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Se Você Contar: Conheça o caso das irmãs Knotek

Livro conta história das filhas de uma assassina

10/08/2023

Shelly Knotek era vista pelos vizinhos como uma amiga solícita, até que a verdade sobre o que acontecia em sua casa veio à tona. Humilhação das filhas, agressão a amigos, assassinato e corpos ocultos são apenas alguns dos segredos grotescos que ela havia coagido sua família a esconder.

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“Todos nós iremos para a cadeia se alguém descobrir o que aconteceu a Kathy.” Essa foi a ameaça que Shelly fez a seu marido, filhas e sobrinho após o ocorrido. Mas o aviso não seria esquecido pelas filhas da assassina, Nikki, Tori e Sami, que contaram sua história de manipulação e violência nas mãos da mãe. 

As irmãs reuniram seus relatos com a ajuda de Gregg Olsen no livro Se Você Contar, um registro cuidadoso que chega ao selo Crime Scene. O autor privilegiou o ponto de vista das irmãs Knotek, que também foram vítimas da teia de violência criada pela mãe. Apesar dos crimes de Shelly terem chamado a atenção em 2003, quando foram descobertos, a intenção das filhas é manter a história viva como um alerta do que a assassina é capaz e evitar que ela mate de novo.

se você contar

Mas a história de Shelly Knotek começa muito antes das revelações perturbadoras feitas pelas filhas.

Uma história de origem traumática

A infância de Michelle “Shelly” Knotek foi repleta de trauma. Ela e seus irmãos foram criados pelo pai e pela madrasta após terem sido abandonados pela mãe biológica, que era alcoólatra e tinha problemas psicológicos. Eles aparentavam ser uma família típica de uma cidade do interior.

Mas os ataques de maldade de Shelly começaram cedo: desde os 6 anos ela já dizia à madrasta que a odiava. Mas o que poderia ser apenas rebeldia infantil de uma criança passando por uma fase complicada, parecia ser o indício de algo muito mais profundo: com 13 anos de idade, a mãe biológica de Shelly foi assassinada, ao que ela não reagiu com qualquer tipo de emoção. Era como se a mãe nunca tivesse existido.

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Além disso, a infância e a adolescência da futura assassina foram marcadas por atos violentos: ela gritava, intimidava os irmãos e a madrasta, além de ter o costume de arremessar objetos. 

A família Knotek: Tortura e manipulação

Shelly se casou com David Knotek em 1987, e trouxe para o novo casamento suas filhas de uma relação anterior: Sami e Nikki, que na época tinham 9 e 12 anos de idade, respectivamente. Dois anos depois, nasceu a bebê Tori, completando a família Knotek. 

shelly e david knotek

Não demorou muito para que o comportamento violento de Shelly desse as caras na nova família. De acordo com as filhas, ela era uma manipuladora habilidosa, que tinha prazer no mal e no constrangimento que causava aos outros. Isso foi confirmado por David, que era abusado fisicamente pela esposa, que o agredia sabendo que ele permaneceria submisso.

Os abusos se estenderam às crianças das mais diferentes maneiras, sempre seguidas de demonstrações de amor e afeto, para mantê-las obedientes. Um comportamento “morde e assopra” observado em várias personalidades manipuladoras.

As filhas não pouparam detalhes ao relatar os abusos sofridos. Apesar de Shelly aparentar ser uma mãe dedicada, comprando as melhores roupas para as filhas, a portas fechadas a situação era bem diferente. As sobreviventes disseram que ela as obrigava a arrancar os próprios cabelos e gargalhava diante do desespero delas. Shelly ainda inventava desculpas para submeter as garotas a castigos cruéis, como trancá-las por um tempo no canil ou no galinheiro.

irmãs knotek

Não satisfeita com todo o sofrimento ao qual submetia as próprias filhas, Shelly foi gradativamente aumentando sua violência. Certa vez ela empurrou a cabeça de Nikki pelo vidro da janela, culpando a garota pelo ocorrido.

Desaparecimentos inexplicáveis

Apesar de toda a violência praticada no próprio lar, Shelly era muito carismática e fazia amigos com facilidade. Uma dessas amigas era sua cabeleireira de longa data, Kathy Loreno. Quando a amiga saiu repentinamente de casa, Knotek se colocou à disposição para ajudá-la: ela seria uma espécie de babá para as meninas em troca de morar com a família até ter condições de ter um lugar próprio.

