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Reboots, remakes, sequências… A onda do terror retrô

Clássicos do gênero ressuscitam em novas produções

02/02/2024

Embora sejam mais populares em determinada época, os remakes são tão antigos quanto o próprio cinema. Basta lembrar do clássico de 1931, O Médico e O Monstro, adaptação do romance de Robert Louis Stevenson, que logo ganhou uma refilmagem em 1941 pelas mãos de Victor Fleming, o mesmo diretor de O Mágico de Oz. Isso tudo muito antes de sequer cogitarmos sobre a explosão de refilmagens, continuações e reboots que viriam nas décadas seguintes. 

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Parando para pensar, as refilmagens, assim como as continuações, são praticamente inevitáveis dentro do cinema. Algumas histórias são tão queridas e importantes que desejamos vê-las novamente e com uma diferente roupagem. Além do mais, existe a questão mercadológica e financeira que é intrínseca ao audiovisual. Afinal, se um determinado filme fez sucesso, por que não aplicar a fórmula novamente? 

Na verdade, precisamos ser sinceros. As refilmagens carregam uma má fama que muitas vezes é injusta. Às vezes elas podem ser excelentes e trazer uma renovação necessária para determinado enredo. Seja por questões técnicas, contexto histórico ou alterações na narrativa, muitos remakes conseguem ser tão bons — se não melhores — do que seus originais. Tome como exemplo A Mosca de David Cronenberg, refilmagem do longa de 1958, e O Enigma do Outro Mundo de John Carpenter, uma nova versão do filme O Monstro do Ártico de 1951.

o enigma de outro mundo
Universal Pictures/Divulgação

Há ainda aqueles que nem parecem remakes, já que utilizam a mesma base narrativa do original para criar algo diferente. É o caso de Suspiria (2018) de Luca Guadagnino, baseado no filme homônimo de Dario Argento, e A Múmia, remake de 1999 do clássico protagonizado por Boris Karloff em 1932. 

No entanto, assim como existem boas refilmagens, existem aquelas que não deram muito certo. Até hoje não existe um critério ou fórmula que possa ser seguida para produzir um bom remake. Misturar familiaridade com inovação? Pegar as ideias do original e levá-las para um novo caminho? Respeitar as tradições da narrativa e seus personagens? Manter tudo do mesmo jeito? 

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O que é visível é que o cinema passa por fases. Em algumas delas as refilmagens, continuações e reboots ficam em alta, enquanto em outros momentos histórias e conceitos mais originais ganham mais destaque. 

Nos anos 2000, por exemplo, o terror vivenciou uma explosão de refilmagens grandiosas com orçamentos muito maiores do que suas produções “mães”. 13 Fantasmas (2001) foi um remake do filme homônimo de 1960, enquanto o japonês Ringu – O Chamado (1998) ganhou uma versão norte-americana em 2002. Nem mesmo os grandes vilões slashers escaparam dessa onda. Leatherface voltou às telonas em 2003 no remake de O Massacre da Serra Elétrica e Freddy Krueger ganhou em 2010 com A Hora do Pesadelo. Até os zumbis de George Romero entraram nessa e o icônico Despertar dos Mortos (1978) foi reimaginado em Madrugada dos Mortos (2004).

o chamado
Dreamworks Pictures/Divulgação

Entre tantos remakes e reimaginações, há um filme que parece apontar para o lugar onde estamos atualmente. Embora não seja nenhuma obra-prima, o 12º filme da franquia Sexta-Feira 13, lançado em 2009 com direção de Marcus Nispel, traz algo diferente para a mesa. Não se trata de uma refilmagem, muito menos de uma continuação. Trata-se de um reboot.

Mas afinal de contas, o que diabos é um reboot? Bem, reboot significa justamente reiniciar ou até mesmo começar do zero. Nesse caso, o objetivo não é refazer a história do longa, mas sim recriá-la seguindo um caminho diferente que ignora tudo que veio antes. Talvez este novo filme de Sexta-Feira 13 estivesse apontando para uma interessante direção…

A atual onda de terror retrô

Depois da explosão de remakes dos anos 2000, o cinema de terror viu diferentes ciclos surgirem. É possível citar exemplos como o terror sobrenatural, marcado por franquias como Invocação do Mal e Sobrenatural e o torture porn, encabeçado pela gigantesca série Jogos Mortais

série de invocação do mal
Warner Bros./Reprodução

Outro ciclo que chamou a atenção nos últimos tempos foi o chefiado por estúdios como A24 e diretores como Jordan Peele, Ari Aster e Robert Eggers. Com roteiros originais, comentários sociais e visuais únicos, filmes como A Bruxa (2016), Corra! (2017) e Hereditário (2018) buscavam diferentes formas de assustar, deixando de lado os tradicionais jumpscares, e entregando histórias pontuais que não almejavam continuações nem franquias gigantescas

Contudo, é impossível deixar de notar que paralelamente a esses filmes (que são equivocadamente chamados de “horror elevado”), há uma nova tendência. Antes de tudo, é importante pontuar uma coisa: um estilo não suplanta nem acaba com o outro. Pelo contrário. Eles coexistem e mostram toda a versatilidade do terror em contar as mais diferentes histórias das mais diferentes maneiras. 

