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Arquivos Lady Killers: Quem foi Darya Saltykova

Serial killer russa torturou e assassinou dezenas de servos

Uma mulher aristocrata, religiosa, que gostava dos ritos sagrados e que admirava os relicários da igreja ortodoxa. Nada nas aparências de Darya Nikolayevna Saltykova explica por que ela acabou sendo conhecida como “atormentadora”. A não ser um rastro de servos torturados e assassinados em sua propriedade, que lhe renderam um capítulo em Lady Killers: Assassinas em Série.

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A vida de Darya sempre foi privilegiada. Nascida em 1730, ela era uma rica nobre russa com parentes influentes e diversos criados à sua disposição. E sua sorte parece ter ficado ainda maior quando se casou com Gleb Alexandrovich Saltykov, que vinha de uma família ainda mais nobre e bem-relacionada, o que aumentou a pressão social sobre Darya, que, apesar de rica, não havia recebido educação.

Porém, a vida de casada não durou muito, pois ela ficou viúva aos 25 anos. Além dos dois filhos, Darya ficou encarregada de duas propriedades da família, com suas dezenas de servos. Com tantas responsabilidades, ela se sentiu ainda mais sobrecarregada e vulnerável às suas terríveis variações de humor.

Atrocidades acobertada pela classe social

Se hoje já temos a impressão de que pessoas ricas e influentes passam impunes apesar dos crimes que cometem, na Rússia do século XVIII a coisa conseguia ser pior. Naquela época, ser uma pessoa nobre era sinônimo de ser alguém superior aos demais, a quem eram cedidos “privilégios” que passavam impunes. Estas pessoas estavam realmente acima da lei, afinal, autoridade nenhuma era doida de responsabilizar algum nobre por desfrutar de suas liberdades.

No espectro mais distante possível dos prazeres dos ricos estavam os servos. Eles eram camponeses russos que trabalhavam nas terras de seus proprietários. Em uma realidade muito próxima à dos escravos da América colonial, estes servos eram considerados propriedade dos ricos, que chegavam a formar orquestras e balés formados por estas pessoas.

Pelo fato de os nobres serem considerados tão superiores e os servos tão inferiores, era muito comum a prática de abuso físico, psicológico e emocional dos elos mais fracos deste sistema. Trabalho braçal, castigos e humilhações acabaram sendo normalizados por uma elite cada vez mais insensível ao fato de que aqueles trabalhadores também eram pessoas. Alguns senhores até poderiam ser mais gentis, mas eram a exceção.

Darya Saltykova não era exceção. Mas também não dá pra dizer que o que acontecia em sua propriedade era normal, já que ela atingiu patamares horrorosos de crueldade. Bastava que ela achasse que o chão não estava limpo como gostaria que isso renderia tortura e em alguns casos até morte de algum servo.

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Castigos por este motivo eram bem comuns na Rússia, mas o problema é que Darya não tinha limites. Ela trancava os servos privando-os de comida, açoitava-os com chicote, espancava com o objeto mais próximo, jogava água fervendo, entre outros tipos de violência. 

Imagem de domínio público

Este comportamento já existia quando Alexandrovich ainda era vivo, mas se tornou mortal após o seu falecimento. Ela chegou a assassinar uma mulher grávida e chamou um padre para dar a extrema unção à vítima, que não resistiu até a chegada do religioso. O padre, vendo o estado da mulher, pediu uma investigação policial – que não deu em nada.

Aliás, denúncias não faltaram para as atrocidades cometidas por Darya Saltykova. Vários servos conseguiram fugir para denunciar os crimes da assassina, mas todos eram enviados de volta para ela, que lhes aguardava com os piores castigos. Como já foi falado, nenhum policial se atreveria a investigar algum nobre por isso. 

Para piorar, os servos não dispunham de qualquer tipo de lei que os protegesse. Além disso, Darya subornava os policiais com presentinhos, e eles, por sua vez, até a instruíam a se livrar das acusações. Não fosse por essa negligência das autoridades, dezenas de vidas poderiam ter sido salvas.

A ira de Saltykova não ficava restrita aos servos. Quando já estava viúva, ela engatou um romance com o capitão Nikolai Andreyevich Tyutchev, que tinha uma propriedade vizinha à sua. Após o término da relação, ele logo começou a namorar outra mulher, o que enfureceu Darya ao ponto de ela planejar explodir a casa do ex-amante com pólvora

Nenhum dos servos concordou em fazer isso e entenderam que a melhor forma de lidar com a situação seria contar ao próprio Nikolai os planos da assassina. Ele levou o caso à polícia, que chegou a interrogá-la. Porém, ela se fez de desentendida e escapou mais uma vez.

Os crimes de Darya Saltykova chegam a Catarina, a Grande

Apesar dos tratamentos antagônicos para aristocratas e servos, Catarina, a Grande, pretendia mostrar ao mundo uma Rússia mais igualitária, pronta para os movimentos iluministas que ganhavam corpo no mundo ocidental. Por isso, quando dois servos de Darya Saltykova conseguiram fazer as denúncias chegarem à imperatriz, ela não pode ignorá-las.

Claro que punir uma pessoa rica ainda era uma tarefa bem delicada, até mesmo diante de toda a pressão que a própria Catarina enfrentava. Desta forma, a investigação contra Darya foi absolutamente metódica, sem o risco de abrir algum precedente que fizesse os outros membros da aristocracia se sentirem sequer remotamente ameaçados.

As denúncias somavam 138 mortes, além de muitos outros casos de tortura. Qualquer depoimento suspeito ou mal-explicado era descartado, ao mesmo tempo em que Darya alegava ser inocente de todas as acusações. Mesmo assim, ela foi considerada culpada de 38 assassinatos e suspeita de matar outras 26 pessoas.

Catarina poupou-a da punição que Saltykova dava aos seus servos: a assassina não foi torturada e nem condenada à morte, mas isso não significa que seus crimes passaram impunes. Em vez disso, ela foi colocada na cela de uma prisão subterrânea chamada de “câmara de arrependimento”, acessada apenas por uma freira e um zelador que fazia a guarda. 

Ela permaneceu em total escuridão por onze anos e tinha permissão para acessar um túnel de ventilação todos os domingos para ouvir a liturgia de uma igreja próxima. Depois deste período foi transferida para uma câmara esculpida em pedra e com uma pequena janela gradeada. Darya Saltykova permaneceu presa por 33 anos, mas nunca confessou seus crimes e provavelmente nunca compreendeu a dimensão das atrocidades que havia cometido.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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