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12 Diretores de cinema que dão uma aula sobre representatividade negra

Não basta incluir um elenco negro nos filmes, é necessário contar e valorizar as histórias destas pessoas.

A indústria do cinema ainda é um mercado predominantemente branco. Mesmo com mais de um século de história, os espaços para negros, asiáticos, latinos e qualquer pessoa que não se encaixe naquele padrão que sabemos muito bem qual é parecem ser muito bem delimitados: certos papéis, certa importância e certo reconhecimento.

O assunto costuma vir à tona na época de premiações, como ocorreu em 2016 com o movimento Oscar so White, que expôs o fato de que todos os indicados nas categorias de atuação eram brancos. O debate iniciou com o reconhecimento pela Academia, mas chamou a atenção para uma verdade que todos sabem muito bem: pluralidade e representatividade nunca foram o forte de Hollywood.

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Não são poucos os papéis que sofrem o famoso whitewashing, quando um papel de um personagem negro, asiático, latino ou de qualquer outra ascendência acaba sendo interpretado por um ator branco. Isso nos leva a pensar: se até os papéis que deveriam ir para as minorias são entregues aos brancos, quais as chances de estas mesmas minorias aspirarem a algo maior?

Nos últimos anos indústria tem se esforçado um pouco para evitar as aberrações do whitewashing, mas é importante lembrar que quando falamos em representatividade não é suficiente apenas escalar atores e demais funcionários negros na equipe. Representatividade negra, por exemplo, é contar as histórias de pessoas negras, respeitando e enaltecendo sua bagagem histórica, cultural, religiosa e suas ainda existentes lutas na sociedade. 

Muitos cineastas negros têm conquistado espaço dando voz a estas pessoas e mostrando que suas histórias são tão importantes e interessantes quanto qualquer outra na indústria cinematográfica. Conheça a seguir um pouco destas vozes por trás das câmeras:

1. Spike Lee

Sem dúvida o nome mais conhecido em termos de cinema negro, Spike Lee foi um dos pioneiros a conseguir exposição com suas histórias cruas sobre o que é ser negro nos Estados Unidos. Ele ficou mais conhecido na indústria depois de sua indicação ao Oscar pelo roteiro de Faça a Coisa Certa em 1990, mas 10 anos antes disso ele já havia filmado um curta que rebate o filme O Nascimento de uma Nação, que aborda a Ku Klux Klan. O curta quase resultou na sua expulsão da faculdade. Lee passou quase duas décadas sem o reconhecimento da Academia e até chegou a ser homenageado pelo conjunto da obra em 2016 – exatamente no ano do Oscar so White.

Seu primeiro prêmio veio em 2019 pelo roteiro de Infiltrado na Klan. Em 12/06 seu novo filme Destacamento Blood irá estrear diretamente na Netflix. Obras de destaque: Faça a Coisa Certa, Malcom X e Infiltrado na Klan.

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2. Ava DuVernay

Fundadora de um movimento de distribuição de filmes com temática negra que hoje virou a distribuidora independente Array Now, Ava DuVernay foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de Melhor Direção no Festival de Sundance pelo seu segundo filme da carreira, Middle of Nowhere. Ela também foi a primeira diretora negra a receber uma indicação ao Globo de Ouro pelo filme Selma: Uma Luta pela Igualdade, que aborda as passeatas de Martin Luther King pelos direitos civis dos negros. Para o Oscar, ela recebeu uma indicação pelo documentário A 13ª Emenda, sobre a questão racial no sistema penitenciário dos Estados Unidos. Obras de destaque: Selma: Uma Luta pela Igualdade, A 13ª Emenda e Olhos que Condenam.

3. Sabrina Fidalgo

Esta diretora e roteirista carioca está conquistando o mundo. Em 2018 ela foi indicada pela publicação Bustle como uma das cineastas mais promissoras ao redor do mundo. Seus filmes já foram exibidos em mais de 300 festivais pelo planeta e focam em protagonistas negras. Seu curta Rainha conta a história de uma jovem que sonha em ser rainha de bateria da escola de samba de sua comunidade. Obras de destaque: Rainha e Alfazema.

4. Barry Jenkins

O cineasta ficou conhecido no mundo inteiro quando Moonlight: Sob a Luz do Luar ganhou o Oscar de Melhor Filme, após a famosa confusão que havia premiado La La Land minutos antes. Suas produções são carregadas de sensibilidade para mostrar os desafios que negros enfrentam, expondo um sistema que decididamente não considera todas as pessoas iguais. Obras de destaque: Remédio para Melancolia, Moonlight: Sob a Luz do Luar e Se a Rua Beale Falasse.