Essa tendência, carinhosamente apelidada de terror retrô, dialoga com as refilmagens dos anos 2000 e com as continuações que existiram desde sempre no cinema de terror. Quer um exemplo? Basta olhar para as maiores bilheterias de terror de 2023. Para além das clássicas continuações representadas por A Freira 2 e Sobrenatural: A Porta Vermelha, encontramos dois velhos e improváveis amigos na lista: Pânico VI e A Morte do Demônio: A Ascensão.  

evil dead rises

Esses filmes, que torceram muitos narizes quando anunciados e desafiaram as expectativas, revelam que talvez estejamos navegando por um caminho mais familiar e quem sabe, até mesmo retrô. Contudo, engana-se quem acha que as histórias são as mesmas de décadas passadas. Partindo de premissas conhecidas pelo público, esses filmes bebem de seus originais para entregar narrativas que honram suas franquias, mas que definitivamente não são refilmagens

Vamos tomar como exemplo Pânico VI. O filme, um divertido slasher liderado por Ghostface, se intitula uma “sequência da requel. O que isso quer dizer? Pânico VI é uma sequência direta de Pânico (2022), que por sua vez é o que chamamos de requel ou sequência legado. As sequências legado são lançadas muitos anos depois da obra original, da qual são diretamente derivadas, e seu objetivo é justamente dar novos ares para a franquia. 

Ao mesmo tempo que trazem histórias e personagens nunca antes vistos, visando a um novo público, as sequências legado trazem atores e personagens da franquia original, agradando também os fãs antigos. É o que os dois novos Pânicos fizeram ao trazer um novo elenco, encabeçado por Jenna Ortega e Melissa Barrera, junto aos nomes conhecidos da franquia de Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette.  

pânico 6

Outro exemplo significativo foi a nova trilogia Halloween, iniciada em 2018 e encerrada em 2022. O filme é simultaneamente uma sequência legado e um reboot, já que ignora todas as continuações de Michael Myers e se mantém como uma continuação direta do original de 1978. Um dos grandes atrativos foi a volta da atriz Jamie Lee Curtis ao papel de Laurie Strode. A presença dos chamados personagens legado — que surgem para ajudar os novos personagens ou acabar por vez com determinados desafetos — garante a familiaridade da franquia ao mesmo tempo em que apela para a nostalgia dos fãs. Afinal, quem não adora reencontrar seus personagens favoritos, não é mesmo? 

A Morte do Demônio faz jus a toda a sua genealogia com o uso de 1.700 galões de sangue falso. Partindo da premissa criada por Sam Raimi, o longa entrega uma história diferente que ao mesmo tempo parece extremamente familiar. Embora não conte com o personagem mais famoso da franquia, Ash Williams, o filme acerta ao trazer novos personagens, referências (como a famosa motosserra) e momentos sangrentos que são dignos de seus antecessores. Vale, inclusive, lembrar que a franquia já havia sido reimaginada em 2013 no filme homônimo de Fede Alvarez. Inicialmente divulgado como um remake, o longa trouxe surpresas ao mudar seu protagonista e revelar que servia simultaneamente como um reboot e uma sequência. Será que era uma profecia do que viria para os cinemas nos próximos anos?

Outra grande franquia que se rendeu aos reboots e começou do zero foi Hellraiser. O décimo primeiro filme, intitulado Hellraiser – Renascido do Inferno, chegou em 2022 com a promessa de ser um recomeço para Pinhead e seus comparsas cenobitas. O longa traz uma nova versão do livro de Clive Barker, ignorando os títulos lançados anteriormente — inclusive o original de 1987 — e contando com Jamie Clayton como o ameaçador Pinhead. A moda de resgatar o passado passou dos cenobitas e chegou até mesmo no Texas. Em 2022, chegou na Netflix O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno, uma sequência legado ambientada cinco décadas após o original. Bastante inspirado em Halloween (2018), o filme trouxe de volta a personagem mais emblemática da franquia: Sally Hardesty. Infelizmente para a pobre Sally, seu retorno não foi tão triunfal quanto o de sua colega, Laurie Strode.

hellraiser

E agora, para onde vamos?

A onda do terror retrô parece estar longe de ver seu fim. Uma sequência legado de O Exorcista, intitulada O Exorcista: O Devoto chegou no último outubro nos cinemas. O filme, dirigido por David Gordon Green, tem relação com o original de 1973, contando com a volta de Ellen Burstyn como Chris MacNeil. Porém, a péssima repercussão do filme põe em dúvidas se haverá mesmo a sequência já anunciada, The Exorcist: Deceiver, principalmente agora que o diretor se retirou do projeto.

No geral, é difícil tirar conclusões sobre o assunto. O retorno ao passado e aos clássicos não mostra falta de originalidade. Longe disso. Também não é um sinal de esgotamento ou uma afirmação de que o terror não deveria tentar novas coisas. Na verdade, o que isso nos mostra é que existe espaço para todas essas coisas dentro do gênero. Existe espaço para sequências legados, reboots e refilmagens, assim como há espaço para tramas e personagens nunca antes vistos. Existe espaço para reencontrarmos e resgatarmos rostos e franquias familiares, assim como a possibilidade de mergulharmos em narrativas como as de Fale Comigo e M3GAN, assim como nos novos trabalhos de Jordan Peele e Robert Eggers, por exemplo.

O que esses diferentes tipos de filmes e ciclos evidenciam é a enorme potência do terror, que continua mais vivo (ou morto, depende da sua perspectiva) do que nunca. A única resposta que podemos dar no momento é que amamos terror e quanto mais filmes e lançamentos, melhor. 

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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