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12 Produções atuais para entender racismo estrutural

Filmes, séries e documentários mostram a profundidade com o qual o racismo está enraizado na sociedade.

O racismo estrutural significa a formalização de um conjunto de práticas institucionais, históricas, culturais e interpessoais que privilegiem um grupo social ou étnico em detrimento de outro. A tal “formalização” nem sempre se dá por meio de leis, mas ela está tão enraizada no inconsciente das pessoas que muitas daquelas que são privilegiadas por este sistema nem sempre se dão conta de que este racismo existe – e é justamente isso o que o torna tão forte e perigoso.

Na indústria cinematográfica, em especial Hollywood, isso sempre foi muito frequente. Minorias étnicas como negros, asiáticos e latinos frequentemente (e até os dias de hoje) são representados por meio de estereótipos e na maioria dos casos em papéis secundários. Um exemplo é o caso do “Negro Mágico”, termo cunhado pelo cineasta Spike Lee para definir os papéis interpretados por negros em que as personagens possuem algum poder místico, mas que só serve para melhorar a jornada do protagonista branco.

LEIA TAMBÉM: CONHEÇA O CONCEITO DE ‘NEGRO MÁGICO’ NOS FILMES DE HOLLYWOOD

Este problema da representação da negritude ocorre com bastante recorrência, principalmente pelo fato de que a maioria de cineastas, produtores, diretores e showrunners em geral é formada por homens brancos e héteros. Inevitavelmente, esta falta de diversidade acaba imprimindo este tipo de ponto de vista nas produções.

Felizmente, a cada ano que passa a diversidade é mais discutida e cobrada em Hollywood. Movimentos como o Oscar so White e questionamentos de whitewashing (quando um ator branco interpreta um personagem de alguma minoria) escancaram a necessidade de dar voz a mais profissionais de minorias étnicas, sejam eles roteiristas, produtores, diretores, atores, entre outros. 

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O resultado está em fervilhantes produções audiovisuais, incluindo filmes, séries e documentários, que abordam de forma objetiva o racismo estrutural, principalmente do ponto de vista das pessoas negras. Separamos algumas delas a seguir:

1. A 13ª Emenda (2016)

Aproximadamente 25% das pessoas encarceradas em todo o mundo estão detidas nos Estados Unidos, apesar de o país ter apenas 5% da população mundial. Neste documentário de Ava DuVernay, a cineasta aborda o crescimento expressivo da população carcerária por lá: de 1970 até os dias atuais o número saltou de 200 mil para 2 milhões.

A 13ª emenda, à qual o título se refere, trata-se de uma legislação que determina a proibição de escravidão nos EUA, a não ser quando estamos falando de criminosos. Por meio de depoimentos e registros históricos, o documentário mostra como esta brecha culminou no mito da “criminalidade negra”, levando a um número consideravelmente maior de negros encarcerados do que de brancos ao longo das últimas décadas.

2. Corra! (2017)

Chris é um jovem negro que convidado pela namorada Rose, uma jovem branca, a passar um fim de semana na casa dos pais dela com toda a família. A princípio tudo vai bem, mesmo com uma tentativa meio exagerada de hospitalidade com ele, forçando um pouco a barra de que eles aceitam o relacionamento interracial da filha.

Porém, o comportamento de empregados negros e umas visitas estranhas de amigos dos sogros acendem um sinal de alerta em Chris, de que aquelas pessoas tão acolhedoras podem ser uma verdadeira ameaça. O longa de Jordan Peele utiliza o suspense para expor o racismo disfarçado em quem menos esperamos.

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3. Cara gente branca (2017 – em andamento)

Com bom humor é umas boas cutucadas de realidade, esta série da Netflix se passa em um colégio particular, com maioria branca entre os estudantes. No entanto, um grupo de alunos negros se empenha em denunciar várias situações corriqueiras que envolvem racismo – e que os jovens brancos geralmente não se dão conta.

A série já conta com três temporadas e a quarta está prevista para 2021.

4. Selma (2014)

Baseado em fatos históricos, este longa de Ava DuVernay narra os tumultuosos três meses em 1965 quando o reverendo e ativista Dr. Martin Luther King Jr. liderou uma expressiva campanha para garantir igualdade do direito ao voto entre negros e brancos, enfrentando uma violenta repressão. 

E épica marcha de Selma a Montgomery resultou na assinatura dos Direitos a Votos, uma das vitórias mais significativas no movimento dos Direitos Civis. Porém, o caminho até esta mudança histórica colocou muitas vidas negras em risco.

5. Pequenos incêndios por toda parte (2020)

A minissérie é uma adaptação do romance de Celeste Ng. A história se passa em um regrado subúrbio, para onde Mia, uma mãe solteira negra, se muda com sua filha Pearl. Não demora muito para que ela estranhe a hospitalidade forçada de sua vizinha e locadora da casa onde mora.

A minssérie ambientada na década de 1990 denuncia a condescendência com que brancos de classe alta tratam pessoas de outras classes sociais e minorias étnicas, sejam elas negras ou asiáticas. 

