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Caça às bruxas na África: Problema persiste em pleno século XXI

Até a Igreja Católica está envolvida no combate a estas perseguições.

Quando pensamos em bruxaria é muito comum associarmos às bruxas europeias e às infames caçadas, que resultaram em muitas delas mortas pela fogueira ou pela forca. Porém, o que Ronald Hutton ensina em Grimório das Bruxas é que se trata de uma cultura de magia muito mais abrangente, que compreende todos os cantos do mundo e que, ao contrário do que muitos acreditam, ainda se mantém presente nos dias atuais.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: GRIMÓRIO DAS BRUXAS, POR RONALD HUTTON

Ao mesmo tempo em que as práticas de bruxaria persistem, as caçadas a estas mulheres ainda são uma infeliz realidade em pleno século XXI. Um dos lugares em que isso se tornou um problema de grandes proporções é no continente africano, com registros de violência contra mulheres – bruxas ou meramente suspeitas de bruxaria – em diversos países. Além dele, estas perseguições podem ser observadas no sudeste asiático e na América Latina.

Idosas espancadas até a morte, além de mulheres e crianças banidas sob alegações de bruxaria são uma realidade mais comum do que se imagina. A má vontade das autoridades locais em investigar e punir estes perseguidores apenas agrava o problema. 

Igreja Católica: De caçadora a defensora

A caça às bruxas se popularizou entre os séculos XV e XVIII graças à Inquisição Católica, que perseguia e punia qualquer pessoa que se desviasse ou se recusasse a praticar a fé cristã. Bruxas se tornaram um alvo popular, principalmente por conta de sua independência, conhecimento de plantas e por praticarem os antigos costumes pagãos.

Segundo o historiador Wolfgang Behringer, da Universidade de Saarland, entre 50 mil e 60 mil mortes ocorreram nestes séculos em decorrência da caça às bruxas. Isso, é claro, não significa que todas essas pessoas fossem, de fato, praticantes das artes ocultas. Naquela época qualquer peculiaridade era considerada suspeita e às vezes bastava uma denúncia para sentenciar a vida de uma pessoa – principalmente mulheres.

Mas, se naquela época a Igreja Católica era a causa do problema, hoje ela quer se empenhar em ser parte da solução. Há uma iniciativa missionária do pontífice, ou seja, vinda diretamente do Vaticano, empenhada em evangelizar as pessoas contra as perseguições às bruxas em 36 países. Embora possa parecer uma espécie de reparação histórica, a causa para esta iniciativa católica é o alarmante número de pessoas assassinadas nestas caçadas.

Se o número de dezenas de milhares de mortes na Europa ao longo de trezentos anos já é alarmante, ele está longe de ser uma realidade distante no nosso planeta. Behringer explicou à alemã Deutsche Welle que somente entre os anos 1960 e 2000 cerca de 40 mil pessoas foram mortas acusadas de bruxaria – isso apenas na Tanzânia. O número é assim alto por não existirem leis específicas sobre o tema, permitindo que tribunais tribais decidam o futuro trágico destas pessoas.

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A preocupante situação na África

Na Tanzânia, muitas das pessoas julgadas por bruxaria são simplesmente albinas. Acredita-se que seja possível extrair poções mágicas de partes do corpo destes indivíduos. Este tipo de superstição também é observada na Zâmbia e em outros países do continente.

Na República Democrática do Congo normalmente são as pessoas mais jovens as acusadas de bruxaria. Chamadas de “filhos da bruxaria”, estas crianças são frequentemente abandonadas pela família e lançadas à própria sorte. O mais triste é o motivo pelas quais elas são rejeitadas: muitas vezes por terem sido fruto de estupro ou por nascerem de relações fora do casamento.

Se de um lado o continente conta com ações humanitárias para acolher estas vítimas, por outro, há toda uma estrutura que alimenta esta aversão a bruxas. Muitas igrejas carismáticas na República Democrática do Congo associam problemas como HIV ou infertilidade feminina à bruxaria. Ou seja, as crianças são usadas como bode expiatório para problemas muito maiores em um dos países mais pobres do planeta.

A delicada caça aos caçadores de bruxas

O que torna a caça às bruxas um assunto tão complicado e que se estende há tanto tempo é a impunidade dos responsáveis, e isso ocorre em vários países onde estas perseguições ocorrem em ampla escala. 

Há diversas pessoas que trabalham em missões de combate à situação e que buscam chamar a atenção do mundo para este problema. É o caso de Jörg Nowak, um dos porta-vozes da missão. O primeiro caso com o qual ele lidou ocorreu em Papuá Nova Guiné por volta de 2010 e envolvia o assassinato de uma mulher acusada de bruxaria.

Nowak divulgou um relatório sobre esta crise no país e a partir de então se dedicou às caçadas às bruxas. Porém, muito da pesquisa dele em Papuá Nova Guiné se encontra sob sigilo até o momento, pelo menos no próprio país. Isso porque as evidências que ele reuniu contra alguns dos “caçadores de bruxas” poderiam lhe custar a própria vida ou a de seus colegas de missão.

Séculos se passaram e, apesar das localidades terem mudado, o problema permanece em pleno século XXI. Embora aquela ideia de bruxaria do século XV não seja condizente com a realidade, o que ainda é presente no mundo é o estigma, a demonização e as acusações de bruxaria, que são suficientes para pôr em risco a vida de milhares de pessoas.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

1 Comentário

  • Érika Silva

    24 de março de 2021 às 11:01

    É realmente muito triste saber que isso ainda acontece atualmente. Já tinha ouvido à respeito do preconceito às pessoas albinas mas não sabia da dimensão do problema.

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