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Setembro Amarelo: Mais do que falar sobre saúde mental, é preciso agir

Conheça a campanha e saiba como prevenir fatores de risco e doenças mentais relacionadas ao suicídio.

Todos os anos 12 mil pessoas no Brasil morrem por suicídio, sendo que no mundo inteiro este número chega a 1 milhão. São vidas interrompidas de uma forma traumatizante para quem fica, mas na maioria dos casos é algo que poderia ter sido evitado. Segundo dados da campanha Setembro Amarelo ®, 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a doenças mentais tratáveis, como depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias.

O Setembro Amarelo® surgiu em 2014 por iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O dia 10 de setembro foi escolhido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha de conscientização e prevenção do Setembro Amarelo ocorre ao longo de todo o ano. 

Para este ano, o tema da campanha é “É preciso agir!”, chamando a atenção para o fato de que apenas falar sobre o tema de forma superficial não é suficiente para evitar que vidas sejam abreviadas.

Pandemia pode agravar problemas psicológicos e dificultar busca por tratamento

Em junho deste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta sobre uma crise mundial de saúde mental, que pode afetar milhões de pessoas em função da pandemia de Covid-19. Os especialistas apontaram que o cenário de morte, doença, isolamento forçado e pobreza podem causar problemas relacionados à ansiedade em pessoas de todas as idades e de todas as partes do mundo. 

A diretora de saúde mental da Organização Mundial da Saúde (OMS), Devora Kestel, declarou: “A saúde mental e o bem-estar de sociedades inteiras foram gravemente impactados e são prioridades que devem ser abordadas urgentemente”. O relatório do órgão apontou diversas partes do mundo onde estes problemas já têm sido observados e ela apelou para que os governantes tratem este assunto com a devida seriedade com suas respectivas populações.

Esta ansiedade não é restrita a um grupo específico de indivíduos. Temos profissionais da área da saúde esgotados por longas escalas, perdas de pacientes e distanciamento da família; pessoas que perderam o emprego ou que tiveram sua renda comprometida em função da pandemia e enfrentam uma séria ansiedade e insegurança diante das incertezas de uma retomada econômica; idosos que estão há meses sem ver suas famílias e amigos; e até mesmo crianças que estão privadas do intenso convívio social com colegas nas escolas. 

Além do pânico de infecção e dos problemas gerados psicologicamente pelo isolamento social, a pandemia também proporcionou um cenário em que tem se tornado mais difícil buscar ajuda. Mesmo que os conselhos de psicologia e de medicina tenham facilitado o atendimento por vídeo destes profissionais, muitos pacientes têm descontinuado seus tratamentos por insegurança financeira ou pela falta de privacidade dentro de casa para falar abertamente com seu terapeuta. 

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Como identificar o comportamento suicida

Não existe fórmula mágica para prevenir ou detectar um quadro de depressão. Cada pessoa pode manifestar a doença por diferentes motivos, que podem ser fisiológicos, sociais ou psicológicos. Além disso, ela também pode apresentar diferentes sintomas, que nem sempre são tão óbvios para quem está passando por isso.

Alguns fatores de risco destacados pela campanha do Setembro Amarelo podem servir de alerta para auxiliar na prevenção ao suicídio. São eles:

Transtornos mentais: a maioria dos suicídios foi cometida por pessoas que apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico, como depressão, transtorno bipolar ou transtornos relacionados ao uso de drogas, lícitas ou ilícitas. Além disso, esquizofrenia e transtorno de personalidade também são fatores de risco.

Histórico pessoal: se a pessoa já tentou o suicídio alguma vez, é muito provável que ela tente novamente. 

Ideação suicida: muitas pessoas que cometem suicídio dão sinais de que isso pode ocorrer. Comentários que demonstrem desespero, desesperança e desamparo podem ser sinais de que a pessoa corre este risco.

