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Crime SceneMúsica

Músicas incríveis inspiradas por crimes reais

Uma playlist matadora para embalar suas leituras

09/11/2023

Há compositores que se inspiram no amor, há aqueles que se inspiram na fossa e há também quem use a vida real, nua e crua, como material para escrever canções. Tem também quem vá além e se baseie em crimes reais na hora de compor suas letras. A seguir, uma listinha de grandes canções inspiradas nos mais terríveis casos policiais.

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“Nebraska”, de Bruce Springsteen

“I saw her standin’ on her front lawn/ Just a-twirlin’ her baton/ Me and her went for a ride, sir/ And ten innocent people died/ From the town of Lincoln, Nebraska/ With a sawed-off .410 on my lap/ Through to the badlands of Wyoming/ I killed everything in my path”

Faixa que dá título a um dos álbuns mais soturnos do Boss, “Nebraska” conta a história de Charles Starkweather, um jovem de 19 anos que, junto com sua namorada de 14, Caril Ann Fugate, iniciou uma onda de assassinatos nos estados norte-americanos de Nebraska e Wyoming no final dos anos 1950. Para escrever a letra, Springsteen pesquisou extensivamente o caso, misturando elementos do filme Badlands, de Terrence Malick, de 1973. Vale frisar que o disco inteiro fala sobre criminosos e pessoas desesperadas

“Polly”, do Nirvana

“Got some rope, haven’t told/ Promise you, have been true/ Let me take a ride, cut yourself/ Want some help, please myself”

Uma das músicas mais famosas do trio de Seattle foi composta por Kurt Cobain após ler uma matéria num jornal, bem na época em que o Nirvana estava finalizando o álbum de estreia, Bleach, em 1989. A faixa foi inspirada por Gerald Friend, suspeito do caso Green River Killer, que sequestrou e abusou de uma adolescente que aceitou carona dele após um show de rock em 1987. A música acabou sendo lançada em Nevermind, disco mais importante da banda, em 1991.

O mesmo caso, aliás, inspirou a ótima “Deep Red Bells”, de Neko Case.

“Son of Sam”, de Elliott Smith

“Son of Sam/ Son of the shining path, the clouded mind/ The couple killer, each and every time”

Ok, ok, aqui eu me permiti fugir um pouco do tema. Apesar do título, a música, lançada em 2000, não é exatamente sobre o serial killer apelidado de Filho de Sam, David Berkowitz. Para Elliott Smith, a música era sobre um sonho e, sim, há figuras destrutivas nela. Mas fica a menção na lista pelo título explícito, vai.

“Jenny Was a Friend of Mine”, do The Killers

Tell me what you want to know/ Oh come on, oh come on, oh come on/ There ain’t no motive for this crime/ Jenny was a friend of mine/ So come on, oh come on, oh come on

O vocalista do The Killers, Brandon Flowers, sempre se inspirou em Morrissey para escrever canções sobre assassinatos. Assim, “Jenny Was a Friend of Mine” é apenas uma das três canções da chamada “trilogia do assassinato” da banda. A música lançada no incensado álbum Hot Fuss, de 2004, se baseia no assassinato de Jennifer Levin, de 18 anos, por Robert Chambers, em Nova York, em 1986. 

“Pumped Up Kicks”, do Foster The People

“All the other kids / With the pumped up kicks/ You better run, better run,/ Faster than my bullet”

Essa é aquela música que engana todo mundo: por trás das batidas animadinhas, uma verdadeira tragédia é narrada. Inspirada no massacre de Columbine, a letra da música descreve um tiroteio em uma escola pelo ponto de vista do atirador, detalhando seus supostos motivos e planos de ataque. A faixa chegou a ser banida de algumas rádios norte-americanas.

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“Annie Christian”, de Prince

“Annie Christian wanted to be number one/ But her kingdom never comes, thy will be done/ She couldn’t stand the glory, she would be 2nd to none/ The way Annie tells the story, she’s his only son/ Annie Christian wanted to be a big star/ So she moved to Atlanta and she bought a blue car/ She killed black children, and what’s fair is fair/ If u try and say you’re crazy, everybody say electric chair/ Electric chair”

Prince Rogers Nelson não se baseou em um, mas em três crimes para escrever “Annie Christian”, do ótimo álbum Controversy, de 1981. Associando os assassinatos de crianças negras em Atlanta de 1979 a 1980, o assassinato de John Lennon por Mark Chapman e a tentativa de assassinato do presidente Ronald Regan, a faixa juntou três crimes que assolaram os Estados Unidos como uma forma de Prince investigar o mal inerente à condição humana.

