqueles que vieram antes de qualquer um de nós, o respeito pelo vento que ainda sopra baixinho, seja qual for a sua guerra, é isso que realmente importa.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: ELA SERIA O REI, DE WAYÉTU MOORE

Sobre Dayhara Martins

Avatar photoRedatora e mulher preta, fala de livros na internet há mais de 10 anos, sempre abordando a temática racial e mostrando a importância desses recortes para um olhar mais realista sobre o que nos cerca. A literatura é sempre o seu refúgio, mas também encontra em referências musicais e filmes o que a constitui como pessoa. Você pode sempre encontrá-la com um livro da caveirinha na cabeceira antes de dormir.

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1 Comentário

  • Maria Ferreira

    29 de setembro de 2022 às 11:11

    Que texto bem escrito! As relações entre as duas obras só aumentaram ainda mais o meu desejo de assistir ao filme e ler o livro o quanto antes. E o que a Dayhara fala sobre identidade e e as histórias que corpos pretos carregam me tocou demais!
    Com certeza esse feat Cavairinha e Dayhara foi certeiro demais!

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