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Quem foram as primeiras vampiras da literatura?

Carmilla faz parte da velha guarda vampiresca e chega à DarkSide®

Quase vinte anos antes do surgimento de Drácula, de Bram Stoker, uma mulher já explorava o vampirismo na literatura. Carmilla, do também irlandês Sheridan Le Fanu, trouxe como protagonista a personagem que dá título à obra e viria a se tornar uma das contribuições mais importantes da literatura vitoriana.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: CARMILLA, DE SHERIDAN LE FANU

A personagem frequentemente é citada como protótipo do subgênero das histórias de vampiras lésbicas, que se tornou particularmente popular nos anos 1970. A vampira criada por Le Fanu se mantém como uma forte influência na literatura vampiresca protagonizada por mulheres.

A personagem surgiu durante a Era Vitoriana, um período fértil para popularizar personagens sinistros, como vampiros. A produção artística da época foi pautada pelo sombrio e pelo fantástico, ao mesmo tempo em que o dia a dia da sociedade foi sugado por uma aura de estranheza.

As vampiras na mitologia

Mas seria um equívoco dizer que o imaginário em torno dos vampiros surgiu na Era Vitoriana. Ele sempre acompanhou a humanidade de certa maneira, manifestando-se em lendas e na mitologia de diferentes civilizações. Na cultura ocidental, características de vampiras foram apontadas nas figuras de Lilith e Lâmia – que em alguns contextos são até fundidas na mesma figura. Suas vítimas seriam crianças e homens.

Embora essas deidades nunca tenham recebido muita atenção até o século XIX, os mitos de Lâmia e Lilith mantiveram sua consistência de servir como um alerta aos homens. Elas eram representadas como objetos de desejo, com uma beleza letal, capaz de seduzir para depois destruir.

Lâmia vem da mitologia grega. Ela era filha de um rei da Líbia, que chamou a atenção de Zeus. Hera, a esposa de Zeus, com ciúmes de Lâmia por ter dado ao deus grego uma vasta prole, matou todas as crianças com exceção de uma.

Créditos: John William Waterhous

Lâmia ficou tão abalada com a chacina dos filhos que se tornou uma criatura maligna, possuída pelo ódio e pelo luto. Ela teria passado o resto da vida caçando e drenando o sangue de crianças e homens. Segundo a mitologia grega, esse comportamento fez com que ela se tornasse uma criatura monstruosa, metade mulher, metade serpente.

Embora Lâmia não se enquadre na definição típica de uma vampira — uma criatura morta-viva que se alimenta do sangue dos vivos — ela recorreu ao vampirismo como resposta ao seu luto, destruindo os filhos de outras mulheres para compensar sua própria perda. 

A primeira aparição de Lâmia na literatura grega ocorreu na obra A Vida de Apolônio de Tiana, uma coleção de oito livros publicada no século III. Na história, Menipo se encanta por uma mulher e a pede em casamento, mas é alertado por Apolônio de que teria se apaixonado por uma serpente. Os dois confrontam Lâmia, que admite ser uma vampira que estava engordando Menipo para depois devorá-lo. 

A obra apresenta a primeira descrição de uma mulher vampira que se tem conhecimento, pelo menos no Ocidente, envolvendo os aspectos sexuais e traiçoeiros deste arquétipo. Lâmia intercala os papéis de sedutora e de vampira, utilizando tais atributos para suprir seu desejo por sangue jovem.

No século XIX, Lâmia viu sua figura ser adaptada para diversas criaturas mitológicas fatalmente sedutoras, como vampiras, sereias e mulheres-serpentes. Há um motivo para isso ter ocorrido nesta época: tais personagens chamavam a atenção para os perigos de mulheres poderosas romperem seus papéis tradicionais na família e na Igreja.

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4 Vampiras clássicas da literatura

No final do século XVIII e a partir do XIX as vampiras conquistaram o seu espaço na literatura, antes mesmo de Bram Stoker escrever a história de um tal Conde Drácula. Conheça as vampiras clássicas que ajudaram a construir o conceito em torno dessas personagens:

1. Oneiza

A primeira vampira da literatura britânica era uma mulher muçulmana chamada Oneiza, que está na história Thalaba the Destroyer (1801), de Thomas Southey. Embora o folclore inglês não tenha a figura do vampiro, a história trouxe elementos vampirescos com bases teológicas, inspirando-se nas noções cristãs de “carne” e “espírito” — nas quais a carne representaria nossa parte mortal e corrompida, enquanto o espírito seria o ser redimido e imortal.

