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Angela Russo-Otstot e Jessica Goldberg: As mulheres por trás de Cherry

Dupla de roteiristas comenta adaptação da obra de Nico Walker para as telonas.

Cherry: Inocência Perdida é um filme que chegará ao público pelas mãos de duplas talentosas. Além dos Irmãos Russo, que já trabalharam em algumas produções do Universo Cinematográfico da Marvel, o longa conta com uma dupla de jovens, porém experientes roteiristas: Jessica Goldberg e Angela Russo-Otstot, irmã caçula dos diretores.

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Uma das prioridades das escritoras era que a trama realmente partisse do romance semibiográfico de Nico Walker. Ao site Final Draft, Angela declarou: “O roteiro definitivamente precisava partir do livro – no fim das contas, ele espelha o livro, mas é diferente”. Ela explica que há duas partes neste processo: “Primeiro tivemos que nos afastar do livro para encontrar uma estrutura que funcionasse dentro do contexto do filme e da narrativa. Precisávamos identificar uma história de amor forte para servir como uma espécie de espinha dorsal para o protagonista”. 

Jessica acrescenta que, assim que esta estrutura da história de amor foi solidificada, as roteiristas puderam se concentrar nas personalidades dos personagens, suas essências e como seus traumas afetam uns aos outros. “Daí voltamos ao livro para extrair detalhes diferentes e permitir que as coisas ressoassem… pudemos iluminar as perspectivas do personagem”. 

Então, retornaram ao roteiro para garantir que ele continuasse refletindo seus personagens, explica Angela. “Queríamos despertar empatia através do personagem – estas experiências difíceis que Cherry está enfrentando requerem compaixão dos outros, mesmo que talvez não tenham experiência com tais perspectivas”.

Uma das preocupações das roteiristas também era encontrar a espinha dorsal do filme e sobre o que ele realmente fala. Angela destacou um cuidado especial ao falar sobre a questão do vício, já que muitas pessoas já tiveram contato com isso de alguma forma. “Queríamos falar de temas inerentes ao vício e encontrar uma ótica que nos permitisse discutir tudo – principalmente as ideias principais do livro; decidimos que a ótica seria a história de amor”.

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A relação próxima com Cleveland

A história de Cherry tem aspectos bem familiares para os Russo – e nem é pelo fato de eles trabalharem entre irmãos. A trama se passa em Cleveland, de onde a família de cineastas veio. “Apesar de não termos vivido a maioria das experiências dos personagens, o mundo em que ele [Cherry] vive e as pessoas com quem ele interage soam intimamente familiares”, explica Angela.

Ela fez questão que sua colega de roteiro também conhecesse melhor o local, para ter uma noção de como é a cidade. As duas estavam trabalhando juntas em outro projeto quando foram contratadas para Cherry e Angela levou Jessica para conhecer Cleveland

“Andamos pelos locais mencionados no livro – o sentimento no filme é realmente apresentar a cidade como ela é. Trata-se de um local destruído por uma crise de opioides e financeira, assim como muitas cidades nos Estados Unidos”, contou Jessica.

Influências da TV e do teatro

Cherry é o primeiro longa em que Angela trabalha como roteirista. Ela e Jessica possuem mais experiência nos bastidores de séries de TV e até alguns telefilmes. Angela já trabalhou como atriz em papéis menores e foi roteirista de séries como V e The Shield. Jessica tem em seu currículo séries como Parenthood e Away, da Netflix.

A forma como o roteiro de Cherry foi escrito lembrou e muito os processos comuns em TV e teatro. Jessica explica que a equipe se reunia em uma sala e os Irmãos Russo liam o filme em voz alta, mais ou menos como acontece no teatro. Assim como as roteiristas, os diretores Anthony e Joe também trabalharam por muito tempo com TV.

Compartilhar o processo com outros escritores, como Jessica e o próprio Nico Walker, é algo que, para Angela, engrandece o trabalho. “É uma experiência tão válida trabalhar com outros escritores de uma forma colaborativa; há um respeito e um entendimento de onde a história vem e como o trabalho de cada indivíduo está contribuindo para levar a trama adiante. Nós fazemos isso diariamente na TV, mas para os filmes costuma ser uma experiência solitária. Então, ter outras pessoas trabalhando junto é ao mesmo tempo familiar e encorajador”.

Jessica, que tem um forte histórico em escrita para teatro, acredita que os diferentes estilos de escrita para palco e TV acabam influenciando no roteiro para o cinema. “Principalmente o da televisão, que é bem focado no personagem, assim como no teatro. Você está escrevendo personagens com falhas interessantes e participando da conversa, então esta transição é bem natural. Saber escrever para o teatro te ajuda a se tornar um roteirista de TV melhor. Nos filmes, no entanto, tudo é mais focado no plot, o que te obriga a confiar nas suas habilidades do teatro para desenvolver personagens empáticos e ao mesmo tempo humanos”.

Por dentro do processo das roteiristas de Cherry

Muitos roteiristas partem da estrutura, para então desenvolver seus personagens. Angela prefere o oposto: ela começa com o personagem e a partir daí encontra sua estrutura. “Eu sou fã de brincar um pouco com a estrutura e trabalhar com modelos não lineares. Isso abre tantas possibilidades para revelar mais sobre o seu personagem”.

Jessica também prefere partir do personagens, mas acredita que ao longo dos anos ela desenvolveu uma espécie de “matemática” para a escrita de roteiros. “Você tem cartões e cenas – você os arranja e rearranja, de novo e de novo e, de repente, você se flagra com a ordem de uma nova equação para contar a sua história. É uma área completamente diferente do meu cérebro que eu gosto de usar – principalmente considerando que eu nunca me imaginei como uma matemática”.

Para Angela, há algo de matemático no seu trabalho, apesar de ela sempre ter sido péssima na disciplina. Isso se aplica principalmente à adaptação de um trabalho já existente. “A matemática está em encontrar as partes do livro que criam a equação que você precisa para fazer a sua história brilhar. Mudamos um pouco a história, mas queremos honrar o espírito do livro e suas nuances e detalhes”. A escritora acrescenta que são extraídos trechos do livro que, quando aplicados ao roteiro, podem aparecer em diferentes combinações.

Quando questionada sobre sua rotina, Jessica respondeu que escreve de segunda a sexta e tenta escrever cerca de cinco horas por dia. “Às vezes escrevo para vários projetos, às vezes estou apenas fazendo anotações, mas estas são minhas horas de trabalho. Também tento arranjar tempo em algumas manhãs durante a semana para escrever para mim mesma. Considero isso importante”.

Angela também dedica horas à escrita. Para ela, o maior desafio é conseguir aquele mindset criativo e concentrado, principalmente quando se trabalha em vários projetos ao mesmo tempo. “Eu tenho um truque: uso uma música-gatilho. Escuto a mesma música para aquele determinado projeto cada vez que estou me preparando para trabalhar nele. Isso me ajuda a me concentrar e a encontrar inspiração para escrever”.

Qual será a música que ela usou para entrar no clima de Cherry? De qualquer forma, sabemos que podemos esperar uma produção bem-construída, com foco no desenvolvimento do personagem e tratando temas tão pertinentes ao mundo em que vivemos hoje.

LEIA TAMBÉM: CHERRY E A CRISE DE OPIOIDES NOS ESTADOS UNIDOS

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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