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Cesar Bravo From HellFilmesListas

O incrível mundo dos filmes que poderiam não ter existido

Produções que possivelmente seriam canceladas hoje

Se você está descobrindo o horror agora, ou mesmo se já o conhece há algum tempo e o ama de paixão, talvez tenha se perguntando qual o motivo para o verdadeiro tsunami de remakes da última década. Afinal de contas: por que o horror gosta tanto do passado? E caso você seja um consumidor de horror bastante sagaz, certamente evoluiu dessa para a próxima questão: por que 1980?

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Eu poderia escrever que os 1980 foram os anos de ouro, que as mentes criativas eram mais comuns no cinema e na literatura. Poderia inclusive dizer que tínhamos um novo rei chamado Stephen King puxando as cordas das marionetes atrás das cortinas. Mas o fato, a dura verdade, é que em 1980 tudo era permitido, uma estranha estratégia que conseguiu por alguns anos aliar o risco de prejuízo financeiro e a magia do cinema em uma mesma fita de VHS.

Infelizmente para alguns e felizmente para muitos, o mundo moderno parece ter se esquecido de tocar as feridas mais profundas de nossa sociedade para que o sangue verta em abundância. Evidentemente toda regra tem exceção, mas não estamos aqui para falar delas. Estamos aqui para falar de pontos de vista, cancelamentos e correntes de amor e ódio. “Oh não, Cesar está exagerando”, um leitor dessa coluna poderia dizer. Nesse caso, só me resta ir aos fatos, listando alguns clássicos do horror e seus (imperdoáveis) pecados capitais que os fariam jamais chegar às telas modernas.

Caso 1 – O Maníaco (1980)

Se você não viu esse filme com Joe Spinell, possivelmente vai ter reações bastante desconfortáveis ao presenciar a história mais emocional de serial killers já proposta. É bonita? Não. É dolorosa? Muitíssimo. É inesquecível? O bastante para merecer um remake.

O título é autoexplicativo, mas vamos descompactar pra você: um maníaco sexual sequestra mulheres, as escalpela e faz de sua casa um inferno doentio de dor. E Tom Savini tem sua cabeça explodida por uma espingarda

O Maníaco
Magnum Motion Pictures Inc.

Caso 2 – Uma noite Alucinante: A morte do Demônio (1981)

Esse todo mundo conhece, mas me digam com sinceridade: qual é a chance de uma natureza maligna fazer “o que foi feito naquele filme” diante das câmeras, nos dias de hoje? Exatamente… Cancelado.

Uma Noite Alucinante
Renaissance Pictures

Caso 3 – Os filhos do medo (1979)

Bom, quem dirigiu a pérola foi o mestre do body horror, David Cronenberg. A história é perturbadora do começo ao fim, mas vamos citar apenas gestações bizarras, crianças assassinas e perigosas e distorções da psiquiatria convencional. O filme era tão pancada que sofreu cortes suficientes para deixar a história difícil de ser montada no final da produção.

Os filhos do medo
© 1979 New World Pictures

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Caso  4 – Videodrome: A Síndrome do Vídeo (1983)

Ok, David Cronenberg de novo. O filme tem cenas de tortura sexual pesadas, uma vagina no peito do James Woods e uma arma que dispara câncer. Melhor parar por aqui para não estragar o passeio, mas vocês me entenderam… Cancelado.

Videodrome
© Universal Pictures

Caso 5 – Na Hora da Zona Morta (1983)

O longa estrelado por Christopher Walken é baseado em Stephen King, mas mesmo assim: alguém consegue imaginar um filme em que o sujeito tenha permissão popular para assassinar o presidente? Enfim…

Na hora da zona morta
Dino De Laurentiis Company

Caso 6 – A Maldição dos Mortos-Vivos (1988)

Um dos meus preferidos de Wes Craven fala sobre magia vodu haitiana, que nos longínquos e depravados anos 1980 era chamada de magia negra e… pronto. Cancelado. Sim, crianças do horror, seria cancelado sim. Não só pelo mau uso do termo como pelas ideias embutidas ao longo do filme. Próximo da lista.