“Smooth Criminal”, de Michael Jackson

“As he came into the window/ It was the sound of a crescendo/ He came into her apartment/ He left the bloodstains on the carpet”

Antes de virar uma das músicas mais famosas — e das melhores também — de Michael Jackson, “Smooth Criminal” foi temporariamente batizada de “Al Capone”, em homenagem ao mafioso ítalo-americano. A versão final, produzida com maestria por Quincy Jones (e citada por Kendrick Lamar em King Kunta) foi inspirada pelos crimes de Richard Ramirez. Conhecido como Night Stalker, entre os anos de 1984 e 1985, Richard Ramirez invadiu casas e estuprou e assassinou mais de 15 crianças e adultos. 

“Zombie”, do Cranberries

“Another head hangs lowly/ Child is slowly taken/ And the violence caused such silence/ Who are we mistaken?”

O hit radiofônico, alçado pela interpretação dramática de Dolores O’Riordan, foi inspirado por um bombardeio provocado pelo Exército Republicano Irlandês, o IRA, na Inglaterra, em 1993. O grupo plantou duas bombas em latas de lixo em uma rua movimentada, matando Jonathan Ball, de 3 anos, e Tim Parry, de 12 anos. “Esta canção é o nosso grito contra a desumanidade do homem para com o homem; e a desumanidade do homem para com a criança”, disse a vocalista. 

“Suffer Little Children”, do The Smiths

“Lesley-Anne, with your pretty white beads/ Oh John, you’ll never be a man/ And you’ll never see your home again/ Oh Manchester, so much to answer for/ Edward, see those alluring lights?/ Tonight will be your very last night/ A woman said: ‘I know my son is dead’/ ‘I’ll never rest my hands on his sacred head’”

Uma das primeiras músicas que Morrissey e Johnny Marr escreveram juntos, “Suffer Little Children” teve sua letra inspirada nos chamados Moors Murders após seu autor ler um livro sobre os crimes cometidos por Ian Brady e Myra Hindley, em Manchester, na Inglaterra, entre 1963 e 1965. As vítimas eram cinco crianças e adolescente, entre 10 e 17 anos, mais ou menos da mesma idade de Moz, que também é de Manchester, na época. Pelo menos quatro delas foram abusadas sexualmente e um dos corpos jamais foi encontrado.

“Let Him Dangle”, de Elvis Costello

“Bentley said to Craig ‘Let him have it Chris‘/ They still don`t know today just what he meant by this/ Craig fired the pistol, but was too young to swing/ So the police took Bentley and the very next thing/ Let him dangle/ Let him dangle”

Derek Bentley foi condenado à morte e acabou enforcado pelo assassinato do policial Sidney Miles durante uma tentativa de roubo, na Londres de 1952. Mas não foi ele que disparou o tiro fatal, mas sim seu cúmplice, o menor de idade Christopher Craig. Na época, sua sentença de morte foi contestada, e Elvis Costello resolveu escrever a música, do ótimo álbum Spike, como um a contestação da pena capital. 

“Black Parade”, de Beyoncé

“A world that sends you reelin’/ From decimated dreams/ Your misery and hate will kill us all/ So paint it black and take it back/ Let’s shout it loud and clear/ Defiant to the end, we hear the call”

Lançada de surpresa no dia em que se comemora a abolição da escravatura nos Estados Unidos, 19 de junho de 2020, o single de Beyoncé faz referência ao assassinato de George Floyd por policiais pouco menos de um mês antes. Floyd foi detido depois que um balconista disse que ele fez uma compra usando uma nota falsa de 20 dólares. O homem negro de 46 anos havia sido rendido, algemado e deitado de bruços no chão quando o policial Derek Chauvin ajoelhou em seu pescoço por mais de nove minutos. Suas últimas palavras antes de morrer asfixiado foram “eu não consigo respirar”. O caso de brutalidade policial foi o estopim para o movimento Black Lives Matter.

Já aproveita para dar o play nessas e em outras músicas que são a cara do selo Crime Scene:

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Sobre Liv Brandão

Avatar photoJornalista, criadora de conteúdo e roteirista. Passou por veículos como O Globo e UOL sempre falando de cultura e entretenimento. É especialista em séries de TV, mas também fala de filmes, música, literatura e o que mais vier.

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