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Por que as bruxas foram demonizadas ao longo da história?

Grimório das Bruxas aborda bruxaria real praticada ao redor do mundo.

A definição histórica de “bruxa”, como citada por Ronald Hutton em seu livro Grimório das Bruxas, é a de “alguém que cause mal aos outros por meios místicos”. Porém, este conceito sombrio de magia não deve ser confundido com a nossa definição moderna de religiões pagãs baseadas na natureza. O autor faz questão de destacar esta distinção em sua obra.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: GRIMÓRIO DAS BRUXAS, POR RONALD HUTTON

Nas caçadas às bruxas em países como Islândia e Escócia, bruxas e bruxos (nem sempre eram mulheres, mas elas foram notoriamente mais perseguidas e punidas) eram pessoas que supostamente causavam infortúnios aos seus vizinhos. Estas pessoas eram, portanto, consideradas uma ameaça à sua comunidade.

A pesquisa de Hutton sugere que bruxas existiram – e existem – em todos os continentes habitáveis e através da maioria das sociedades humanas. Apesar das várias diferenças culturais em seus costumes e práticas, a ideia de pessoas que utilizam a magia para causar mal a outras é comum a todas. Mesmo que a perseguição a elas seja comum na maioria das localidades, foi a Europa a principal responsável pela demonização dos praticantes de magia.

Desde quando existe a bruxaria?

Para entender como as bruxas se tornaram inimigas públicas nº 1, é preciso retroceder alguns séculos e conhecer sua origem histórica. As bruxas e bruxos mais antigos usavam feitiços e invocavam espíritos para pedir ajuda. Porém, acreditava-se que estas pessoas estariam a serviço do diabo.

É incerto o momento exato em que as bruxas entraram na história, mas um dos registros mais antigos delas se encontra na Bíblia no livro de Samuel, que acredita-se ter sido escrito entre 931 A.C. e 721 A.C., e conta a história de quando o rei Saul procurou a bruxa de Endor para invocar o espírito do falecido profeta Samuel, que o ajudaria a derrotar o exército filisteu.

A bruxa teria acordado Samuel de seu sono eterno e o profeta teria então previsto a morte de Saul e de seus filhos. A Bíblia diz que no dia seguinte os filhos de Saul morreram em combate e o rei cometeu suicídio.

Outro versículo bíblico que cita a bruxaria está no livro Êxodo, que conta a história de como os israelitas fugiram da escravidão no Egito. O versículo diz “tu não deverás permitir que uma bruxa viva”. Outras passagens da Bíblia ainda alertam sobre adivinhações, cânticos ou usar bruxas para contatar os mortos.

Como a perseguição se popularizou

Bruxas

Vários povos não tinham qualquer tipo de problema com a bruxaria, como os egípcios, os celtas e tribos nômades. Porém, na metade do século XV a histeria em torno das bruxas e sua suposta associação com satanismo desencadeou uma perseguição sem precedentes – e que resultou em estigmas levados a sério até hoje.

LEIA TAMBÉM: CAÇA ÀS BRUXAS NA ÁFRICA: PROBLEMA PERSISTE EM PLENO SÉCULO XXI

Isso ocorreu no mesmo momento em que os romanos expandiram seu império sobre o continente e o cristianismo se tornou a religião dominante. A Igreja Católica ditava as leis e passou a considerar adivinhação e rituais mágicos heresia, o que iniciou as caçadas em países como Itália e Espanha.

Os missionários que pregavam em áreas afastadas começaram a associar infortúnios a uma conspiração satânica, o que espalhou ainda mais o pânico entre camponeses. Em um século, as caças às bruxas se tornaram comuns e seus principais alvos se tornaram mulheres solteiras, viúvas, ou qualquer outra que vivesse à margem da sociedade. Elas eram torturadas para confessar sua bruxaria e depois eram assassinadas por enforcamento ou queimadas em fogueiras.

A publicação do livro Malleus Maleficarum, escrito por dominicanos alemães em 1486, padronizou e viralizou a perseguição. Conhecido como “O Martelo das Bruxas”, o livro se tornou um guia de como identificar e caçar bruxas.

Uma segunda onda de caça às bruxas surgiu no final do século XVI, com o surgimento do movimento protestante. Na Inglaterra, a Igreja Anglicana passou a considerar qualquer tipo de magia heresia e defendia que bruxas eram iludidas pelo diabo. Tanto católicos como protestantes perseguiram com ainda mais brutalidade as supostas praticantes de bruxaria, ampliando esta perseguição a suas colônias na América do Norte.

Entre os anos de 1500 e 1660 cerca de 80 mil pessoas acusadas de bruxaria foram mortas na Europa. Aproximadamente 80% delas eram mulheres supostamente luxuriosas e em conspiração com o diabo. 

A bruxaria nos dias atuais

Quase meio milênio já se passou e o que não morreu foi o estigma em torno da bruxaria, que ainda causa perseguição e morte de pessoas em várias partes do mundo. Praticantes de magia do mundo moderno ainda sofrem com o estereótipo de uma caçada que dizimou dezenas de milhares de vidas.

A wicca é uma das práticas unificadas relacionadas à bruxaria mais populares atualmente. Seus seguidores, no entanto, evitam o mal a todo custo. Seu lema é “não prejudicar ninguém”, e os wiccans buscam ter uma vida pacífica, equilibrada, tolerante e sincronizada com a natureza e a humanidade.

Grimório das Bruxas se torna um livro essencial não apenas pelo seu registro histórico da bruxaria. Ele é um alerta sobre a demonização do “outro”, daquele que é diferente. Podemos até ter evoluído no nosso conceito de bruxas, mas as caçadas continuam com novos alvos, principalmente nas sociedades em que se recusam a mudar.

LEIA TAMBÉM: AFINAL, O QUE SIGNIFICA SER UMA BRUXA NOS TEMPOS ATUAIS?

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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