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Lost Highway: Todo o poder de David Lynch em um único filme

Prepare-se para uma trama carregada de surrealismo e tensão

26/01/2024

Na história do cinema, encontramos muitos equívocos, mas existe uma certeza: devemos prestar atenção quando o nome de David Lynch aparece na tela. E se por um acaso esse nome estiver vinculado a alta velocidade, uma trilha sonora frenética e nomes como Bill Pullman, Patricia Arquette e Robert Loggia, talvez seja hora de nos prepararmos para cenas enigmáticas, reviravoltas improváveis e uma trama carregada de surrealismo e tensão.

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Lost Highway, rebatizada sem equívocos de A Estrada Perdida, chegou ao mundo em 1997, pelas mãos e mente inconvencionais e brilhantes de David Lynch, que escreveu e dirigiu esse filme.

lost highway

Os primeiros minutos, logo depois da sequência de abertura, são habilmente desacelerados, para que toda nossa atenção recaia sobre o recado interfonado: “Dick Laurent está morto”. Mas quem diabos é Dick Laurent? E por que ele está morto? Ele está realmente morto? Só esse começo já nos faz continuar ligados no filme, e esse é o brilhantismo de um criador do calibre de David Lynch.

david lynch

Seguimos na trama com o saxofonista Fred Madison (Bill Pullman) e sua bela esposa Renée, interpretada pela estonteante Patricia Arquette, e rapidamente percebemos que pode existir um probleminha de confiança entre o casal. Fred sai para tocar tarde da noite, Renée diz que estará em casa, mas ele telefona e ninguém atende. Pelos olhos de Fred, sentimos e acreditamos que existe algo errado.

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Como se já não houvesse elementos o bastante para ficarmos curiosos, em uma certa manhã Renée acorda para apanhar o jornal e descobre um envelope sem identificação nas escadas externas. Dentro do envelope, uma fita VHS, também sem qualquer identificação. Fred a surpreende enquanto ela retira a VHS do envelope, e os dois decidem assistir juntos. Tudo o que existe na fita é uma filmagem da frente da casa onde eles moram; alguns segundos de gravação e mais nada. Eu não sei se todos se sentirão da mesma forma, mas muitas pessoas poderiam ficar ligeiramente preocupadas com uma filmagem não autorizada de suas casas. E essas pessoas ficariam realmente muito mais preocupadas se recebessem uma segunda fita, gravada dentro da casa. E não sei o que vocês fariam caso algum desconhecido filmasse seu quarto, sua cama, você e seu parceiro (ou parceira) dormindo, indefesos, no meio da madrugada. Chamar a polícia, talvez. É, é um bom começo.

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Sem uma solução, Fred segue ao lado de Renée com sua vida de cigarros, jazz e saxofone, e em uma festa ele tem um encontro bem fora do convencional. Quem se aproxima é um homem estranho, taciturno e muito pálido, sem sobrancelhas (interpretado por Robert Blake). O homem afirma que está na casa de Fred, e que foi convidado pelo próprio Fred. Aliás, ele diz que está lá naquele exato momento (estando na frente de Fred na festa), e inclusive oferece um telefone celular, para que Fred possa ligar para casa e falar com ele, com o “ele” que aparentemente é capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo.

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E mantenha a calma se você já se sente hiper estimulado e confundido ao extremo, porque alguém nesse filme ainda será acusado de matar brutalmente a esposa e sentenciado à cadeira elétrica. Confuso, insone, preso e atordoado por visões cheias de carne e vermelho, nem mesmo Fred está certo do que aconteceu. Inclusive, Fred não tem certeza se ele é Fred Madison ou outro rapaz, chamado Pete Dayton — e tampouco nós teremos essa resposta imediatamente (Pete Dayton simplesmente aparece no lugar de Fred na cela, confundindo os agentes de polícia e carcereiros).

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Lost Highway apresenta muitas nuances interessantes, mas o que mais impressiona é a exuberância criativa do diretor, tornando impossível falar sobre o filme sem citarmos repetidamente seu nome: David Lynch. A marca inconfundível de sua direção, sua identidade, está em todo lugar. Nos diálogos discretos, na paranoia constante, nos elementos imiscíveis que, magistralmente, Lynch é capaz de combinar — e unificar.

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Acrescentando mais uma cereja nesse bolo de cerejas, ainda temos (além de um elenco principal que é uma brutalidade) uma tonelada de participações especiais, que vão de Richard Pryor e Henry Rollins a Marilyn Manson e Gary Busey. Isso sem citar uma das maiores, senão a maior de todas, aulas de autoescola e direção defensiva da história do audiovisual (confiem em mim, é muito mais que educacional, é puro prazer). E falando em prazer, esse é um filme muito, muito sexy. Então estejam atentos aos melhores momentos. 

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Cabe dizer que esse não um filme fácil, linear, ou não seria uma produção com a marca registrada e o padrão de excelência de David Lynch. Lost Highway possui uma linha temporal caprichosamente organizada para nos confundir, transições de cena que exigem atenção e algum desprendimento, mudanças de humor repentinas. Tudo isso significa apenas que Lost Highway é, além de um grande filme, uma obra de arte que requer sensibilidade e poder de abstração da audiência. O próprio Lynch, diga-se de passagem, afirma que o filme possui similaridades com uma experiência que ele mesmo viveu, na vida real.

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Os elementos fantásticos do filme nos confundem e atraem, e ainda que não possamos compreender plenamente tudo o que acontece nesses pouco mais de 120 minutos em uma primeira visita, as sementes lançadas são suficientes para garantir nosso retorno. Apenas para bater em uma tecla que muitos de vocês já conhecem, David Lynch é conhecido por alguns cinéfilos menos aguçados apenas por seu trabalho em Twin Peaks, mas se você é um desses, a boa notícia é que o ambiente desse filme flerta bastante com algumas ideias pavimentadas na série (tanto na antiga, 1990, quando na mais moderna, de 2013, ou mesmo no longa-metragem de 1992). E não vá pensando que de alguma forma esse filme “pega leve”, não pega mesmo! As cenas que exigem estômago forte estão em várias partes da trama.

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Falar em Lost Highway sem citar a trilha sonora seria um ultrage, então anote aí alguns nomes, para abrir seu apetite sonoro: David Bowie, Nine Inch Nails, The Smashing Pumpkins, Lou Reed, Marilyn Manson, Rammstein, Trent Reznor e vamos parar por aqui, acho que vocês entenderam.

Seria impossível (e até leviano) resumir toda experiência e experimentação que Lost Highway é capaz de proporcionar em uma matéria, e por essa única razão chegou a hora de encerrar nossa diversão nesse espaço e partir para a sua mídia preferida. Não deixe de assistir esse filme, é uma verdadeira viagem ao desconhecido. Gore, elementos fantásticos, sensualidade, crimes, um pouco de carga dramática para fechar o pacote.

Bora pegar a estrada? Eu já estou no banco do carona.

O trailer você confere aqui: 

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Sobre Cesar Bravo

amplificador cesar bravoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D., 1618 e Amplificador.

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