A maldição dos mortos-vivos
© Universal Pictures

Caso 7 – A Hora dos Mortos-Vivos (1985)

Essa produção memorável talvez passasse batido no esquadrão do corte, mas (in)felizmente Start Gordon decidiu colocar a cabeça decepada e reanimada — e ainda inteligente e capaz de falar — de David Gale entre as pernas da eterna musa Barbara Crampton (oh, tem um detalhe: ela estava nua e imobilizada em uma maca). O filme todo é um delírio lovecraftiano, e possivelmente jamais existia no mundo atual da forma como foi concebido.

A hora dos mortos-vivos
© 1985 Empire Pictures

Caso 8 – O Exorcista (1973)

Clássico supremo de William Peter Blatty dirigido por William Friedkin, todo fã de horror conhece a história: uma menina possuída tentando se livrar do demônio. O longa foi estrelado por Linda Blair, que na época tinha apenas 14 anos. Refrescando nossa memória, Linda desfila palavrões, sofre malabarismos (a cena onde ela é chacoalhada na cama lhe rendeu uma fratura na coluna, que evoluiu a uma escoliose), e simula ser profanada por um crucifixo enquanto diz palavras nada gentis a Jesus Cristo. Responda sinceramente, quais as chances desse filme ser concebido atualmente?

O Exorcista
© 1973 – Warner Bros. Entertainment

Caso 9 – Desejo de Matar (1974)

Bem, chegou o momento de falar da saga mais popular de Charles Bronson — para os mais surpresos com o filme constar nessa lista, Desejo de Matar tem muito sangue e violência desmedida, então é horror. A verdade é que qualquer filme dessa franquia seria rejeitado pelos padrões atuais, afinal de contas, são de fato produções em que a população das ruas é tratada e vista como culpada por todos os problemas de violência da cidade. Além disso, quase todos os filmes da franquia terão uma cena de estupro bastante explícita e assassinatos super criativos.

Desejo de matar
© Paramount Pictures

Evidências Extras – Qualquer produção da Cannon Films

Aqui precisamos abrir uma categoria só pra eles, afinal de contas, a premissa básica da Cannon para filmes de horror era: peitos, violência sexual, violência genérica, tiroteios e apelação gráfica (some aqui bombas, decapitações, acidentes de carro, carros capotando, mais peitos, mais nudez, mais um pouco de peitos, talvez uma bunda murcha masculina, a infame “bunda de fumante”). Na lista da Cannon você encontra desde Braddock: O Super Comando e O Último Americano Virgem até Massacre da Serra Elétrica 2 e Invasores de Marte. Resumindo, é um reino proibido de músculos, peitos, tiroteios e sangue.

Depois dessa visita ao passado, fica bastante claro que uma parte importante do sucesso da década se deve à liberdade de criação, aliada a uma alta dose de irresponsabilidade, e acrescida de um certo despreparo em um mercado audiovisual faminto que ainda dava seus primeiros passos. Notem ainda que essa matéria não trouxe nada de Takashi Miike, giallos italianos ou as inumeráveis pérolas indianas ou do oriente médio. Nessa lista não coloquei nem mesmo Canibal Holocausto, Mad Max ou Faces da Morte.

De toda forma, os anos 1970-1980 sempre foram e sempre serão celeiros de ideias. As produções daquela época tinham muito de mergulhar em si mesmo, em nossas próprias mentes, de submergir sem que a nossa consciência nos impedisse de ir fundo demais. Embora o novo senso censuro-castrador seja bastante útil e pertinente na vida social como um todo, talvez ainda chegue o momento em que vamos nos perguntar: “Aonde a ousadia foi parar? Ainda somos capazes de chegar tão longe? De aceitar de peito, mente e corações abertos o que o horror do outro se propõe a nos dizer?”

Eu espero que sim, meus amigos. Eu espero mesmo que sim.

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*O texto se concentra apenas em uma pequena lista dos filmes mais conhecidos, mas, como exercício, faça uma pequena expedição ao cinema de horror dos anos 1980. Eu garanto que, no final das contas e com o devido temperamento, você vai se divertir muito.

Sobre Cesar Bravo

Avatar photoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D. e 1618.

1 Comentário

  • Giani Plata

    3 de outubro de 2022 às 12:50

    Oi, Tio Cesar!
    Eu vi alguns desses filmes quando era criança! Kkkk
    Lembro de morrer de medo dos demônios do filme uma noite alucinante, mas mesmo assim vi várias e várias vezes!
    Acho que não fiquei com nenhuma sequela, pelo menos o psiquiatra ainda não detectou nada…
    Beijos sangrentos da sua discípula mais corajosa!

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