5. Dee Rees

Esta cineasta polivalente foi a primeira mulher negra a ser indicada ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo longa Mudboung: Lágrimas sobre o Mississippi, que também recebeu indicações nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Mary J. Blidge), Melhor Fotografia e Melhor Canção Original. A diretora chamou a atenção da comunidade cinematográfica em 2011, quando seu primeiro longa Pariah estreou no Festival de Sundance. A história é sobre uma menina negra que adota diferentes personalidades para se sentir aceita entre os colegas. Obras de destaque: Pariah, Bessie e Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi.

6. Ryan Coogler

As infâncias e juventudes difíceis dos jovens negros são temas recorrentes nas produções de Ryan Coogler, que envolvem personagens que passaram por sistemas de detenção antes de chegarem à fase adulta. Coogler tem certa bagagem nisso, já que ele chegou a trabalhar como segurança e atuou por um tempo em uma instituição de detenção juvenil. Nascido em 1986, ele se tornou o diretor mais jovem a assumir um filme do Universo Marvel, com Pantera Negra, que foi indicado a sete Oscars, incluindo o de Melhor Filme. Obras de destaque: Fruitvale Station: A Última Parada, Creed: Nascido para Lutar e Pantera Negra.

7. Renata Martins

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada em Linguagens da Arte pela USP, Renata Martins é uma diretora e roteirista da série Pedro & Bianca, que foi premiada com um Emmy Internacional Kids Awards em 2013. Em parceria com Joyce Prado, ela criou a série Empoderadas, com foco na diversidade e na criatividade de mulheres negras. Renata também compôs a equipe de roteiristas de Malhação – Viva a Diferença e coordenou o primeiro Encontro de Mulheres Negras do Audiovisual. Obra de destaque: Empoderadas.

8. Kasi Lemmons

Kasi Lemmons é mais conhecida como atriz, mas a cineasta já conta com 10 títulos dirigidos por ela desde 1997. Algumas séries da Netflix levam sua assinatura na direção de alguns episódios, como é o caso de Luke Cage e A Vida e a História de Madam C. J. Walker, estrelada por Octavia Spencer. Obras de destaque: Amores Divididos, Fale Comigo e Harriet.

9. Jordan Peele

Peele é um dos principais nomes da atualidade quando o assunto é Filme de Terror Negro. Apesar da experiência na comédia, foi no terror que ele conquistou a indústria e o público, com suspenses inteligentes estrelados por atores negros, reviravoltas de tirar o fôlego e críticas sociais bem direcionadas ao estilo de vida americano e ao racismo institucionalizado. Em 2018 ele se tornou o primeiro roteirista negro a ganhar o Oscar de Melhor Roteiro Original por Corra!. Obras de destaque: Corra! e Nós.

10. Yasmin Thayná

Além de trabalhar como cineasta e roteirista, esta brasileira lançou em 2016 a plataforma digital colaborativa Afroflix, que veicula conteúdos assinados e produzidos por pessoas negras. Seu curta Kbela conta como é ser mulher no Brasil e se entender enquanto negra. A produção foi exibida em Nova York e no Cabo Verde e ela recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem da Diáspora Africana da Academia Africana de Cinema. Obra de destaque: Kbela.

11. Nia DaCosta

Nascida no Brooklyn e criada no Harlem, Nia DaCosta é uma roteirista e diretora de apenas 30 anos que já está conquistando seu espaço na indústria cinematográfica. Ela ficou conhecida em 2018 após o lançamento de seu primeiro longa, Little Woods, um faroeste moderno sobre duas irmãs que precisam burlar a lei para se virar. Ela está na equipe de roteiristas e assina a direção de A Lenda de Candyman, previsto para estrear ainda este ano. Obras de destaque: Little Woods  e A Lenda de Candyman.

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12. Lee Daniels

Lee Daniels não teve uma juventude fácil: filho de policial, ele passou a sofrer com a violência dentro de casa porque seu pai não aceitava a sexualidade de Lee. Ainda aos 20 e poucos anos ele trabalhou com Prince no filme Purple Rain e o primeiro trabalho de sua produtora foi o filme A Última Ceia, que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Halle Berry. Seu principal reconhecimento como diretor veio com o brutal e sensível filme Preciosa: Uma História de Esperança, sobre uma jovem negra, pobre e obesa, criada em um lar violento e destrutivo. Obras de destaque: Preciosa: Uma História de Esperança e O Mordomo da Casa Branca.

LEIA TAMBÉM: A REPRESENTATIVIDADE NA LITERATURA

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