6. Se a Rua Beale Falasse (2018)

O que deveria ser o momento mais especial na vida de um casal negro, que iria começar a sua família na casa nova no Harlem, é interrompido pela falsa acusação de um crime. Tish e Fonny começaram a namorar na adolescência e veem seus sonhos roubados quando ele é acusado e preso por um crime de estupro que ele não cometeu.

Além de lidar com a gestação, Tish busca apoio em familiares e nos vizinhos do Harlem para trazer justiça para Fonny e tirá-lo da cadeia. Porém, logo se percebe que nestes casos a justiça não é cega, ela só não quer enxergar a verdade quando um policial branco com motivações racistas faz de tudo para deixar o jovem atrás das grades

7. Olhos que Condenam (2019)

Em 1989, uma corredora foi atacada e estuprada no Central Park em Nova York e cinco jovens negros foram incriminados pelo ocorrido. O quinteto ficou conhecido como “os cinco do Central Park”, e, além de defender sua inocência, precisaram passar anos tentando provar isso.

Esta minissérie biográfica cobre um período de mais de 20 anos, desde que os jovens foram interrogados até sua absolvição em 2002 e, finalmente, ao acordo com a cidade de Nova York em 2014. A produção de quatro episódios está disponível na Netflix.

8. Moonlight (2016)

Vencedor do Oscar® de Melhor Filme em 2017, este longa de Barry Jenkins narra com sensibilidade e detalhes crus a jornada de amadurecimento de Chiron, um jovem negro e homossexual. Por meio de três momentos cruciais em sua vida – infância, adolescência e início da fase adulta – o longa mostra os desafios do jovem em crescer no meio da pobreza, com uma mãe viciada em crack e a influência de um vizinho traficante chamado Juan.

Tímido e introvertido, principalmente por sua baixa estatura, o garoto lidou desde cedo com o bullying sem compreender por que tanto ódio era direcionado a ele. Neste contexto, a amizade com Juan e sua namorada Teresa se mostra crucial para o desenvolvimento de Chiron. 

9. Watchmen (2019)

Ambientada no universo dos super-heróis controversos criados por Alan Moore, a minissérie da HBO se passa alguns anos após os eventos da HQ, mas é influenciada por acontecimentos de décadas atrás.

Neste contexto, os vigilantes são tratados como foras da lei e a detetive Angela Abar investiga o ressurgimento de um grupo supremacista branco terrorista inspirado no personagem Rorschach. Só que em sua investigação ela descobre aspectos indesejáveis e traumáticos da própria história e de como seus familiares foram tratados no passado por serem negros.

10. Loving: Uma História de Amor (2016)

Se hoje ainda se luta pela união de pessoas do mesmo sexo, não muito tempo atrás o casamento entre negros e brancos era proibido por lei em alguns lugares dos Estados Unidos. Loving narra a história de um casal em que ele é branco e ela negra: Richard e Mildred.

Quando Mildred fica grávida, eles decidem se casar, porém, na Virgínia, estado onde eles moravam, isso era considerado crime nos anos 1950, quando se passa a história. Eles viajam até a capital Washington para que o casamento seja possível. Porém, a vida de casados deles é ameaçada pois, mesmo com a união ocorrendo fora do estado, eles não poderiam levar uma vida conjugal aos olhos dos vizinhos e das autoridades.

11. Eu não sou seu negro (2016)

Este documentário de Raoul Peck se baseia na obra do escritor James Baldwin, autor de Se a Rua Beale Falasse. Em 1979 ele escreveu uma carta para seu agente literário descrevendo seu próximo projeto: “Lembre-se desta casa”. O livro seria uma obra revolucionária, com a visão pessoal de Baldwin sobre o assassinato de três de seus amigos próximos: Medgar Evers, Malcom X e Martin Luther King Jr..

Porém, até o ano de sua morte, em 1987, o autor deixou apenas 30 páginas prontas de seu manuscrito. Raoul Peck colocou no documentário sua visão do trabalho que  James Baldwin nunca teve a oportunidade de concluir.

12. O ódio que você semeia (2018)

Starr Carter é uma adolescente negra que se vê dividida entre dois mundos: um predominantemente pobre, da vizinhança negra onde vive, e um rico, predominantemente branco da escola que ela frequenta.

Porém, o equilíbrio entre estas duas realidades é abalada quando ela testemunha seu melhor amigo de infância, Khalil, um garoto negro, ser assassinado por um policial. Pressionada pelas duas comunidades frequentadas por ela, Starr precisa defender o que é certo.

LEIA TAMBÉM: 12 DIRETORES DE CINEMA QUE DÃO UMA AULA SOBRE REPRESENTATIVIDADE NEGRA

2 Comentários

  • Manoel

    20 de novembro de 2020 às 12:19

    Ótimas sugestões, parabéns

  • Sara Leal

    20 de novembro de 2020 às 13:35

    Ótimas indicações! Além de, mais que, necessárias!

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