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R. F. Lucchetti e o horror à realidade

Escritor era o papa da pulp fiction brasileira

09/04/2024

“Uma vida passa no espaço de um suspiro.” A frase de R. F. Lucchetti nunca foi tão pertinente quanto agora. No último dia 4 de abril nos despedimos desse mestre do terror brasileiro, que nos deixou um legado de mais de 1.500 livros, centenas de histórias em quadrinhos e dezenas de roteiros de filmes ao longo de seus 94 anos de vida e mais de 70 de carreira.

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Nascido em 29 de janeiro de 1930 em Santa Rita do Passa Quatro (SP), Rubens Francisco Lucchetti se interessou pelo terror ainda cedo. Quando criança, gostava de ler as histórias de Edgar Allan Poe, e na adolescência publicou seus primeiros contos, poemas e resenhas de livros nos jornais locais.

Autodidata, Lucchetti tinha apenas 12 anos quando publicou sua primeira história: “A Única Testemunha”. O conto foi escrito sob influência de Poe, mais especificamente os contos “O Gato Preto e “O Coração Revelador”.

r. f. lucchetti

Em Ribeirão Preto, escreveu roteiros de séries de rádio e TV, além de fazer publicações para revistas policiais, como X-9, Detective e Contos Magazine. Lucchetti foi jornalista e fundador do Clube do Cinema de Ribeirão Preto

Sua trajetória foi impulsionada nos anos 1960, quando ele começou a escrever quadrinhos de terror e firmou uma parceria com o desenhista Nico Rosso, com quem desenvolveu histórias de Drácula. Lucchetti ainda trabalhou com alguns dos maiores desenhistas do gênero, como Eugênio Colonnese, Rodolfo Zalla e Julio Shimamoto. 

Frequentemente o escritor adotava pseudônimos que entregavam sua paixão ao mundo do terror e suspense, adotando nomes como Vincent Lugosi, Mark Donahue, Mary Shelby, Brian Stockler e Isadora Highsmith.

rf lucchetti

Das páginas para o cinema

Com uma carreira prolífica na literatura pulp, aquela focada em livros de baixo custo, as publicações de R. F. Lucchetti chamaram a atenção de ninguém menos que José Mojica Marins, nosso querido (e temido) Zé do Caixão, padrinho da DarkSide® Books.

O cineasta e mestre do terror nacional convidou Lucchetti para escrever os quadrinhos do personagem Zé do Caixão. Além disso, o escritor foi convidado para roteirizar o programa Além, Muito Além do Além, no qual Mojica apresentava filmes de terror vestido como o coveiro.

A união entre esses dois mestres do terror rendeu muitos frutos horripilantes nas décadas de 1960 e 1970. Dentre eles, destacam-se Trilogia do Terror (1968), O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968), O Ritual dos Sádicos (1970), Finis Hominis — O Fim do Homem (1971), A Estranha Hospedaria dos Prazeres (1976), Inferno Carnal (1977) e Delírios de um Anormal (1978).

zé do caixão

Embora os dois tenham seguido rumos diferentes em suas carreiras, a experiência com o Zé do Caixão rendeu muitas outras parcerias nos anos seguintes para Lucchetti, principalmente com o cineasta Ivan Cardoso. Juntos, eles trabalharam em filmes desde a década de 1980, como O Segredo da Múmia (1982), As Sete Vampiras (1986), O Escorpião Escarlate (1989) e Um Lobisomem na Amazônia (2005).

Uma vida dedicada à ficção e ao terror

Sua contribuição com o terror nas mais diferentes formas rendeu alguns reconhecimentos a Lucchetti, como o Prêmio Angelo Agostini de 1990 na categoria Mestre do Quadrinho Nacional, e o troféu HQ Mix de 2013 na categoria Grande Mestre.

Autointitulado ficcionista pelo seu “horror à realidade”, R. F. Lucchetti permanece hoje e seguirá para as futuras gerações como uma referência inequívoca do terror nacional, abrindo caminho para autores de ficção que não têm medo de encarar o fantástico e o insólito, explorando seus limites.

rf lucchetti

Certa vez ele disse: “Eu não vivo no mundo real. Habito um universo povoado por múmias, vampiros, lobisomens, monstros vindos de regiões abissais ou do além, zumbis, fantasmas, damas fatais, detetives particulares, mulheres misteriosas. Em meu mundo, sempre é noite e as ruas são becos escuros e encobertos por um eterno nevoeiro. Em meu mundo, cada esquina esconde um mistério.” Obrigado por nos mostrar esse mundo, Lucchetti.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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