Fatores estressores crônicos recentes: aqui estamos falando de fatores estressores significativos, como término de relacionamento, migração ou perda de alguém próximo, ou até algum prejuízo econômico e social, como falência e perda do emprego.

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Organizar o legado e fazer despedidas: antes de cometer suicídio algumas pessoas apresentam um comportamento que sugira este preparo. Podem ser mensagens de despedida, testamentos, doação de posses e acúmulo de comprimidos são alguns destes sinais.

Meios acessíveis para se suicidar: o acesso a armas, a locais altos ou à medicação em grande quantidade também são sinais que devem servir de alerta, principalmente em quem apresenta alguns dos outros fatores de risco.

Impulsividade: apesar de envolver planejamento, na maioria dos casos o suicídio pode partir de um impulso motivado por eventos negativos. Este impulso geralmente é transitório e dura apenas alguns minutos, que podem ser fatais. A impulsividade pode ser acentuada pelo abuso de substâncias.

Traumas de infância e adolescência: pessoas que sofreram maus tratos e abuso físico, sexual ou psicológico na infância, e que apresentam abuso de substâncias e ausência de amparo social, estão associadas a um risco maior de cometer suicídio. Queda no desempenho escolar pode ser reflexo de algum transtorno psiquiátrico não diagnosticado.

Motivos aparentes ou ocultos: pessoas com comportamento suicida podem considerar a morte uma saída de um sentimento momentâneo de infelicidade. Comentários que expressem este sentimento devem servir de alerta.

Presença de outras doenças: doenças crônicas e/ou em fase terminal podem ser fatores de risco para o suicídio. Pacientes com estes tipos de doença devem contar com acompanhamento psicológico.

Algumas estratégias para prevenir a depressão

Por ser o principal fator de risco para o suicídio, cuidar da saúde mental se torna imprescindível para evitar quadros de depressão que podem se agravar. Algumas das estratégias para combater a depressão são:

Mantenha contato: não se isole da sua vida. Socializar pode melhorar o seu humor. Manter contato com amigos e família, mesmo que por telefone ou internet, te ajuda a desabafar quando estiver se sentindo desanimado.

Pratique exercícios: qualquer forma de atividade física é válida. Exercitar-se ajuda a produzir hormônios que contribuem para a felicidade e melhoram o seu  humor. Se você nunca teve este hábito, comece de forma simples, com caminhadas de 20 minutos por dia. Ao longo do tempo, experimente outras modalidades e descubra aquela que mais lhe agrada.

Enfrente seus medos: não evite aquilo que você considera difícil. Quando as pessoas se sentem desanimadas ou ansiosas, elas às vezes evitam até falar com outras pessoas, desenvolvendo uma espécie de fobia social. Ao longo do tempo, isso prejudica a confiança até para tarefas simples, como sair de casa, dirigir ou viajar.

Não beba muito álcool: muitas pessoas acabam utilizando o álcool, ou outros tipos de drogas, para lidar ou esconder seus sentimentos, ou às vezes simplesmente para passar o tempo. Mas isso não ajuda a resolver os problemas e pode agravar quadros de depressão.

Tente se alimentar de forma mais saudável:  transtornos alimentares possuem uma ligação muito próxima ao estado mental em que aquela pessoa se encontra, seja por se alimentar menos ou mais do que o normal. Além disso, uma alimentação e uma digestão desequilibrada podem afetar a produção de hormônios e o funcionamento cognitivo, contribuindo com quadros de depressão e ansiedade. Se possível, busque ajuda profissional para ingerir os nutrientes que o seu corpo precisa.

Mantenha uma rotina: quando as pessoas se sentem desanimadas, elas podem adquirir padrões nada saudáveis de sono, como ficar acordado até muito tarde e dormir durante o dia. Tente se acordar sempre em um horário fixo e se mantenha nesta rotina o máximo que puder. Não ter uma rotina pode afetar os hábitos alimentares, pulando refeições ou consumindo mais calorias do que o necessário.

