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Nos primórdios do cinema: O que eram os cinetoscópios

Em Cinema Panopticum uma menina assiste a projeções nos aparelhos

Em Cinema Panopticum, de Thomas Ott, o leitor é guiado por uma jovem garota e sua curiosidade até uma cabine escura repleta de caixas com pequenos filmes. Alguém acostumado com os megalomaníacos multiplex dos tempos de hoje pode até estranhar, mas houve uma época em que esta era a única maneira de assistir a filmes – ou pelo menos a um protótipo deles.

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Em sua obscura história, marcada pelo silêncio e pelos contrastes de sombra e luz, Thomas Ott transporta o leitor à época dos cinetoscópios, dispositivos que precederam a projeção de filmes como conhecemos hoje. Em vez de uma sala de cinema com centenas de pessoas, a experiência de ver as imagens em movimentos era muito mais minimalista e intimista.

Oficialmente, o nascimento do cinema ocorreu em 1895, quando os irmãos Lumière patentearam e fizeram a primeira demonstração pública do cinematógrafo. O filme de apenas cinquenta segundos gravado por Louis Lumière mostra um trem chegando a uma estação – o que assustou a plateia, convencida de que seria atropelada.

Mas as tentativas de capturar imagens em movimentos já ocorriam na década anterior à estreia dos Lumière. A ideia de recortar fotografias em sequência em um celuloide comprido já existia desde 1889 graças a Henry M. Reichenbach, que trabalhava para a Kodak. Dois anos depois, surgiriam os primeiros cinetoscópios, ou pelo menos o projeto deles.

O surgimento do cinetoscópio

Créditos: Imagem de domínio público

Em 1888, Thomas Edison ficou impressionado com os achados do fotógrafo Eadweard Muybridge sobre a captura e a reprodução de imagens em movimento. Naquele mesmo ano, registrou a intenção para patentear um dispositivo capaz de “fazer para os olhos o que o fonógrafo fazia para os ouvidos”. A ideia original era criar um sistema capaz de reproduzir audiovisual. No ano seguinte, sem a parte do som, era registrado o cinetoscópio.

Em 1889, Thomas Edison designou o engenheiro-chefe de sua equipe, chamado William Dickson, para criar tal dispositivo, provavelmente por causa de seu histórico com fotografia. Apesar da invenção ser totalmente creditada a Edison, há um consenso histórico de que os créditos não podem ir totalmente para uma pessoa. A concepção até pode ter partido dele, mas foi graças a Dickson e à sua equipe que o cinetoscópio se tornou uma realidade.

O aparelho consistia em um dispositivo no estilo peep-show, em que apenas uma pessoa por vez espiava por um buraco no topo do cinetoscópio. Ele comportava rolos de filme de até um metro e meio que criavam a ilusão de movimento a partir de imagens fotografadas em sequência sobre uma fonte de luz com um obturador de alta velocidade.

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Dos laboratórios para o público

Créditos: Imagem de domínio público

A estreia do primeiro cinetoscópio realmente pronto ocorreu no Instituto de Artes e Ciências do Brooklyn, em maio de 1893 – e não na Feira Mundial de Chicago, como era o objetivo inicial. As primeiras produções mostravam mulheres dançando, homens trabalhando ou animais.

Levou mais um ano até que o primeiro estabelecimento público destinado a cinetoscópios fosse aberto, em Nova York. O local tinha dez máquinas, cada uma exibindo um filme diferente. O ingresso de 25 centavos dava direito a assistir a cinco filmes, 50 centavos davam acesso a todas as produções.

Vale destacar que em 1894 pagar 25 centavos para apenas alguns minutos de entretenimento passava longe de ser uma diversão barata. Pelo mesmo preço era possível comprar um ingresso para alguma grande apresentação nos teatros vaudeville

No ano seguinte, quando o primeiro parque de diversões dos Estados Unidos foi inaugurado em Coney Island, os mesmos 25 centavos cobriam passeios em três atrações, assistir a um show com leões marinhos e frequentar uma pista de dança. Ainda assim, os cinetoscópios foram um sucesso imediato e em poucos meses se expandiam para as cidades de Chicago e São Francisco.

Créditos: Imagem de domínio público

Durante todo o ano de 1894, os cinetoscópios se tornaram uma atração bem lucrativa e se expandiram para a Europa. A ausência de uma patente internacional por parte de Edison facilitou a popularização do equipamento, que logo foi produzido por outras empresas – e aprimorado por outros inventores.

Em 1895 surgia o cinematógrafo dos irmãos Lumière, que inauguraria o que hoje chamamos de cinema. O reinado dos cinetoscópios pode até parecer breve, quando observado com mais de um século de distância. Mas se hoje podemos assistir às grandiosas e barulhentas produções de Hollywood em IMAX, é porque há muitos anos uma equipe deu um jeito de reproduzir imagens minúsculas e silenciosas dentro de um aparelho repleto de magia.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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