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Bella Mackie: “Para uma mulher, ser agradável significa ser passada para trás”

Confira a entrevista exclusiva do DarkBlog com a autora de Como Matei Minha Querida Família

04/05/2023

Raiva feminina, diferenças de tratamento entre homens e mulheres e bullying são apenas alguns dos temas que compõem a divertida narrativa de Como Matei Minha Querida Família, lançamento da Caveira pelo selo DarkLove. Canalizando Fleabag e Psicopata Americano, Bella Mackie compõe uma história brutalmente honesta e crítica sobre o que a sociedade espera das mulheres.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: COMO MATEI MINHA QUERIDA FAMÍLIA, POR BELLA MACKIE

Como Matei Minha Querida Família surgiu como uma espécie de escape, de grito de liberdade para Bella Mackie, que fez sua carreira como jornalista, ou seja, sempre escrevendo sobre eventos reais. A autora também escreveu Corra Para Ser Feliz, no qual conta sua experiência com atividade física e saúde mental.

Mas foi na ficção que ela encontrou uma liberdade criativa muito diferente de seus artigos para veículos como Vogue, The Guardian e The Times. Entusiasta de true crime desde muito jovem, Mackie uniu literatura policial com seu toque de humor ácido e singular para divertir e ao mesmo tempo apontar todo o combustível de uma fundada raiva feminina na nossa sociedade.

Em entrevista ao DarkBlog, a escritora contou um pouco sobre os temas do best-seller que chega aos DarkSiders, as diferenças do jornalismo para a ficção e os sentimentos que pretende provocar com a leitura. Confira:

DarkSide: Um dos principais temas de Como Matei Minha Querida Família é a raiva feminina. Destemida e verdadeira consigo mesma, Grace não tem medo de reivindicar seu lugar e fazer o que ela acredita ser certo — mesmo que o seu senso de justiça seja um tanto desequilibrado. O que te levou a escrever sobre esse assunto?

Bella Mackie: Eu queria escrever um livro em que a personagem feminina fosse capaz de pensar e dizer tudo aquilo que as pessoas querem ser capazes de expressar, mas não podem porque não são consideradas aceitáveis pela sociedade. Mulheres, em especial, são criadas para serem gentis, o que pode se tornar uma limitação. Grace não tem escrúpulos ou culpa quanto à sua raiva, seu rancor ou seus desejos. É bem libertador.

como matei minha querida família

D: Escrever sobre a raiva feminina foi de alguma forma libertador para você?

BM: Sim, através da escrita eu, de alguma maneira, me senti com ainda mais raiva. Acho que senti uma certa inveja da minha personagem ser tão mais ousada do que eu no que diz respeito a ir atrás do que ela quer.

D: Qual era o seu objetivo ao escrever um livro narrado por uma personagem como Grace, que desafia a ideia de que mulheres devem ser gentis e agradáveis desde novas?

BM: Aonde isso está nos levando? A ter espaço em uma mesa construída por homens e da qual eles podem facilmente nos expulsar. Para uma mulher, ser agradável significa ser passada para trás em uma variedade de maneiras. Eu espero que a Grace faça algumas pessoas refletirem sobre o caminho que a sociedade dita para as mulheres. Ela tenta desafiar esse caminho, mesmo que seja de maneiras incrivelmente questionáveis do ponto de vista moral.

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D: Como Matei Minha Querida Família está sendo publicada pela DarkLove, uma linha editorial dedicada a autoras com vozes poderosas. A DarkSide® Books também tem uma linha chamada Crime Scene, que publica livros de crimes reais. Sabemos que você cresceu lendo sobre Jack, o Estripador e Dr. Crippen. Você acredita que isso a influenciou de alguma maneira a escrever Como Matei Minha Querida Família?

BM: Sem dúvidas! Eu era fascinada por crimes desde (muito) jovem. Não tanto pelos métodos de assassinatos, mas pela motivação. Enquanto espécie, somos fascinados por assassinatos — mas eu acho que hoje em dia há muita exploração no true crime, e é por isso que eu queria que houvesse uma linha humorística ao longo do livro.

D: Como você se sente por ser publicada no Brasil através de uma marca tão poderosa como a DarkLove, que não apenas publica livros tão atraentes e cativantes escritos por mulheres, mas também trabalha exclusivamente com colaboradoras mulheres ao longo da produção do livro?

BM: Eu acho simplesmente fantástico. A minha equipe editorial é formada só por mulheres e a minha base de leitores é formada quase que completamente por mulheres. É uma ótima iniciativa.

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D: No seu romance de estreia, Corra Para Ser Feliz, você contou como exercícios físicos a ajudaram a lidar com a ansiedade com a qual você lidou por boa parte da sua vida. A transição da não ficção para a ficção foi desafiadora? De que maneiras?

BM: E como foi! A não ficção é bem desafiadora no sentido de que você precisa ser fiel aos fatos. É uma grande responsabilidade se assegurar de que você tenha feito a sua pesquisa direitinho, então, nesse sentido, eu a considero mais difícil. Mas a ficção depende completamente da sua imaginação — não é preciso se apoiar em uma fonte. Eu escrevi sem ter a menor ideia se alguém iria ou não gostar.

D: O livro aborda várias questões importantes, como assédio, a dinâmica entre homens e mulheres e bullying. Sabemos que Como Matei Minha Querida Família não é um “livro moralista”, como você já disse em uma entrevista à Marie Claire, mas ainda assim, o livro contém discussões bem importantes. O que você acha que os leitores estão extraindo do romance até aqui?

BM: Eu espero que a maioria esteja simplesmente aproveitando. Mas se sentirem alguma raiva e frustração com os assuntos, isso também é bom. Muitas pessoas me escrevem dizendo que querem que a Grace vença porque seria libertador. Eu quero que as pessoas sintam isso na vida real (sem a parte do assassinato).

D: Por fim, deixe uma mensagem aos nossos leitores que estão ansiosos para ler Como Matei Minha Querida Família.

BM: Estou super empolgada para que o meu livro seja lido no Brasil! Por favor, entrem em contato comigo se vocês gostarem ou se tiverem perguntas. É sempre tão legal ver pessoas de outras culturas se identificando com o romance.

Você pode acompanhar a autora no Instagram oficial dela: @mackie_bella.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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