Vintage colour lithograph showing Thalaba and Oneiza, from the story Thalaba the Destroyer. The story describes how a group of sorcerers work to destroy the Hodeirah family in an attempt to prevent a prophecy of their future doom from coming true. However, a young child named Thalaba is able to escape from the slaughter. After one of the sorcerers hunts down Thalaba to kill him, the sorcerer is defeated by a great storm and his powerful magical ring comes into Thalaba’s possession.

Thalaba the Destroyer se baseia em diversas fontes sobre vampiros, que estão anexadas através de notas, incluindo material do teólogo católico Dom Augustin Calmet. Na trama, Thalaba é um jovem muçulmano em uma missão para combater demônios e feitiçaria. Ela se apaixona por Oneiza, que acaba morrendo. Desolado, ele vai ao túmulo da amada e encontra seu corpo reanimado e possuído por um demônio, que agora ele precisa derrotar.

2. Brunhilda

Embora Oneiza tenha sido a primeira vampira na tradição britânica, os alemães saíram na frente. Poemas como “A Noiva de Corinto”, de Johann Wolfgang von Goethe, apresenta anti-heroínas vampíricas ou quase vampíricas. Mas talvez a mais notável seja Brunhilda, a demoníaca noiva de “Wake not the Dead”, um conto de Ernst Raupach.

Na história, a noção da vampira como uma morta-viva amaldiçoada, retirada do ciclo natural de vida e morte e completamente entregue à “carne” não poderia ser mais explícita: Brunhilda é trazida de volta da morte por seu marido Walter. Nessa sua nova “não vida” ela se dedica a apenas duas coisas: beber o sangue de qualquer pessoa mais jovem que tenha o infortúnio de cruzar seu caminho e suas escapadas sexuais com o viúvo (!?) Walter.

“Wake not the Dead” reflete bem o conceito teológico ortodoxo do vampiro — uma vitória do pecado e da carne como uma forma de eterna danação — ao mesmo tempo em que critica o mundo que faz isso com Brunhilda. Apesar de a personagem estar condenada, não é ela quem está sendo julgada aqui, mas sim o homem cujos desejos carnais não podem nem deixar a mulher morrer em paz.

3. Geraldine

Um dos poemas de vampiras mais famosos é “Christabel”, de Samuel Taylor Coleridge. A obra aborda um aspecto da lenda vampírica que ainda era pouco explorada até então: a natureza tóxica da maldição que recai sobre os vampiros, que aqui se manifesta com as tendências homoeróticas da personagem.

Imagem de domínio público

Na trama, Christabel encontra uma Geraldine aflita na floresta e a traz para casa, diretamente para o seu quarto. O vampirismo da personagem é visto como uma maldição, o que provoca sentimentos de autodepreciação e culpa, de maneira paralela com os desejos homoeróticos de Geraldine. O poeta achou que tal conteúdo iria escandalizar a sociedade da época e o deixou engavetado por anos.

4. Carmilla

Considerada uma das vampiras mais famosas, Carmilla se tornou praticamente um ícone lésbico. A história de Le Fanu se desenrola em torno da personagem quando ela aparece na casa de Laura após um acidente. A amizade das duas logo evolui para algo intenso, desafiando a heteronormatividade tão presente na sociedade vitoriana.

Tanto Oneiza como Brunhilda e Geraldine (principalmente ela) serviram como inspiração para o surgimento de Carmilla. A vampira de Le Fanu reúne elementos como a simpatia e o voyeurismo, a representação da mulher sáfica como monstruosa e ao mesmo tempo trágica – facetas ligadas à noção teológica dos vampiros. A natureza homoerótica das vampiras serve como metáfora para a vitória da carne, condenando não apenas a vítima da vampira, mas ela também.

Consideradas malignas, monstruosas e de natureza traiçoeira, as vampiras da literatura percorreram um longo caminho e, assim como qualquer mulher, enfrentaram incontáveis julgamentos e censuras para chegarem até aqui. Desafiando as expectativas da dona de casa recatada e dedicada à família, elas exploram a sexualidade, os conflitos e a independência inerente à sua natureza.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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