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The Blob: Seja lá o que for, está crescendo!

O remake que é um verdadeiro estouro do trash

18/08/2023

Com todo o exagero dito e praticado em relação a remakes, muitos de nós se cansaram a tal ponto, que a mera menção à categoria (ou à palavra) nos causa indigestão. Os motivos são muitos e constantes, e entre eles estão a falta de novidade no cinema moderno, a falta de qualidade e inventividade nas refilmagens, e principalmente: a falta de uma motivação maior do que ganhar dinheiro.

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Felizmente toda regra tem exceção, e ela se torna um pouco mais presente quando o assunto são meteoros, meteoritos e seus estranhos coabitantes: os germes assassinos. Para começar essa conversa, vamos citar apenas três exemplos: Invasion of The Body Snatchers (original 1956, remake de 1978), The Thing (original The Thing From Another World de 19851, remake de 1982), e a pauta de hoje da nossa coluna, The Blob, (original de 1958, revivido em 1988, batizado in brazil de A Bolha Assassina). Não por coincidência, os três filmes podem ser considerados de grande qualidade, apesar das torcidas de alguns narizes em relação à nossa terceira menção.

The Blob

Sabemos logo de cara que “a tal coisa” veio do espaço, afinal, o filme se inicia com uma visão da nossa bolota azul e apetitosa lá de cima, do espaço sideral, da imensidão profunda além-estratosfera. Aterrizando, encontramos essa cidade que parece vazia e abandonada, uma cidade fantasma onde somente os animais estão circulando pelas ruas. É um começo bastante taciturno, intimidador, principalmente se levarmos em conta os anos pandêmicos. Mas a verdade é que a vida da pequena cidade de Arborville, Califórnia, está concentrada em outro lugar, e logo somos lançados no turbilhão local de hormônios adolescentes, em uma partida de futebol americano. Jogadores, petiscos e refrigerantes com alto teor de sódio, líderes de torcida.

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Também nesse início de filme temos um jovem Kevin Dillon fazendo as vezes do bad boy local, Brian Flagg (sim, me lembrei de Stephen King também), que faz sua aparição gloriosa na tela levando um tombaço de moto para minutos depois receber uma dura do xerife. Xerife também bastante conhecido — nos anos 1980 e depois dele —, nosso queridão Jeffrey DeMunn (que já deixou seu quinhão em The Shawshank Redemption, The Green Mile, The Majestic, The Mist, e até mesmo em The Walking Dead). No papel do biólogo governamental com motivações duvidosas, temos o inabalável Joe Seneca! (que andou fazendo uns pactos com o tinhoso em Crossroads, 1986).  O fundamental nesse início é que somos rapidamente inseridos na vida local da pequena Arborville. Moss, mecânico, é uma dessas pessoas, outra personagem é uma garçonete que parece gostar do xerife, e também um coletor de reciclagem (e seu amigo “cachorro do Max Max”) que vê a coisa caindo do céu e decide dar uma cutucada no meteoro flamejante (muito inteligente, não?). Oh, e temos o farmacêutico da cidade, Mr. Peeny (Art LaFleur que fez uma penca de filmes), e outro rosto conhecido na polícia local, com o subdelegado Bill Brigss, interpretado por Paul McCrane que fez um bandidão derretido por lixo tóxico em Robocop

The Blob

E tem mais gente boa nesse filme, mas vamos parar com as homenagens por enquanto. Chegou a hora de “a bolha” dar o seu show (e não deixem de reparar no primeiro atendimento médico dispensado aos afligidos — sempre um espetáculo trágico à parte seja nos filmes ou na vida real).

The Blob

O trash-gore do filme é violento, rude, mas muito bem apresentado. A podreira organo-alienígena é bem feita e perfeitamente cabível na proposta do filme, que traz um organismo predador faminto, “a bolha”, para esse ilustre planeta azulado e seus habitantes alimentícios. Os efeitos práticos são críveis e traumáticos a tal ponto que poderiam muito bem ter feito uma ponta em The Thing.

The Blob

Enquanto segue seu caminho metabólico, a bolha faminta digere pessoas boas e gente ruim da mesma maneira, mas tem uma clara predileção por gente xarope, e isso sim é um deleite. Nesse filme, se alguém te irritar profundamente, é quase certo que se tornará ração de monstro.

O plot sobre a verdadeira natureza da entidade biológica é a próxima cereja do bolo, e por essa poucos esperam, mesmo se tratando de um filme da década de oitenta. Durante o filme, alguns estereótipos se mantêm firmes, mas outros são estilhaçados e metabolizados em algo superior. É o caso da líder de torcida Megan Penny (Shawnee Smith) que enfrenta a coisa e se enfia no esgoto para tentar salvar seu irmão mais novo e um amigo. Nos momentos finais do filme, Meg assume o protagonismo da heroína, lutando ao lado de Brian Flagg de forma bastante orgânica, crível, uma aula grátis ao cinema moderno que erra miseravelmente nesse quesito.

the blob

The Blob de Chuck Russell é um filme verdadeiro, autêntico, que não faz muito para agradar e agrada justamente por se permitir ser ousado, socialmente cáustico e irresponsável, da mesma forma que seu já citado primo não tão distante, The Thing, dirigido por John Carpenter.

O plot final — sim temos outro plot — é pra lá de interessante, deixando um sinal para uma continuação que prometia ser ainda mais indigesta à família tradicional de todos os povos. Mas como nada é perfeito, The Blob acabou soterrado pelas dúzias de produções de horror de fácil digestão aquecidas em fogo brando ao longo dos anos. Ainda assim, confiem em mim: se você gosta da boa e velha receita que mistura horror, sci-fi, e um exército de grandes atores, The Blob é um prato cheio (e requintado, desde que você se permita assumir o papel de refeição). 

the blob

O que vocês acham de apertar o play? Vai cair bem, eu prometo.

O aperitivo você confere aqui:

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Sobre Cesar Bravo

amplificador cesar bravoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D., 1618 e Amplificador.

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