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Cientistas investigam como era o Drácula verdadeiro

Achados podem dar pistas sobre soberano da Transilvânia

11/01/2023

Drácula se consagrou ao longo de mais de um século como o vampiro definitivo, o personagem que ditaria muito das regras do vampirismo na literatura, cinema e na cultura pop. Escrito pelo irlandês Bram Stoker, o livro ganhou o mundo e o coração dos DarkSiders.

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O suspense narrado através de correspondências de seus personagens tem no centro da ação o sinistro Conde Drácula, que vive em seu castelo na Transilvânia. Embora nunca tenha viajado à Romênia, Stoker se debruçou em pesquisas sobre a história e a geografia do local e atribuiu muitas características de uma figura histórica ao seu personagem: Vlad III, também conhecido como Vlad, o Empalador ou Vlad Drácula.

Passados mais de 125 anos da publicação da obra absoluta de Bram Stoker, dois cientistas agora se debruçam sobre um documento com mais de 500 anos da Transilvânia — assinado pelo próprio Dracula. A missão de Gleb e Svetlana Zilberstein é extrair material genético das cartas escritas por Vlad, obtido através de suor, impressões digitais e saliva.

A partir desses achados, a dupla de “químicos históricos” (como preferem ser chamados) conseguem traçar um retrato não apenas da composição física infame líder militar da Valáquia, mas também dos aspectos do ambiente em que ele vivia.

Uma investigação científica com contornos macabros

Coincidentemente (ou não), a investigação do documento teve início no dia 26 de maio de 2022, data que marcava os exatos 125 da publicação do livro de Bram Stoker. Segundo Gleb Zilberstein declarou ao The Guardian, o misticismo não parou por aí: “Durante toda a noite após a extração das moléculas de Drácula, choveu, cachorros uivaram e houve relâmpagos. Foi realmente uma atmosfera bem mágica. O Conde Drácula abençoou sua liberação dos arquivos romenos”.

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Saindo um pouco do aspecto mais teatral, Zilberstein explicou melhor a ciência pioneira aplicada por ele e Svetlana: “O nosso trabalho é encontrar traços bioquímicos deixados na época em que o objeto histórico foi criado ou quando foi utilizado por alguma figura histórica”.

Você deve estar se perguntando: “Mas isso já é feito com análises de DNA, certo?”. Não exatamente, a abordagem da dupla é um pouco diferente. Focados principalmente em proteínas e metabólitos, Gleb e Svetlana optam por essa técnica porque essas moléculas são mais estáveis do que o DNA e fornecem mais informação sobre as condições ambientais, estilo de vida e nutrição da figura histórica à qual tais moléculas pertenciam.

Escritores já foram investigados pelos cientistas

Naturais do Cazaquistão, a dupla passou os últimos 26 anos trabalhando em Tel Aviv, Israel. Junto do professor Pier Giorgio Righetti da Universidade Politécnica de Milão, eles desenvolveram a análise bioquímica  utilizada para extrair as proteínas desses itens e já obtiveram resultados interessantes a partir do manuscrito original do romance O Mestre e a Margarida, de Mikhail Bulgakov. A obra foi escrita entre 1928 e 1940.

Zilberstein compartilhou um pouco dos achados dessa pesquisa: “Encontramos traços de morfina e proteínas de patologias renais nas páginas do manuscrito, provando que ele o escreveu sob influência de drogas que utilizava para aliviar as dores agudas nos rins”.

Depois de Bulgakov, os cientistas analisaram a camisa que o escritor russo Anton Chekhov estava vestindo quando morreu, bem como sua última carta. “Chekhov sofria de tuberculose e usou várias substâncias e analgésicos, mas morreu por causa de um derrame.” Em seguida, investigaram cartas de George Orwell a Moscou e encontraram traços de tuberculose, doença que ele contraiu na Espanha.

No caso de Vlad Drácula, o material analisado é uma carta escrita por ele ao povo de Sibiu, cidade medieval que hoje pertence à Romênia. O documento data de 4 de agosto de 1475 e informa aos habitantes que o soberano iria morar por um tempo no local.

carta dracula
Imagem: Gleb Zilberstein

“Com a nossa análise, esperamos obter alguma ideia de um retrato molecular de Vlad Drácula quando ele escreveu ou assinou essas cartas — ou seja, sua saúde, o que ele comia e como era a atmosfera em seu entorno”, explica Zilberstein.

Bom, o que o Vlad comia a gente não sabe, mas tem um Drácula aí que eu conheço que curtia uma dieta bem sanguinolenta. 

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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