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Débora Isidoro: “Traduzir é muito mais que mudar de idioma, é fazer uma obra atravessar pontes”

A tradutora trabalhou em diversos títulos do selo DarkLove que estão de volta na LOOP DRKx.

Vocês pediram e eles estão de volta: a campanha LOOP DRKx traz novamente aos estoques da Caveira os livros mais apaixonantes do selo DarkLove, como Em Algum Lugar nas Estrelas e Leve-me com Você (CUPOM EXCLUSIVO 20%OFF*: LEVEME20), ambos traduzidos para o Português por Débora Isidoro.

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Com mais de quinhentos títulos na bagagem e mais de três décadas na área, ela conversou com o DarkBlog sobre a importância deste papel no processo editorial – que nenhum aplicativo de tradução consegue substituir. Para a Caveira, Débora Isidoro já traduziu títulos como Geek Love, O Diário de Nisha, entre muitos outros, além de publicações ainda inéditas. Confira: 

DarkSide: Há quanto tempo trabalha como tradutora?

Débora Isidoro: Há 31 anos, desde 1990.

D: Como descobriu que essa era uma área que gostaria de atuar?

DI: Foi por acaso, eu estava saindo da área que havia escolhido ainda adolescente, me sentia muito insatisfeita e muito decepcionada profissionalmente e não tinha a menor ideia do que ia fazer, quando uma amiga da mesma área que já traduzia me falou sobre um teste em uma editora. Fiz o teste para livros em espanhol, fui aprovada, traduzi alguns livros, mas pouco depois a coleção foi encerrada. Meu editor me indicou pra outra coleção na mesma editora, dessa vez pra livros em inglês, e foi aí que aprendi muito e descobri que era isso que queria fazer, que gostava de fazer.

D: Qual sua formação e profissão (caso tenha outras além de tradutora)?

DI: Eu cursei Psicologia na PUC-SP, atuei na área por alguns anos, mas digo sem medo de errar que minha profissão é tradutora.

D: Trabalhar com tradução é mais do que apenas traduzir para outra língua um texto. Quais as aptidões básicas que um tradutor precisa possuir, além claro, da fluência na língua?

DI: É claro que conhecimento da língua de chegada é fundamental. Sem um bom Português e muita vontade de continuar estudando a língua sempre, fica complicado. É difícil falar em aptidões básicas, eu acho que são muitas e variadas, e cada tradutor tem sua caixinha de ferramentas particular pra se entender com o original e alcançar um bom resultado em Português, respeitando o sentido do texto e o estilo do autor, sem nunca perder de vista que temos que trazer, antes de tudo, as mesmas emoções para o leitor da obra traduzida. Então, se eu tiver que criar um “pacotinho” de aptidões, acho que coloco, além do que já mencionamos, humildade (para não perder de vista que somos o meio pelo qual uma obra criada por outra pessoa é trazida para o nosso idioma), sensibilidade (para tentar entender que emoções o autor quis provocar no leitor e procurar despertá-las também com a tradução), e uma pitada de talento de escritor, porque uma tradução pode ser perfeitamente correta e ainda ser dura, “chata” pra quem a lê. O tradutor precisa saber dar ao texto o mesmo ritmo e a mesma capacidade de envolvimento e conquista do leitor criados pelo autor.

D: Quantos livros já foi responsável por traduzir, Débora? Quais foram os livros da Caveira que já traduziu ou irá traduzir em breve?

DI: Vai parecer arrogante, mas eu realmente não sei mais dizer quantos livros traduzi. Foram mais de quinhentos, com toda certeza, mas não tenho o número certo. Da Caveira foram 18 traduções, e a 19ª já está em andamento. O primeiro foi Em Algum Lugar nas Estrelas, depois veio Minha Vida fora dos Trilhos, ambos da Clare Vanderpool. Tem também Geek Love (Katherine Dunn), O Diário de Nisha (Veera Hiranandani), Leve-me com Você (Catherine Ryan Hyde), O Mundo de Lore (Aaron Mahnke), e outros ainda não publicados que estão sendo traduzidos. 

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D: Qual livro da DarkSide® trouxe o maior desafio na tradução? E qual gostou mais de trabalhar no projeto? Por quê? 

DI: O maior desafio foi Geek Love, talvez pelo “peso da camisa”. Kurt Cobain, Courtney Love, Chuck Palahniuk, Terry Gilliam, Flea, Neil Gaiman… todos, em algum momento, declararam ser fãs do livro, que também é apontado como inspiração para a edição original do festival Lollapalooza. Além disso, a história é tão fantástica e surpreendente, que em alguns trechos cheguei a duvidar da minha capacidade de compreensão do original. Mas, pelos mesmos motivos, também foi o projeto que mais me encantou na Caveira.

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D: Com funções e aplicativos novos, como por exemplo, o Google Tradutor, muitos acreditam que a tradução de um livro é algo simples de se realizar. Qual é a verdade sobre as dificuldades de ser um tradutor?

DI: Particularmente, acho que traduzir, no sentido de “virar a chave da língua”, é o menos complicado, porque um tradutor tem as ferramentas pra isso. Traduzir é muito mais que mudar de idioma, é fazer uma obra atravessar pontes. É preciso fazer o texto traduzido provocar as mesmas emoções e reações que o texto original provocou, e isso envolve traduzir culturas, não só idiomas. As ferramentas evoluíram muito, é inegável, e podem, em alguns casos, traduzir com precisão impressionante. Mas interpretar, localizar, transmitir e impressionar são coisas bem mais delicadas que a simples mudança de idioma. O tradutor tem que ter sensibilidade, compreensão delicada e sintonia, e isso nem sempre é fácil, não todo dia, rotineiramente. Tradutor tem dia ruim, dor de cabeça, mau humor, mas também tem prazo de entrega e conta pra pagar, e nem sempre é fácil conciliar tudo isso.

D: Quais foram os maiores desafios da sua carreira como tradutora?

DI: Foram muitos. O Geek Love, já mencionado, foi um deles. Ensaios de Truman Capote também foi desafiador, e teve também um livro sobre bicicletas, talvez o que mais me fez pesquisar e pedir ajuda técnica em todos esses anos.

D: Que dicas você dá para quem gostaria de atuar nessa função um dia?

DI: A primeira é óbvia: estudar sempre. Nossa língua não é das mais fáceis, é cheia de detalhes e armadilhas. Escolha bons materiais de apoio e recorra a eles sempre que tiver dúvidas. Leia muito, leia tudo, literatura nacional e traduzida, autores variados, leia! Não torça o nariz pra nenhum gênero, todos têm sua importância, e qualquer um pode aparecer na sua caixa de entrada com uma proposta de tradução. O bom tradutor não é o que traduz só clássico, é o que traduz bem qualquer tipo de obra.

Débora Isidoro
Débora Isidoro com alguns dos títulos traduzidos no Brasil

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*Cupom válido apenas para o livro Leve-me Com Você na loja da DarkSide Books até 01/03/2021.

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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