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Alice e Dorothy: Heroínas que simbolizam o amadurecimento feminino

Personagens de clássicos da literatura se mantêm atemporais para meninas de todo o mundo.

Crescer não é uma tarefa fácil. Deixar a pureza e a despreocupação da infância para assumir as responsabilidades da vida adulta é uma transição que marca todo mundo. Não é um momento mágico e não há um ritual de passagem muito bem definido no mundo real. Ainda assim, a literatura tem buscado explicar de forma lúdica esta transição tão marcante. Dois exemplos são as obras atemporais Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz, ambas publicadas pela DarkSide® Books.

LEIA TAMBÉM: DOROTHY ESTÁ EM CASA: O MÁGICO DE OZ AGORA É DARKSIDE®

A maioria das pessoas conhece estas histórias e suas respectivas protagonistas: Alice e Dorothy. Porém, nem todo mundo se dá conta de que as jornadas das personagens são muito semelhantes e muito menos que elas podem ser encaradas como alegorias do que as crianças passam. Não é à toa que estas histórias seculares se mantenham relevantes na atualidade.

De forma geral, estamos falando de duas heroínas ainda crianças que são levadas a uma outra realidade: um mundo fantástico. Tanto Alice como Dorothy precisam enfrentar desafios para poderem retornar ao lar. Mas há muito mais em jogo na jornada destas personagens.

As viagens de Alice e Dorothy a terras fantásticas têm uma relação profunda com a natureza escapista destas personagens. Apesar de tão jovens, ambas querem fugir da realidade em que se encontram. Alice quer escapar da rigidez da sociedade vitoriana, enquanto Dorothy quer fugir da pobreza e do trabalho duro do interior do Kansas. As terras fabulosas para onde elas viajam podem ser tudo o que sempre sonharam. Ou não.

Créditos: Helen Green

Criança-sonho e a idealização da infância pelos adultos

O termo foi criado pelo próprio Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas: criança-sonho é a personificação de como os adultos percebem a infância. Só que esta concepção é baseada na idealização desta fase: uma etapa de fantasias e de explorar o desconhecido. 

É importante destacar que tanto Alice como Dorothy são heroínas escritas por homens, que obviamente não possuem uma profunda compreensão da natureza feminina. Porém, isso não se torna um problema ao entendermos que elas não representam retratos realistas de jovens garotas, e sim uma representação simbólica da inocência e da fantasia presentes na infância. A criança-sonho independe de gênero.

Alice: A primeira criança-sonho da literatura

Alice foi a primeira criança-sonho que existiu neste conceito: ela é uma combinação entre uma menina que o autor conheceu e a tentativa de Carroll de imortalizar as características da infância. Foi ele quem cunhou o termo no poema de abertura de Alice no País das Maravilhas.

LEIA TAMBÉM: COMO ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS INFLUENCIOU A CULTURA POP

A heroína foi pioneira no mundo de protagonistas femininas na literatura de fantasia de ficção infantojuvenil. Ela era uma garota jovem descobrindo seu lugar no mundo, com uma jornada cujo objetivo não era um casamento. Comparada às protagonistas de hoje, alguns podem até dizer que ela não é muito forte, mas para a Era Vitoriana ela era uma desbravadora admirada. Sozinha, em um mundo estranho e sem a proteção de algum companheiro homem, ela conseguiu voltar em segurança para casa.

Uma característica muito comum nas crianças-sonho é uma inesperada maturidade adulta, principalmente quando as demais personagens parecem ser mais imaturas em comparação. No País das Maravilhas, Alice parece ser a única personagem realmente sã, apesar de seus 7 anos de idade.

Um fato muito peculiar da protagonista, e que depois se repetiu em outras personagens encaixadas neste arquétipo, é que, quando ela se encontra em um mundo completamente diferente do que ela conhece, sua primeira reação não é a de querer sair dali o mais rápido possível. Muito pelo contrário, com empolgação e curiosidade, ela se mostra feliz em explorar cada situação estranha que encontra pelo caminho. Ela sabe que em algum momento terá que voltar para casa, mas esta não é sua prioridade.

