Dark

BLOG

O UNIVERSO DARK DE FÃ PARA FÃ

CuriosidadesFábulas Dark

Amigos de Dorothy: Como O Mágico de Oz está relacionado ao público LGBTQ+

Personagem de L. Frank Baum virou código na época em que homossexualidade era crime.

No início da década de 1980, o Serviço de Investigação Naval estava apurando casos de homossexualidade entre militares na região de Chicago. Os agentes descobriram que homens gays às vezes referiam-se uns aos outros como “amigos de Dorothy”. O Serviço acreditava que existia uma mulher chamada Dorothy no centro de um extenso círculo de militares homossexuais e encabeçaram uma busca por ela, para descobrir os nomes dos membros da marinha que eram gays.

O que eles não sabiam é que a Dorothy em questão era uma garotinha do Kansas que havia viajado em um tornado à distante terra de Oz. Sim, a Dorothy de O Mágico de Oz era a tal da amiga dos militares homossexuais. Mas afinal, como a personagem de L. Frank Baum virou uma expressão para identificar estas pessoas?

LEIA TAMBÉM: DOROTHY ESTÁ EM CASA: O MÁGICO DE OZ AGORA É DARKSIDE®

As referências LGBTQ+ nas histórias de Oz

A origem precisa do termo é desconhecida, mas ela existe pelo menos desde o período da Segunda Guerra Mundial, quando a homossexualidade era considerada crime nos Estados Unidos. Sem que a grande população soubesse, a comunidade LGBTQ+ utilizava esta gíria para identificar a orientação sexual de homens gays de forma segura.

Uma das teorias para a origem do termo vem de A Estrada para Oz, uma das sequências do primeiro livro de Oz. Na obra, o leitor é apresentado a Polychrome, uma fada que, ao conhecer Dorothy diz que ela tem alguns amigos queer (no sentido de “excêntricos”), ao que a garota responde: “não importa se são queer, desde que sejam amigos”. 

O livro ainda possui diversas referências LGBTQ+ em seus personagens e na forma com que eles se relacionam. Uma passagem faz um possível menção à bissexualidade: quando Dorothy está em uma bifurcação da estrada de tijolos amarelos, ela pergunta ao Espantalho por qual caminho deveria seguir, e ele responde: “há pessoas que escolhem os dois caminhos”. Não se sabe se estas referências são propositais, mas elas se encaixam muito bem no contexto. Além disso, a princesa Ozma é uma das primeiras personagens transgênero na literatura.

LEIA TAMBÉM: 7 FILMES E PEÇAS INSPIRADOS EM O MÁGICO DE OZ

Judy Garland era um ícone LGBTQ+

Outra interpretação da origem do termo diz respeito ao filme de O Mágico de Oz de 1939. No longa, a protagonista Dorothy é interpretada por uma ainda jovem Judy Garland. A personagem se mostra aberta a conhecer qualquer personagem diferente dela, mostrando-se como uma figura acolhedora para aqueles que viviam à margem.

Depois da criação da bandeira arco-íris LGBTQ+ a música “Somewhere over the rainbow”, interpretada pela atriz no filme, ganhou um significado ainda mais importante entre a comunidade. 

Além das referências diretas ao filme de O Mágico de Oz, Judy Garland era uma figura com quem a população LGBTQ+ criou uma forte empatia. Todos os problemas pessoais da vida dela eram amplamente explorados pela mídia, tornando-a um arquétipo da diva trágica graças aos seus problemas com álcool, divórcios e drogas. 

Acredita-se que os problemas da atriz tenham relação com estresse pós-traumático, um transtorno bem conhecido entre pessoas LGBTQ+. Apesar disso, Garland se manteve persistente em sua carreira, tornando-se um exemplo para seus fãs. Mesmo com tantas adversidades e sua vida, a diva se transformava quando subia aos palcos, quase como se ela “saísse do armário” e assumisse sua verdadeira personalidade sob os holofotes.

Entre os fãs da atriz, predominavam homens gays mais velhos. Além deles, Judy teve vários homens importantes na sua vida que também eram homossexuais ou bissexuais, incluindo seu pai, dois de seus maridos e seu genro. A diva ainda gostava de frequentar bares gays com seus amigos desde o início da carreira.

Em tempos em que assumir a sua sexualidade era considerado um crime, Oz se mostrou um lugar seguro para abrigar todas as pessoas. Até os dias de hoje, Dorothy permanece uma forte influência e uma verdadeira amiga da comunidade LGBTQ+.

LEIA TAMBÉM: 6 MÚSICAS E VIDEOCLIPES INSPIRADOS EM O MÁGICO DE OZ

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

1 Comentário

  • ersiro

    20 de novembro de 2020 às 15:42

    Ótimo artigo! Não sabia das histórias e referências LGBT+ por trás do universo de Oz. Grato por disponibilizar este conteúdo!

Deixe o seu comentário!


Obrigado por comentar! Seu comentário aguarda moderação.

Indicados para você!

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Vários

A resistência de Preto Velho ainda é necessária para combater a escravidão moderna

No dia 13 de maio, como forma de honra a um legado, todos os pretos-velhos são...

Por DarkSide
Lançamento

O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett, chega à Darkside®

As histórias mais mágicas são capazes de atravessar as barreiras do tempo e encantar...

Por DarkSide
Lançamento

Conheça “Para Sempre vou te Amar”, de Catherine Ryan Hyde

Catherine Ryan Hyde é uma autora como poucas. Suas histórias, que já emocionaram...

Por DarkSide
Listas

Crianças Malvadas: 3 livros sobre infâncias diabólicas

“O homem nasce essencialmente bom, mas a sociedade o corrompe”. Esta ideia se...

Por DarkSide
Séries

Stranger Things ganha novo trailer

A Netflix liberou o novo trailer da 4ª temporada de Stranger Things e, apesar de ter...

Por DarkSide