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A família real britânica pode ser considerada um culto?

Insinuação partiu do príncipe Harry em seu livro de memórias

16/11/2023

Você provavelmente sabe mais sobre a família real britânica do que faria sentido para uma pessoa que vive no Brasil, sem qualquer tipo de domínio institucional dos monarcas do Reino Unido. Talvez só algum domínio midiático, de quem se lembra da trágica morte da Lady Di, dos casamentos dos príncipes William e Harry e mais recentemente pelo afastamento de Harry da família. E, claro, de quem não perde um episódio da série The Crown da Netflix, que mistura ficção e realidade em torno dos Windsor.

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Seria Betinha a líder do nosso culto de fascínio pela família real britânica? Ou, pior, o rei Charles? Na verdade, a hipótese de que a monarquia britânica pudesse funcionar tal qual um culto partiu de alguém que sabe como as coisas funcionam do lado de dentro: o próprio príncipe Harry falou disso no seu livro de memórias, O que Sobra.

A afirmação despertou um alerta para a escritora Rebecca Woodward, que é sobrevivente de um culto e escreveu sua análise no site Electric Lit. A partir da afirmação, ela começou a traçar alguns paralelos entre o relato do príncipe e da sua própria experiência:

1. Regras rígidas e falta de individualidade

Muito antes de Harry e Meghan terem se separado da família real, Rebecca percebeu essas semelhanças: “Quando assistia à cobertura televisiva dos Windsors com a minha mãe, a rotina exaustiva e as regras rígidas da vida real começaram a me lembrar da vida na nossa religião: roupas modestas eram obrigatórias, personalidades eram sufocadas para sustentar uma imagem institucional e servir à instituição é a principal prioridade o tempo todo”.

dress code família real
Getty Images/Reprodução

Outras similaridades apontadas por ela são a aversão a pelos faciais e a proibição de reclamar em público. Através da cobertura televisiva, Rebecca percebeu que a princesa Diana estava irritada com as mesmas restrições que ela e sua mãe precisavam obedecer naquela época.

Uma visão diferente de quem está dentro do culto

Em seu livro, Harry diz que “as pessoas de fora nos chamavam de culto”, mas com certa dificuldade em fazer tal afirmação. Rebecca disse que ela própria demorou até usar essa palavra, principalmente porque a definição de “culto” pode ser muito ampla e abranger a maioria dos grupos de pessoas que se alinham em torno de um sistema de crenças.

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Porém, segundo ela própria, os cultos mais perigosos apresentam algumas características em comum: são governados de maneira autoritária, acreditam que a liderança está sempre certa e que essa é a única fonte de verdade. Os seguidores são ensinados de que eles nunca são bons o bastante. Críticas ou questionamentos são proibidos. 

A verdade absoluta mora no culto

Assim como em boa parte dos cultos religiosos, a existência da monarquia se sustenta na “vontade divina”. Relembrando as aulas de história, reis e rainhas supostamente seriam escolhidos por Deus para terem o poder que têm (ou tinham).

Rei Charles
Getty Images/Reprodução

A doutrinação é um ponto em comum apontado por Rebecca: “Simplesmente nos referíamos às nossas crenças como ‘a verdade’, como se a nossa interpretação da Bíblia estivesse acima de qualquer questionamento. Conforme eu cresci, nem me referia ao nosso modo de vida como uma religião, uma vez que religiões podem ser falsas, e eu tinha sido ensinada que aquilo que eu acreditava era um fato incontestável, para o bem ou para o mal”.

Uma recompensa maior

Muitos cultos mantêm seus fiéis engajados, apesar de qualquer sofrimento, com a promessa de um bem maior, de alguma redenção futura que valerá a pena por todos os seus sacrifícios. “Cultos da morte” muitas vezes envolvem sacrifícios coletivos, como ocorreu no caso do massacre em Jonestown. E o príncipe Harry não se poupou de fazer uma comparação nesse sentido.

Ele mencionou que seu avô, o duque de Edimburgo, costumava ser atormentado pela imprensa há muitos anos, e por muito tempo. Porém, ao fim da sua vida, foi tratado como uma espécie de tesouro nacional. “É isso, então? Espere até que a gente morra que seremos promovidos?”, questiona. No livro, ele cita que o seu próprio pai dizia que era necessário resistir para ser respeitado no futuro.

rainha elizabeth e principe philip
The Collector/Reprodução

O adiamento da recompensa é uma ferramenta essencial para manter adultos até então independentes em um sistema de controle, e Rebecca menciona que ela também conviveu com essas promessas. No caso dela, seria necessário sacrificar os próprios desejos para ganhar um “passe livre” no Juízo Final. “Era melhor morrer com fé e ser ressuscitado no paraíso do que procurar a felicidade agora e perder essa esperança gloriosa.”

Dificuldade de se libertar

Cultos acreditam que não existe um motivo legítimo para deixar o grupo e que ex-seguidores estão sempre errados em sair. Em seu livro, Harry menciona a incredulidade de seu irmão William quando ele comunicou que estava se separando da família real, como se desconhecesse por completo a dor à qual o caçula estava sendo submetido.

Tal qual sair de um culto, Harry e Meghan foram punidos pela exclusão social e familiar. No caso de Rebecca, era possível sair do culto de três maneiras: 

1. Contra a sua vontade, ao ser banido;

2. Por sua própria vontade e sendo, então, banido;

3. Ou postergar a decisão pelo máximo de tempo possível e “desaparecer” gradualmente, na esperança de que ninguém do culto perceba.

harry e meghan

Para ela — e aparentemente para Harry — a pandemia tornou a terceira opção inviável. Quando os pais pediram que ela participasse das reuniões por videochamada, Rebecca não tinha mais como esconder seu descontentamento com a fé — ou o fato de que estava morando com seu namorado não praticante. “De certa maneira, o lockdown foi a época perfeita para ser banida — não havia festas para eu ser desconvidada e ninguém estava saindo sem mim.” Coincidentemente, isso ocorreu enquanto ela acompanhava a mudança de Harry e Meghan para a Califórnia e via seus “amigos” deixando de segui-la no Instagram.

No começo, tudo foi apenas um grande alívio: ela não precisava fingir interesse nas escrituras quando seus pais ligassem (porque eles não estavam ligando) e pela primeira vez ela publicou uma foto do namorado nas redes sociais. “Foi apenas quando a vida voltou ao normal que eu senti que tinha perdido muito mais”, assinala ao mencionar que as pessoas do culto fingiam não vê-la quando passam por ela na rua. “Eu tinha sido treinada para tratar os desertores como se eles estivessem mortos, mas essa era a minha primeira vez como um fantasma”, compara.

Em entrevistas, o príncipe diz que gostaria de se reconciliar com a sua família, que seus problemas são com a imprensa e a “instituição” da família real, mas para Rebecca, baseada na própria experiência, é impossível separar a família do sistema que a governa. “A minha família e a religião dela são tão interligadas que se tornaram uma coisa só. Deixar uma significa deixar a outra.”

Desmistificando a linguagem dos cultos

Cultos podem se manifestar onde menos se espera: na religião, na academia, num esquema de marketing multinível, na yoga e, pelo visto, até mesmo na família real. No livro Cultos: A Linguagem Secreta do Fanatismo, Amanda Montell cita alguns exemplos e analisa essas organizações sob o ponto de vista do controle através da linguagem. Uma leitura divertida e ao mesmo tempo perturbadora sobre os grupos sociais que nos cercam. A família real britânica não é um dos exemplos do livro, mas tudo indica que poderia ser.

cultos

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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