No livro Se Você Contar, Olsen descreve Shelly Knotek como o tipo de psicopata que se aproveita de uma imagem amigável para encobrir os abusos. E foi nessa armadilha que Loreno caiu. As irmãs Knotek relataram que certa vez voltaram da escola e encontraram a amiga da mãe sozinha do lado de fora, completamente nua.

Kathy Loreno passou cinco anos como hóspede e vítima de Shelly. Mais tarde foi apurado que a tortura de Knotek envolvia afogamentos simulados e jogar alvejante nas feridas da vítima. Loreno morreu trancada na lavanderia da casa dos Knotek. Shelly e David queimaram seu corpo e se livraram das cinzas. Anos depois, as irmãs explicaram que a mãe espancou a “amiga” até a morte. Quando perguntaram a Shelly sobre o sumiço de Loreno, a assassina disse que ela havia fugido com um homem chamado Rocky.

Kathy Loreno

Em 1988, o sobrinho Shane Watson foi obrigado a viver com os Knotek após seu pai ter sido preso e sua mãe não ter condições de criá-lo. Nesta época, Shelly forçava suas filhas Nikki e Sami e o sobrinho a ficarem em água congelante como uma espécie de punição. Outras formas de abuso envolviam colocar Watson e Nikki em poses comprometedoras, obrigando-os a dançar nus. 

Isso ocorreu enquanto Kathy estava sendo torturada por Shelly e teria perdido mais de quarenta quilos. Watson teria documentado o sofrimento sofrido por ele, pelas primas e por Loreno, inclusive com fotos do debilitado estado físico da amiga. Nikki contou à mãe sobre as fotos e Shelly obrigou o marido a atirar na cabeça do sobrinho e cremar seu corpo.

shane watson

Mortes acidentais?

Um tempo depois, Shelly Knotek começou a cuidar de um homem mais velho, veterano de guerra, chamado James McClintock que vivia com uma labradora chamada Sissy. Dizem que ele era bem de vida e pagava Shelly diretamente por seus serviços. 

Ele faleceu em 2002 sob os cuidados dela, mas concluiu-se que ele havia caído e batido a cabeça com força. McClintock teria deixado sua propriedade e 8,8 mil dólares a Knotek — só que ela apenas teria direito ao imóvel quando Sissy morresse. Pouco tempo depois, a cadela desapareceu e Shelly disse que ela havia morrido (mas dizem que um animal idêntico a ela magicamente apareceu em abrigo próximo pouco depois).

Outro homem que recebeu os cuidados de Shelly foi o veterano Ronald Woodworth. Ele teria sucumbido a sérios problemas mentais e perdido sua casa, o que o levou à porta de Knotek. Considerando-o “inútil”, a assassina o teria isolado dos amigos e da família, além de tê-lo espancado, drogado e até mesmo o obrigado a beber a própria urina. Em 2003 o homem faleceu em decorrência de ferimentos fatais após ter sido forçado a pular de uma construção e ter alvejante e água fervente jogados em suas feridas. 

A verdade vem à tona

Após anos de tortura psicológica e sendo coagidas a um silêncio criminoso pela própria mãe, Sami Nikki e Tori vieram a público explicar os desaparecimentos, e Shelly e David foram presos pouco depois da morte de Ronald Woodworth. Inicialmente ela alegou inocência, enquanto o marido fez um acordo para reduzir sua pena.

shelly knotek

Após uma tentativa de acordo que mantivesse sua inocência e muitos documentos falsos apresentados como evidência, Shelly foi considerada culpada das mortes de Kathy Loreno e Rod Woodworth, sendo sentenciada a 22 anos de reclusão. Seu marido David foi condenado pelo assassinato de Shane Watson, cumprindo treze anos da pena. Em novembro de 2022 Shelly saiu da prisão.

Diante da soltura prematura da mãe — que teria cumprido apenas 18 dos 22 anos de reclusão —, as filhas expuseram o caso de todas as maneiras possíveis, para evitar que a mãe volte a fazer novas vítimas. Atualmente, todas as três estão vivas e bem, na medida que o trauma permite. 

Até hoje elas lidam com o estresse e os gatilhos provocados na infância, mas encontraram, através da sororidade e da busca pela verdade, maneiras de lidar com um passado tão terrível. Sami, Nikki e Tori servem de inspiração para sobreviventes de todo o mundo de que a sua verdade deve vir à tona e que isso pode salvar outras pessoas.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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