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Espelhos, xadrez e geleia: As simbologias de Alice Através do Espelho

Conheça as peculiaridades e trocadilhos da sequência do clássico de Lewis Carroll.

Publicada seis anos após Alice no País das Maravilhas, a continuação Alice Através do Espelho marcou o retorno da protagonista a um mundo fantástico que desafia as leis da lógica. Foi, aliás, a sequência que conquistou o público em grandes proporções, o que gerou uma forte onda de apreciação pelo primeiro romance deste universo criado por Lewis Carroll.

LEIA TAMBÉM: ALICE E DOROTHY: HEROÍNAS QUE SIMBOLIZAM O AMADURECIMENTO FEMININO

Nada de toca de coelho, desta vez Alice se transporta para outro mundo ao descobrir que é capaz de atravessar um espelho. Assim como ocorre neste objeto, tudo no outro lado é refletido de forma inversa – só que desta vez as coisas vão um pouco mais longe. Correr te ajuda a ficar parado, afastar-se de algo te leva para mais perto daquilo e peças de xadrez que ganham vida são apenas alguns exemplos do universo insano de Carroll.

Mais uma vez, o autor esbanja simbologias, trocadilhos e neologismos sagazes com  a língua inglesa, o que torna sua obra tão peculiar – e ao mesmo tempo tão difícil de traduzir para outros idiomas. A seguir, explicamos algumas das simbologias mais marcantes do livro:

Espelhos 

Como mencionamos, tudo começa por causa de um espelho, e esta é uma temática recorrente na trama de Alice Através do Espelho – não por acaso o título já menciona o objeto. Mas Lewis Carroll vai além do vidro com reflexo e utiliza a ideia dos opostos ao longo de sua trama.

Além da noção do tempo que corre de trás para frente, o livro é uma espécie de imagem refletida de seu predecessor. A primeira história se inicia com o calor e as áreas externas do dia 4 de maio, quando é primavera no hemisfério norte. Também utiliza as mudanças de tamanho como artifício narrativo e trabalha com o imaginário dos baralhos de cartas

Já no segundo livro está nevando no lado de fora e os dias são mais escuros, já que tudo se passa no semestre oposto, num 4 de novembro, quando o outono avança em direção ao inverno. Em vez de tamanho, as mudanças aqui têm relação com o tempo e espaço e, no lugar de cartas, a temática fica em torno do jogo de xadrez, que carrega outra forte simbologia na trama.

Jogo de xadrez

Enquanto o primeiro livro tinha como tema um deque de cartas, Alice Através do Espelho se baseia em um jogo de xadrez, jogado em um tabuleiro gigante, com campos sendo utilizados como casas. A maioria dos personagens principais é retratada por uma peça de xadrez. Neste contexto, Alice é um peão.

O mundo através do espelho é dividido em seções por riachos ou córregos. Atravessar cada um destes riachos geralmente representa uma mudança de cenário, correspondendo aos avanços de Alice no tabuleiro. Porém, nem sempre estas mudanças estão explícitas na leitura através da troca de capítulos, por isso, há algumas marcações que marcam a evolução da personagem no jogo e na trama.

Assim como no jogo, há duas rainhas com papéis importantes a serem desempenhados. Vale ressaltar que, apesar da simbologia do jogo, as regras do xadrez não são seguidas à risca, como a da alternância entre as cores (vermelho e branco, no caso do livro). Mas não poderíamos esperar nada muito diferente de um lugar que altera as noções de tempo e espaço o tempo inteiro, não é mesmo?

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O trocadilho da geleia

A obra de Carroll é reconhecida pelos jogos de palavras e dificuldade de adaptações para outros idiomas. Há poemas inteiros estudados até hoje, como “Jaguadarte” (original “Jabberwocky”), considerado uma das principais obras nonsense da literatura.

Mas há também passagens tão corriqueiras que podem deixar uma pulga atrás da orelha até nos leitores mais atentos. Um exemplo ocorre quando a Rainha Branca negocia com Alice seu pagamento, uma das formas seria “geleia dia sim, dia não”. Ao Alice responder que não quer geleia hoje, a rainha contrapõe dizendo que ela não poderia ter geleia hoje nem se quisesse, pois a geleia ficará sempre para amanhã

Isso causa confusão tanto em Alice quanto nos leitores, uma vez que amanhã, eventualmente se tornará hoje em algum momento. Mas a Rainha Branca apenas explica que a geleia será sempre para amanhã. Há uma referência ao latim, já que a palavra “iam” ou “jam” (geleia, em inglês) significa “agora”, no sentido de “já ter acontecido”, diferentemente do “agora” que se refere ao presente, expressado no latim com a palavra “nunc”. Desta forma, “jam” nunca se refere ao presente e, portanto, nunca estará disponível hoje.

A expressão em inglês “jam tomorrow” acabou se tornando sinônimo daquelas promessas agradáveis, mas que nunca serão concretizadas. Atualmente, ela é utilizada principalmente para se referir às promessas vazias de políticos. 

Todos estes detalhes deixam ainda mais rica a obra de Carroll, que encanta e surpreende leitores através de gerações.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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