Busque ajuda profissional: se você sentir um desânimo ou estresse persistente ou falta de motivação até para as tarefas mais simples – e que antes eram motivo de prazer – busque ajuda profissional. Você pode conversar primeiramente com o seu médico ou buscar a ajuda de um psicólogo, que lhe encaminhará para o tratamento mais adequado ao seu quadro. Iniciativas como o Centro de Valorização da Vida (CVV) também podem ajudar nestas situações.

Como ajudar alguém com transtornos depressivos

Nem sempre alguém com um quadro de depressão consegue identificar que se encontra nesta situação. Nestes casos, a observação de pessoas próximas é fundamental. Alguns sinais simples que podem indicar se alguém que você conhece está com depressão:

Perda de interesse em atividades que antes a pessoa gostava;

– Sentimento de desânimo ou desesperança;

Fala mais lenta e movimentos mais inquietos que o normal;

Cansaço ou falta de energia;

Mudança de comportamento alimentar, comendo mais do que o normal ou apresentando perda de apetite;

Dormir mais do que o normal ou não conseguir dormir;

Problemas de concentração em tarefas do dia  dia, como assistir TV ou ler notícias.

Para pessoas idosas, outros sinais também servem de alerta:

– Geladeiras e despensas vazias (que também indicam má alimentação);

– Descuido da aparência;

– Descuido na higiene pessoal ou da casa;

– Demonstrar pouca alegria ao receber visitas.

Se você perceber que alguém próximo passou a apresentar estes comportamentos e você suspeita de depressão, a sua ajuda pode ser fundamental na recuperação desta pessoa. Veja de que forma você pode ajudar:

Converse com esta pessoa e deixe claro para ela que você se importa e que está ali para ouvi-la;

Aceite-a do jeito que ela é, sem julgamentos;

– Gentilmente encoraje-a a se ajudar, como, por exemplo, sugerindo atividades físicas, uma dieta balanceada e fazer coisas que ela normalmente gosta. Jamais dê conselhos óbvios como “seja otimista”, “veja o lado bom” ou “sorria!”. Incentive com ações que podem ser executadas e, se possível, coloque-se à disposição para acompanhá-la nisso;

– Busque se informar sobre formas de tratamento possíveis para aquela pessoa, seja com psicólogos, centros de assistência ou grupos de apoio, por exemplo;

Mantenha contato com esta pessoa, seja por meio de mensagem, telefone ou convidando-a para um café ou visita. Pessoas com depressão podem se isolar e achar difícil sair de casa;

Seja paciente;

Cuide da sua saúde mental também para conseguir ajudar esta pessoa no processo sem absorver parte da carga.

Acabar com o estigma e o preconceito é crucial para diminuir o sofrimento de quem sofre com depressão. Somente quando a sociedade enxergar transtornos mentais com a mesma seriedade com que trata outras doenças, estas pessoas se sentirão mais encorajadas a buscar ajuda. Falar abertamente sobre o tema é importante, mas agir em relação a ele é capaz de salvar vidas.

LEIA TAMBÉM: EM O ÚLTIMO ADEUS, TEMAS COMPLEXOS SOBRE SAÚDE MENTAL SÃO ABORDADOS COM CONSCIÊNCIA

1 Comentário

  • Daniel Rocha

    10 de setembro de 2020 às 01:59

    Super parabéns, Darkside, por compartilharem a campanha do Setembro Amarelo. É essencial que as pessoas em sofrimento psíquico/emocional tenham a oportunidade de buscarem ajuda (inclusive com profissionais da Psicologia, que possam acolher e ouvir sem julgamentos as demandas emocionais). Muito importante também que foi divulgado aqui o CVV (que possui chat com voluntários dispostos a ouvirem esse tipo de demanda, e que pode ser contatado através do número 188). Parabéns por se importarem com essa importante questão de saúde pública. Como diz a campanha: é preciso agir!

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