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Quem é Alexis Henderson, autora de The Year of the Witching

Histórias fantasmagóricas alimentaram a imaginação da escritora por anos.

Crescer em uma das cidades mais assombradas dos Estados Unidos certamente contribuiu com a narrativa macabra de Alexis Henderson. A escritora de Savannah, localizada no estado sulista da Georgia, é autora de The Year of the Witching (título ainda em tradução), que será publicado em breve pela DarkSide® Books

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Este é o livro de estreia de Henderson, que escreve ficção especulativa, fantasia macabra e terror cósmico. Os temas foram uma consequência natural da literatura que a autora já consumia, justamente pela natureza escapista deste tipo de ficção. “Eu acho que sou naturalmente atraída pela forma que a ficção especulativa me permite escapar dos debates deste mundo e entrar em outro. Então foi natural que quando chegou a hora de escrever minhas próprias histórias eu tenha pendido para a fantasia”, declarou em entrevista ao site BookPage.

O interesse por temas mais macabros veio da cidade de Savannah, onde Alexis Henderson cresceu. “Fui criada em uma dieta estável de histórias de fantasmas e de histórias populares sulistas, e tudo isso definitivamente inspirou alguns dos temas misteriosos e góticos que são tão predominantes em The Year of the Witching”, explica. 

Esta peculiaridade ocorre pelas pessoas de lá darem um peso muito maior à religião, dando margem a mais superstições do que em outras localidades. As igrejas são mais do que instituições religiosas, elas são os verdadeiros fundamentos da comunidade e moldam a forma como as pessoas se comportam e no que acreditam.

Bruxaria, feminismo e sacrifícios de sangue

Em The Year of the Witching, Henderson ambienta sua narrativa na fictícia cidade de Bethel, onde a palavra do pastor é a lei e a mera existência de alguém fruto de um relacionamento interracial é uma blasfêmia. A história flutua por temas que vão desde a distopia feminista O Conto da Aia, de Margaret Atwood, até o sinistro filme A Bruxa, de Robert Eggers.

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A escritora emprega motivos viscerais e sangrentos em sua trama, em uma alusão à magia dos sacrifícios de sangue. “Eu queria brincar com a ideia de que a criação (e o poder para isso) exige um sacrifício de sangue. Eu acredito que a menstruação seja simbólica quanto a isso, assim como os sacrifícios de animais que as pessoas de Bethel fazem para ganhar a simpatia e o perdão do Pai Sagrado que eles veneram”, defende a autora.

Desta forma, Alexis defende que a magia não é algo exclusivamente feminino, mas que tais sacrifícios são necessários e manifestados de diversas formas – desde a menstruação até o sangue derramado em batalhas. “No fim das contas, cada ato de sacrifício pode ser resumido a uma verdade simples: o sangue constrói o poder”.

Na história, a escritora mistura figuras conhecidas da bruxaria, como Lilith, com divindades criadas por ela própria, inspirada pelas convenções do gênero de terror. Henderson explica que Jael, Mercy e Delilah surgiram de reminiscências de sua mente e que a “visitaram” individualmente no processo de criação do livro.

Apesar de lidar com fantasia, há aspectos da nossa sociedade que inspiraram The Year of the Witching. Estruturas religiosas e de binariedade social são responsáveis pela disfunção e morbidez de Bethel, algo que ditou e ainda dita os rumos da sociedade em diversos locais. 

“Eu busquei muita inspiração na minha vida e no meu fascínio pelo trauma transgeracional e pela forma como pecados e vícios podem ser passados podem passar de uma geração para a próxima”, esclareceu a autora. “Eu queria saber se era possível para uma pessoa desafiar completamente as circunstâncias de seu nascimento e, ao fazer isso, libertar-se dos fantasmas do passado”.

Estreia durante a pandemia

Todo autor estreante é colocado diante dos desafios do lançamento de um livro, da aceitação do público e da crítica. Para Alexis Henderson houve outro fator agravante: a pandemia de covid-19.

A escritora contou que já esperava que promover um trabalho próprio fosse um tanto estranho, mas que a pandemia deixou esta tarefa ainda mais esquisita. “Eu sempre me preocupo que ao pedir que as pessoas prestem atenção ao meu livro eu esteja desviando a atenção delas de assuntos mais importantes”.

Apesar disso, ela define que há algo muito significativo e até mesmo humilde em estrear durante um evento histórico tão importante. “Sou imensamente grata que a publicação do meu livro me ofereceu alguma luz nestes tempos cada vez mais difíceis”.

Atualmente Alexis Henderson vive em uma casa ensolarada em um pântano localizado em Charleston, na Carolina do Sul. Quando não está mergulhada na leitura, ela costuma pintar ou assistir filmes de terror com seu familiar felino. Apesar de ter acabado de lançar The Year of the Witching, a escritora já está fazendo suas bruxarias trabalhando na sequência da trama.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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