LEIA TAMBÉM: ALICE, O COELHO BRANCO E A LITERATURA MÁGICA DE LEWIS CARROLL EM TRÊS EDIÇÕES, NA DARKSIDE BOOKS

Dorothy e a evolução da criança-sonho

Créditos: MGM

Apenas 35 anos após o lançamento de Alice no País das Maravilhas, L. Frank Baum apresentou sua heroína que, embora relembre fortemente a protagonista de Carroll, mostra uma evolução do arquétipo e uma atitude mais proativa. Enquanto Alice foi uma inspiração de uma menina que existia de verdade, Dorothy foi batizada em homenagem à filha natimorta da cunhada do autor e uma idealização da criança que a sobrinha de Baum se tornaria.

Diferentemente de Carroll, a narrativa e o próprio mundo de Oz são melhor estruturados do que as loucuras do País das Maravilhas. Oz é organizado em quadrantes, cuidados por quadro bruxas, as boas, do norte e do sul, e as más, do leste e do oeste. Além disso, até mesmo a jornada de Dorothy pelo mundo desconhecido é bem estruturada ao conhecer seus colegas de formas bem semelhantes e de certa forma previsíveis.

Mesmo querendo se desprender do que considerava “a loucura de Carroll”, Baum se inspirou nas características da heroína do País das Maravilhas. O autor de O Mágico de Oz admirava a habilidade de Alice em se deslumbrar e em se manter interessada em um mundo estranho que poderia lhe ser bem ameaçador. Este mesmo otimismo é observado em Dorothy.

Mas a heroína de Baum consegue ir além da Alice de Carroll no que diz respeito à sua liderança e proatividade. Muitos estudiosos até consideram O Mágico de Oz o primeiro livro feminista para crianças escrito nos Estados Unidos. Dorothy é uma garota capaz de atravessar em segurança uma terra desconhecida por seus próprios meios. Ela assume controle sobre o seu caminho. Diferentemente da delicada Alice, ela não simplesmente espera que as coisas aconteçam a ela. Apesar de se apresentar ao Mágico como “pequena e tímida”, a heroína já era conhecida por Oz como a assassina da Bruxa Má do Leste.

Porém, é importante destacar que Dorothy também não realiza nada completamente sozinha e recebe bastante ajuda ao longo do livro. Ela conta com a proteção da Bruxa Boa do Norte e com a companhia de seus amigos Espantalho, Homem de Lata e Leão. 

Cada uma das características que faltam aos três companheiros da garota são atributos que a própria Dorothy possui: cérebro (inteligência), coração (bondade) e coragem. Ironicamente, apesar de ser a criança do grupo, ela é a personagem mais completa e mais madura do grupo.

Apesar de sua natureza amável, a protagonista acaba a história sendo responsável pela morte de duas bruxas. Conforme diz o artigo do autor Jerry Griswold There’s no Place Like Home: The Wizard of Oz, Dorothy comete um matricídio simbólico com isso. A morte das bruxas seria uma metáfora para matar ao lado de sua Tia Em que ela não gosta: o da senhora que força uma jovem a trabalhar em vez de brincar.

De forma geral, Alice e Dororhy são personagens femininas importantes que não apenas marcaram suas épocas, mas que nortearam a fórmula para livros infantojuvenis até os dias de hoje. Se atualmente podemos contar com fortes personagens de garotas inteligentes e líderes natas, de Hermione Granger a Katniss Everdeen, é graças a estas corajosas heroínas que exploraram as terras do País das Maravilhas e de Oz e cresceram ao fazer isso. A vida adulta pode não ser tão fantástica quanto estes lugares, mas certamente é um desafio cheio de bizarrices pelo qual todos nós temos que passar em algum momento.

LEIA TAMBÉM: CONFIRA ENSAIO INSPIRADO EM ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

3 Comentários

  • Claudio Augusto

    24 de outubro de 2020 às 19:03

    Vou comprar o Livro O magico de Oz quando eu pude

  • Nathalia

    2 de novembro de 2020 às 23:34

    Olá! Gostaria de saber se o livro “The Hidden Palace: a tale of the Golem and the Jinni”, da autora Helene Wecker, será lançado pela Darkside. Agradeço desde já pela atenção!

    • DarkSide

      3 de novembro de 2020 às 10:31

      Caveirinha passando por aqui para responder que ainda não há previsão dessa publicação.

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