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Psicopatas Americanos em Wall Street: Mito ou verdade?

Será que existem muitos psicopatas como Patrick Bateman no sistema financeiro?

Em Psicopata Americano, de Bret Easton Ellis, o personagem Patrick Bateman exibe diversos traços de psicopatia. Ele é narcisista, emocionalmente desconectado e, claro, comete crimes sangrentos, principalmente envolvendo mulheres. Para completar, ele trabalha em Wall Street, um lugar que parece ser perfeito para pessoas deste tipo.

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Há uma estimativa de que 10% das pessoas que trabalham no mercado financeiro sejam psicopatas. O número assusta principalmente porque quando pensamos no termo “psicopata” o primeiro tipo de pessoa que vem à mente são assassinos, principalmente serial killers, como Ted Bundy, John Wayne Gacy, Charles Manson e até personagens fictícios, como Norman Bates de Psicose e o próprio Bateman de Psicopata Americano. Porém, é importante lembrar que nem todos os psicopatas são inescrupulosos assassinos.

O estereótipo de que Wall Street é um terreno fértil para a procriação de psicopatas é reforçada por personagens como Patrick Bateman, Gordon Gekko, de Wall Street e Jordan Belfort, um empresário de verdade mais conhecido por O Lobo de Wall Street. Há algum fundamento para isso, mas não significa que eles corram soltos pelo mercado financeiro.

Alguns estudos ajudam a fundamentar a ideia de que executivos possuem alguns traços de personalidade peculiares. Pesquisadores da Universidade de Surrey descobriram que, comparados a pacientes psiquiátricos criminosos, gerentes nos mais altos cargos tinham três vezes mais chances de apresentarem distúrbios de personalidade, principalmente transtorno de personalidade histriônica (serem teatrais demais), narcisismo e comportamento obsessivo-compulsivo

Em 2010, pesquisadores investigaram 203 participantes de programas de desenvolvimento gerencial em sete empresas diferentes e descobriram que aproximadamente 4% preenchiam os critérios para um diagnóstico de psicopatia. Embora o estudo não se limitasse apenas ao mercado financeiro, ele sustenta a noção de que podem existir mais psicopatas no mundo corporativo do que na população em geral.

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Como identificar um psicopata

Mas afinal, o que define se uma pessoa é psicopata ou não? Para responder a esta pergunta, é preciso que a pessoa seja submetida a um teste, com critérios científicos específicos, como o Checklist de Psicopatia Revisado, desenvolvido por Robert Hare e seus colegas.

Utilizando este critério de diagnóstico, pesquisadores estimam que cerca de 1% da população dos Estados Unidos – aproximadamente 3 milhões de pessoas – sejam psicopatas. Ou seja, baseando-se apenas nestas estimativas, é possível, sim, que alguns deles estejam trabalhando no mercado financeiro e no mundo corporativo.

Porém, é importante frisar que a psicopatia não é uma condição de tudo ou nada. Resumindo, podem existir escalas de psicopatia, das mais brandas até as mais extremas – que são justamente aquelas dos assassinos em série que mencionamos anteriormente.

Esta concepção “8 ou 80” pode ser perigosa, principalmente porque muitos danos podem ser causados por pessoas que, clinicamente, não são consideradas psicopatas. São indivíduos conhecidos como “psicopatas subclínicos” ou “quase psicopatas”, pois, mesmo não sendo diagnosticados, apresentam comportamentos traiçoeiros, perigosos e não demonstram remorso.

Levando isso em consideração, pode até ser exagero a estimativa de 10% de psicopatas no mercado financeiro. Porém, estudos formais apontam que 15% das pessoas podem ser caracterizadas como “quase psicopatas”. Se considerarmos que o mundo corporativo e financeiro costuma selecionar pessoas com características comuns a psicopatas, é justo afirmar que existam vários “quase psicopatas” neste universo.

A boa notícia é que é possível filtrar quase a maioria dos psicopatas durante os processos de seleção. Alguns dos principais indicadores de psicopatia, segundo o psiquiatra Ronald Schouten em artigo à Harvard Business Review, são:

– Ser muito tagarela e ter um charme superficial;

– Não apresentar empatia;

– Apresentar decisões consistentes para interesse próprio, mesmo quando eticamente questionáveis;

– Mentir compulsivamente, até mesmo para coisas pouco significantes;

– Não apresentar remorso;

– Ter emoções superficiais;

– Ignorar responsabilidades;

– Ter um foco persistente em satisfazer as próprias vontades às custas dos outros;

– Comportamento enganador e manipulador.

A melhor forma de lidar com um psicopata é retirá-lo da empresa o quanto antes. Enquanto psicopatas clínicos não se detêm por medo e não aprendem com punições, os “quase psicopatas” podem entender o recado se houver consequências para atos inaceitáveis.

Na prática, psicopatas são maus investidores

Um estudo conduzido pela Universidade de Berkeley analisou 101 gerentes de fundos em entrevistas conduzidas ao longo de anos. Através da linguagem corporal, eles identificaram traços de personalidade como narcisismo, psicopatia e maquiavelismo. Feito isso, compararam o desempenho das equipes. Maquiavelismo e narcisismo não pareceram interferir muito, mas a psicopatia mostrou resultados muito mais voláteis nos valores dos fundos, podendo chegar a valores 30% menores.

Mas afinal, o que explica a queda no desempenho de gerentes com tendências psicopatas? Pesquisadores ainda não encontraram a justificativa para isso, mas sugerem que estes profissionais pratiquem tanto bullying com seus subordinados que os membros da equipe não compartilham ideias criativas, o que leva a desempenhos mais fracos.

De tudo isso, entendemos que Wall Street possivelmente possua um percentual significativo de inescrupulosos psicopatas ou “quase psicopatas”. Porém, em vez de nos preocuparmos em cruzar o caminho com um possível Patrick Bateman devemos ficar mais atentos ao número de 15% de psicopatas subclínicos, que podem ser maridos, esposas, médicos, advogados, professores, pastores e tantas outras pessoas que estão muito mais próximas de nós do que Wall Street.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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1 Comentário

  • Raphael L.S

    30 de setembro de 2021 às 02:49

    Muito interessante, e ao mesmo tempo assustador esses percentuais de psicopatas subclínicos.

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