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Psicose e a influência nos slashers modernos

O cinema de terror nunca mais foi o mesmo depois daquela cena no chuveiro.

Hoje é praticamente uma regra em filmes de terror: um psicopata que mata sem remorso, mocinhas assassinadas brutalmente, cenas chocantes e, claro, sangue, MUITO sangue. Mas há pouco mais de 60 anos isso era algo impensável para o cinema, principalmente no circuito comercial. O que aconteceu de lá pra cá? Psicose aconteceu.

A geração atual de fãs de cinema cresceu sabendo da importância daquela cena do chuveiro, identificando a estridente trilha sonora e até entendendo as inúmeras paródias e referências que surgiram em relação a Psicose. Assistir ao filme nos dias atuais pode nem parecer tão chocante assim em comparação ao horror porn ao qual nos acostumamos, mas colocar o longa no contexto da época é fundamental para entender por que o gênero do terror deve tanto a este clássico de Alfred Hitchcock.

Um filme transgressor desde o início

Até a década de 1950 o gênero do terror havia sido dominado pelos filmes de monstros. A Universal Pictures se tornou particularmente conhecida por transpor para telonas alguns dos mais conhecidos monstros da literatura: Frankenstein, Drácula e O Homem Invisível são alguns destes exemplos.

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Algumas regras de ouro não eram quebradas por estas produções: nunca havia muita menção a sangue e o sucesso dos heróis no final do filme era garantido. Uma fórmula certa para o sucesso que sustentou o gênero mainstream do terror na primeira metade do século 20.

Porém, incentivado por sua assistente, Alfred Hitchcock leu o livro de Robert Bloch, influenciado pelas terríveis histórias de Ed Gein, um dos serial killers mais conhecidos e cruéis até os dias de hoje. O livro de Bloch foi publicado no Brasil pela DarkSide® Books.

Com um nome de prestígio no gênero do suspense e uma carreira que atravessou um oceano, Hitchcock estava em busca de algo diferente e mais empolgante do que as produções que ele havia feito até então, estreladas por atores Grace Kelly e James Stewart. Psicose parecia fornecer o material ideal para isso.

Mas nem toda a fama de Hitchcock facilitou que o projeto fosse adiante. Nenhum estúdio queria ser responsável por um filme tão terrível e provocativo como aquele. Para conseguir fazer com que a história saísse das páginas do livro para a telona, Hitchcock abriu mão de seu salário de diretor em troca de um percentual na bilheteria, uma decisão bem arriscada para ele.

Foi graças à ousadia de Hitchcock que a história do cinema de terror mudou. Psicose transgrediu vários conceitos tidos como certos no cinema: há cenas provocantes da protagonista de sutiã, a heroína morre na primeira metade do filme em uma cena impensável para a época, a facadas e nua, enquanto toma banho.

A construção dos personagens também não era nada comum para a época: Marion Crane, a mocinha, não era pura e inocente, ela para no Bates Motel justamente porque estava fugindo com uma significativa quantia em dinheiro. Da mesma forma, Norman Bates não é um vilão totalmente detestável. Ele aparenta ser um bom moço que apenas é atormentado pela figura autoritária da mãe. Sem contar que o desfecho do filme surpreendeu grande parte do público.

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Além dos personagens e da construção do roteiro, Hitchcock também teve um quê de pioneirismo quanto à violência em cena, tanto é que o estúdio exigiu que o filme fosse lançado em preto e branco porque considerava que o vermelho do sangue seria chocante demais para as audiências.

Os slashers modernos e a influência de Psicose

É um pouco injusto dizer que Psicose foi o primeiro terror slasher da história do cinema. A escola italiana de cinema giallo apresentou seus exemplos sanguinolentos mais ou menos pela mesma época e não podemos ignorar por completo as produções underground de terror que já apresentavam boas doses de violência na década de 1940.

O que Alfred Hitchcock fez com Psicose foi levar este terror mais visceral às grandes audiências e até mesmo ao Oscar. Ajudado pelo renome do diretor e o frenesi gerado pela campanha publicitária, o longa alcançou audiências que se sentiram eletrizadas com a coragem e o tom inovador (e assustador) da produção. Se não fosse por este marco, é possível que produções de terror mais violentas ainda se limitassem aos filmes B.

Prova disso foi a explosão de filmes slasher que surgiram logo após Psicose, como Almas Mortas (1964), A Noite Tudo Encobre (1964) e A Face da Corrupção (1968). Estas produções estrelaram atores bem conhecidos do público, como Joan Crawford e Peter Cushing.

A década seguinte viu o início da Era de Ouro dos Slashers, com produções aclamadas pelos fãs do terror até hoje, como O Massacre da Serra Elétrica (1974), Halloween (1978), Sexta-Feira 13 (1980) e A Hora do Pesadelo (1984). Mesmo passando por um período de saturação nos anos 1980, os slashers continuaram a fazer parte do grande circuito de cinema, como em Pânico (1997) e Corrente do Mal (2014).

Graças a Alfred Hitchcock o cinema de terror nunca mais foi o mesmo. Em um mundo saturado das fantasias de monstros e chocado por guerras e intolerância, o cineasta mostrou ao público que o monstro mais assombroso é aquele que se esconde na mente de alguém que vive entre nós.

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