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Escritora, filósofa e feminista: Quem foi Mary Wollstonecraft

Biografia da autora está em Mulheres Extraordinárias: As criadoras e a criatura.

Um mundo que tenha mais igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é uma causa amplamente defendida nos dias atuais. Porém, no século 18 Mary Wollstonecraft foi uma pioneira por ousar pensar desta forma. Se hoje entendemos melhor a necessidade desta igualdade, devemos muito a ela. 

LEIA TAMBÉM: MULHERES EXTRAORDINÁRIAS: AS CRIADORAS E A CRIATURA

Desde muito nova, Wollstonecraft já saía em defesa das mulheres, principalmente as do seu círculo familiar. A autora nasceu em 1759 em Londres, sendo a segunda de sete filhos. Seu pai tinha um comportamento abusivo, que piorava quando ele bebia. Não foram poucas as vezes em que ele agrediu a mãe de Mary. Quando ela era adolescente, chegou a dormir na porta do quarto da mãe para protegê-la do pai.

Como se isso não fosse suficiente, os negócios especulativos do pai causaram problemas financeiros para a família Wollstonecraft, que precisou se mudar com certa frequência quando ela ainda era jovem. O pai de Mary chegou a forçá-la a entregar-lhe o dinheiro que seria sua herança quando ela atingisse a maioridade, aumentando a revolta da escritora quanto à ausência de poder que as mulheres tinham sobre seus bens

Além de proteger a mãe das agressões do pai, Mary Wollstonecraft também tinha um comportamento protetor com suas irmãs Everina e Eliza. Um dos exemplos mais conhecidos foi o auxílio de Mary para que Eliza, sofrendo de depressão pós-parto, deixasse sua vida infeliz com o marido e com a criança. Porém, ao desafiar as normas sociais da época, Eliza foi condenada pela sociedade, não pode casar novamente e acabou destinada a uma vida de pobreza e trabalhos forçados.

Governanta, professora e uma das fundadoras do Feminismo

Créditos: Stewy

Descontente com a situação da família, Mary Wollstonecraft saiu de casa aos 19 anos por conta própria (normalmente as mulheres saíam por causa do casamento). Ela trabalhou como dama de companhia de Sarah Dawson, mas tinha dificuldade em se relacionar com a viúva. 

Mais ou menos por esta época, ela se tornou amiga de Fanny Blood, que expandiu seu pensamento sobre o feminismo. As duas se juntaram com as irmãs de Mary e abriram uma escola em Londres. Porém, Blood ainda tinha ideais um pouco mais conservadores que os de Wollstonecraft e se casou. Por causa da saúde frágil da amiga, que piorou quando engravidou, Mary abandonou a escola para cuidar de Fanny, só que isso acarretou na falência do educandário.

Depois disso, Mary ainda trabalhou como governanta na Irlanda, mas ficava frustrada pelas limitações de profissões desempenhadas por mulheres. Por causa de sua insatisfação com o trabalho, decidiu embarcar em sua carreira de autora – uma escolha radical para a época, já que mulheres normalmente não conseguiam se sustentar com uma carreira no ramo da escrita.

De volta a Londres, ela trabalhou como assistente de Joseph Johnson, um editor de conteúdos independentes. Nesta época ela aprendeu francês e alemão e trabalhou com tradução de textos. Além disso, ela escreveu críticas, principalmente de romances, para o jornal de Johnson. Foi nesta fase que suas habilidades de escrita expandiram e ela conheceu algumas figuras dos círculos intelectuais da capital inglesa.

Foi graças a este trabalho que a escritora teve suas primeiras obras publicadas, como Mary: Uma ficção e sua obra mais famosa: Uma Reivindicação dos Direitos da Mulher, em que ela cobrava uma educação igualitária para homens e mulheres. Wollstonecraft sempre defendeu a ideia de que mulheres não eram inferiores, era a sociedade que limitava o seu conhecimento e suas possibilidades pela ausência de uma educação completa, relegando-as a tarefas domésticas.

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A vida na França e a maternidade

Em 1792, determinada a colocar seus ideais em prática, ela se mudou para Paris, em meio à Revolução Francesa. Lá, ela se apaixonou pelo aventureiro americano Gilbert Imlay. Dizem que foi ele quem despertou o interesse sexual de Mary, com quem ela manteve um relacionamento intenso, mas que Imlay não tinha interesse de converter em casamento.

A autora se decepcionou com a Revolução Francesa e passou a criticá-la, afirmando que o povo continuava a ser tratado de forma escravizada por aqueles que detinham o poder e que o governo se mantinha brutal. Além disso, ela ficou particularmente abalada pelo comportamento machista dos Jacobinos em relação às mulheres, negando uma educação igualitária e tratando-as como meras ajudantes dos homens.

Com o início do Reino do Terror, ela foi considerada suspeita pelos revolucionários, afinal, ela era uma inglesa vivendo na França. Graças às boas relações comerciais dos Estados Unidos com a França naquela época, Imlay forjou uma declaração à Embaixada dos Estados Unidos afirmando que Mary era sua esposa, para que ela se tornasse uma cidadã americana. 

Os dois tiveram uma filha chamada Fanny, que manteve o sobrenome de Imlay, dando ainda mais legitimidade à relação dos dois. A família viajou pela Escandinávia, onde Mary continuou a escrever ao mesmo tempo em que aproveitava a experiência da maternidade. Depois destas viagens, Gilbert Imlay a deixou.

O retorno à Inglaterra e o nascimento de Mary Shelley

Profundamente abalada pelo fim da relação, Mary Wollstonecraft tentou suicídio, mas felizmente foi salva por um estranho antes de se jogar no Rio Tâmisa, em Londres. Gradualmente, ela retornou à sua vida literária e ao círculo intelectual de Joseph Johnson.

Foi desta forma que ela se reconectou com o filósofo William Godwin, que Mary havia conhecido alguns anos atrás. Os dois tiveram um romance apaixonado, marcado pela admiração de Godwin pelo trabalho da escritora

Deste relacionamento, ela engravidou novamente. Para dar legitimidade à criança, os dois decidiram se casar, o que gerou algumas críticas ao seu novo marido, que em trabalhos anteriores defendia veementemente o fim da instituição do casamento.

No dia 30 de agosto de 1797 ela deu à luz sua segunda filha: Mary Wollstonecraft Godwin, que hoje conhecemos como Mary Shelley, autora de Frankenstein. Porém, mãe e filha tiveram poucos dias de convívio, já que Wollstonecraft foi afetada por uma infecção da placenta durante o parto, que lhe causou uma febre fatal.

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Por anos, Mary Wollstonecraft foi esquecida ou mencionada com escândalo por causa de sua vida pessoal. Porém, graças aos movimentos em defesa dos direitos políticos das mulheres, seu trabalho foi resgatado e serve de argumento e de inspiração até os dias de hoje quando o assunto é a busca por direitos iguais entre os gêneros. Uma mulher à frente do seu tempo e que não tinha medo de questionar as normas, Mary Wollstonecraft é, sem sombra de dúvida, uma mulher extraordinária.

Mais detalhes sobre a vida de Mary Wollstonecraft e de sua filha Mary Shelley estão na biografia Mulheres Extraordinárias: As criadoras e a criatura, publicada pelo selo DarkLove da DarkSide® Books.

1 Comentário

  • Isabella

    10 de novembro de 2020 às 19:00

    Contando com o fato deq para um debate eu preciso ter fontes das minhas informações, essas informações passadas aqui foram tiradas de onde? E se foi tiradas do livro mulheres extraordinárias, a autora dele tirou essas informações pessoais de algum livro da Mary ou algo assim?

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