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Quem foi Rachel Pollack, escritora e quadrinista trans

Autora criou a primeira super-heroína trans e era amiga de Neil Gaiman

24/04/2023

No início do mês de abril, o mundo perdeu Rachel Pollack, criadora da primeira super-heroína trans da DC. Mas ela, em seus 77 anos de vida, fez muito mais. Mulher transexual, autora de quadrinhos e de mais de 40 livros, além de renomada taróloga, Rachel foi autora das HQs de Patrulha do Destino, que a própria DC Comics considera um divisor de águas na história da editora.

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“A DC está profundamente triste com a morte de Rachel Pollack. O trabalho pioneiro dela em Patrulha do Destino mudou a DC para sempre e inspirou toda uma geração de talentos, estabelecendo um novo padrão de ambição e experimentação”.

Não é para menos. Rachel assumiu Patrulha do Destino, do selo Vertigo — o mesmo que publicou Sandman, de Neil Gaiman (guarde esta informação) — entre 1993 e 1995. Durante sua gestão, a quadrinista explorou tópicos raramente abordados neste meio, como menstruação, identidade sexual e transexualidade. Isso tudo nos anos 1990!

Foi assim que surgiu Kate Godwin, a Coagula, nascida como Clark Godwin. A personagem, que não se sentia confortável no seu corpo de garoto, começou a transição de gênero na adolescência. Bullying e transfobia eram comuns em seu cotidiano — e Kate passou por terapia hormonal, cirurgia de redesignação sexual e de feminização, pagos com seu trabalho como programadora e prostituta. E foi assim que ela ganhou seus super poderes de liquefazer sólidos e solidificar líquidos com apenas um toque.

coagula
DC Comics/Reprodução

Com seus 41 livros, entre romances e poesias, Rachel ganhou prêmios como o Arthur C. Clarke Award, por Unquenchable Fire, e o World Fantasy Award, por Godmother Night. Ela também ficou conhecida por seus renomados livros sobre tarô, além de desenhar seus próprios decks de cartas.

“Escrevi ficção antes mesmo de escrever (ou mesmo saber) sobre o tarô”, dizia. “Meus seis romances (e cerca de trinta contos) incluem ficção científica, realismo mágico, contos de fadas e mistérios. O traço comum entre eles é o desejo de explorar a imaginação e como ela cria a realidade”. 

Seu primeiro livro de tarô, Setenta e Oito Graus de Sabedoria, lançado em duas partes em 1980 e 1983, é, até hoje, considerado um dos melhores manuais do gênero já escritos. E o trabalho com quadrinhos tem a ver com isso — já que Batman e o Coringa aparecem por lá.

“Eu adoto uma espécie de abordagem gnóstica para o Coringa, você sabe, a maneira como o diabo é um herói. Com Batman sendo tão correto e rígido, o Coringa se torna um herói. Acho que provavelmente chocou algumas pessoas”, brincou Rachel, certa feita.

“Eu queria escrever para pessoas que podem ou não saber nada sobre tradições esotéricas, mitologia ou história oculta, mas que tenham abertura e sensibilidade para essas formas de ver a vida e as imagens simbólicas (…) Eu queria fazer um livro que abrisse o tarô de uma maneira que as pessoas pudessem encontrar suas próprias vidas nele e, ao mesmo tempo, aprender sobre mundos além de sua experiência. Outra coisa que fiz e que acho que ninguém havia feito antes foi tratar os Arcanos Menores com a mesma seriedade e consideração que os Arcanos Maiores. Fiz essas coisas investigando as imagens, tornando as imagens primárias e olhando além dos símbolos para suas histórias”, disse ela, em entrevista ao site de Mary K. Greer.

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Amizade com Neil Gaiman

Foi assim que ela ficou amiga de Neil Gaiman (não falei para guardar a informação lá atrás?), que escreveu a introdução de The Vertigo Tarot, de 1995. Sobre a relação dos dois, o autor de Sandman brincava:

“Rachel é uma criatura do esotérico e eu sou um diletante e voyeur do esotérico”. Quando Rachel morreu, Gaiman escreveu belos votos. “Que você, seja lá quem você for, tenha uma vida como a de Rachel, que muda as pessoas. Uma vida em que você segue sua estrela e deixa um mundo mais interessante atrás de você. E que você, como Rachel, jamais perca o senso de humor”.

neil gaiman
Masterclass/Reprodução

Em uma entrevista, em 1994, Gaiman contou que recorreu a Rachel quando estava escrevendo Os Livros da Magia, no fim da década de 1980: “Eu tinha uma taróloga lá, Madame Xanadu, e queria que ela fizesse uma leitura que se aplicasse à história. E pensei, bem, quem eu conheço na área do tarô? Então eu me encontrei com Rachel em Londres, fomos a uma loja de tarô e pude vê-la ser tratada como rainha. Alguém disse ‘você é Rachel Pollack’ e a próxima coisa que eu sei é que ela estava assinando coisas, as pessoas faziam fila para dizer o quanto ela significava para elas e eu fiquei me sentindo como se tivesse ido conversar com um músico de rua e, ao tocar alguma coisa, percebesse que ele é o Elvis Costello”, disse.

Segundo Zoe Martoff, empresária e viúva de Rachel, a escritora e taróloga “morreu de forma pacífica e bonita”, durante uma cerimônia chamada “Mão ao Coração”:

“Vários de nós fizemos um círculo. Eu coloquei minha mão sobre o coração dela e comecei o círculo dizendo o quanto eu a amava e o que ela significa para mim. Cada um teve a chance de fazer o mesmo, compartilhando seus próprios sentimentos por Rachel”, descreveu. “Sei que Rachel vai continuar a ser luz nesse mundo e no próximo. Ela vai continua a inspirar nossa amada comunidade do tarô, a comunidade da ficção científica e da fantasia, a comunidade dos quadrinhos e a comunidade transexual, pela qual tinha ela tinha muito respeito e cuidado.”

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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