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O que é mukbang e qual a sua relação com o terror?

Conheça esse fenômeno indigesto

Comer faz parte da vida, sendo fundamental para a experiência e sobrevivência humana. Afinal, não conseguimos nos manter vivos sem comida, não é mesmo? Seja pelo propósito nutritivo, de sociabilidade ou lazer, comer é algo central para os seres humanos. Por isso não é de se estranhar que de uns tempos para cá a internet tenha vivenciado o boom de um novo gênero de vídeos focados justamente em… assistir pessoas comendo: o mukbang. 

LEIA TAMBÉM: POR QUE O CANIBALISMO FASCINA AS PESSOAS?

Se você não tem ideia do que estamos falando, não se preocupe que a Caveira explica para você. A palavra mukbang é a união de duas palavras coreanas: muk-ja, “vamos comer”, e bang-song, “transmitir”. É um gênero de vídeos, ao vivo ou gravados, em que o apresentador consome grandes quantidades de comida em frente à câmera enquanto interage com o público. O tipo de comida consumido é variado, desde pizza e macarrão até iguarias regionais e de nacionalidades diferentes.

O estilo se originou na Coreia do Sul por volta de 2010 e logo se espalhou para o restante do mundo, convertendo-se em um fenômeno mundial que transformou produtores de conteúdo em celebridades com milhões de seguidores e se mostrando uma fonte de renda bastante lucrativa.

Mas o que explicaria esse fascínio em assistir estranhos comendo grandes quantidades de comida em frente às câmeras? Segundo neurocientistas, a resposta está em uma combinação de fatores sensoriais, psicológicos, emocionais e até mesmo neurológicos. 

Grande parte da explicação neurológica está no ASMR (em tradução livre: resposta sensorial autônoma do meridiano) que tais vídeos podem proporcionar. ASMR é comumente descrita como uma sensação de formigamento na parte de trás da cabeça ou no pescoço, que muitas pessoas acham relaxante e agradável. Sons familiares como mastigação ou imagens de mukbang podem desencadear ASMR para muitos espectadores. 

Outras explicações residem no social, como o fato de tais vídeos aliviarem os sentimentos de solidão dos espectadores, e também na questão cultural e educacional, como a apresentação de alimentos e pratos regionais específicos. 

mukbang

É claro que o fenômeno não é isento de críticas. Muitos especialistas apontam que o mukbang pode desencadear transtornos alimentares, substituir experiências sociais e que espectadores, assim como produtores, podem potencialmente desenvolver hábitos alimentares pouco saudáveis. 

Apesar das críticas e da estranheza que muitas pessoas sentem perante essa popularidade, aparentemente os vídeos de mukbang vieram para ficar. Para além do conteúdo, eles também podem ser encarados como um bom exemplo de como as redes sociais, e a internet no geral, não apenas modificaram nossos hábitos como também influenciaram nosso comportamento em relação à comida

Mukbang e filmes de terror: O que eles têm em comum?

O ato de comer sempre esteve presente no cinema de horror. Em 1931, o icônico vampiro criado por Bram Stoker se banqueteia com o sangue de suas vítimas na adaptação da Universal de Drácula. Os zumbis de George Romero em A Noite dos Mortos-Vivos e O Despertar dos Mortos enxergam os seres humanos como comida ambulante. Em 1991, o doutor Hannibal Lecter conta para Clarice como combinava o fígado com um bom Chianti em O Silêncio dos Inocentes

o silencio dos inocentes

Esses momentos fazem muito sentido quando pensamos que filmes de horror mexem com os medos humanos mais básicos: morrer, sentir dor e até mesmo ser transformado em comida. Contudo, o horror vai muito além de brincar com nossas inseguranças. Ele também nos faz confrontar tabus e normas sociais. 

Por isso, é tão comum no gênero cenas em que os personagens se alimentam de coisas que nossa cultura considera coletivamente inaceitáveis: sangue, vômito, fezes e carne humana. Filmes que abordam canibalismo não faltam no horror, indo do clássico O Massacre da Serra Elétrica até o contemporâneo Raw, por exemplo. Nisso, o horror enoja seu espectador com imagens extremamente viscerais, como sangue, tripas e intestinos. 

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E onde entra o mukbang nessa história toda? Bem, como vimos, o ato de comer pode e frequentemente é transformado em algo aterrorizante e até mesmo abjeto pelo cinema de horror, com personagens comendo carne humana, cadáveres, tripas, comida apodrecida ou até mesmo se tornando refeição para outros

Mas além disso, existem filmes que utilizam o hábito de comer em demasia para compor cenas chocantes e apavorantes. Encontramos o exemplo mais óbvio em Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995), em que um assassino em série comete crimes inspirados nos sete pecados capitais. Quando chega na gula, ele força um homem obeso a comer até seu estômago estourar.

seven

Em A Hora do Pesadelo 5: O Maior Horror de Freddy (1989), a aspirante a modelo Greta é forçada a comer seus próprios órgãos até suas bochechas incharem, em uma cena bastante desagradável. É claro que Freddy não perde a chance de ridicularizá-la e fala: “você é o que você come!”.

Já na antologia Contos do Dia das Bruxas (2007), Charlie é uma criança com sobrepeso que é pega no flagra roubando doces da varanda do diretor da escola, Steven Wilkins, na noite do Halloween. Wilkins oferece ao menino uma barra de chocolate enquanto lhe dá um sermão sobre a importância de respeitar as regras e tradições da comemoração. A surpresa vem quando Charlie começa a passar mal e vomitar chocolate com sangue, descobrindo que o amável diretor tinha misturado cianeto no doce. 

contos do dia das bruxas

O filme espanhol O Poço (2019) também causa desconforto por meio da alimentação excessiva. Em uma prisão vertical com 333 andares, cada andar é habitado por duas pessoas. Toda a população carcerária é alimentada por uma mesma plataforma, que começa no topo, cheia de comida, e vai descendo, parando por um período limitado em cada nível. O grande problema é que os residentes de cima comem o máximo que puderem, até mais do que é necessário, enquanto os de baixo ficam sem comida. 

Outra cena marcante acontece em Conta Comigo (1986), clássica adaptação do conto de Stephen King. Ao redor da fogueira, Gordie conta a história fictícia de um garoto acima do peso que era constantemente humilhado e resolve buscar vingança em um concurso de comer tortas. A nojeira acontece quando, após se empanturrar de tortas, ele começa a vomitar e induz o vômito em todos os presentes.

conta comigo

E aí, ficou com fome? 

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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