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Série Wayfarers: a ficção científica com representatividade

Becky Chambers criou um universo repleto de diversidade e que permite leitores sonharem com um mundo sem preconceitos.

Por Camila Cerdeira

Eu acredito que cresci gostando de ficção científica. Meu pai me ensinou a gostar de aventuras que ocorriam em uma galáxia tão tão distante daqui e minha mãe me apresentou a confederação intergaláctica me fazendo sonhar com aqueles uniformes bonitos que a tripulação dessas naves usa. E quando crianças essas histórias representavam tudo que eu gostaria de ser quando crescer.

E então eu cresci e descobri que eu nunca poderia viver as histórias que sonhei quando criança, porque aquelas histórias que eu cresci amando não apresentavam personagens que fossem como eu e isso foi aos poucos me afastando um pouco da ficção científica. Sim, eu quero saber sobre galáxias distantes e espécies extraterrestres, mas eu acredito que se vamos falar de séries alienígenas para quê manter os mesmos valores culturais humanos? Por que focar tudo em seres que continuam parecendo homens heteros brancos e cis?

Tudo mudou um dia que um livro de capa muito bonita e cheia de glitter chegou na minha casa. A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil faz parte da série Wayfarers e me apresentou a toda uma nova possibilidade dentro do mundo da ficção científica, na qual humanos não são a principal raça da comunidade galáctica. Nesta história, as múltiplas raças alienígenas trazem toda uma gama enorme de valores culturais e tradições que são tão importantes e significativas quanto as de qualquer outro.

LEIA MAIS: CONHEÇA BECKY CHAMBERS, AUTORA DA SAGA WAYFARERS

A cada página do livro, descobrimos um pouco mais desse vasto universo e todos esses costumes. Conhecemos os Grum uma espécie que nasce como fêmea, mas em algum ponto da vida se torna macho e envelhece como intermediário, nem um gênero e nem outro. Os aeluonianos, uma espécie que também possui mudança de gênero, porém o que realmente é fascinante é como suas bochechas mudam de cor em resposta às suas emoções. Também existem os Andriskanos — a minha favorita desse universo —, uma espécie que tem as próprias regras sobre afeto, carinho e como suas famílias são constituídas.

Com tantas espécies e tanta diversidade, no seu significado mais amplo possível dessa palavra, não deveria ser surpreendente que existam tantos personagens Não Brancos e LGBTQIA+. Afinal por que um universo tão vasto, rico e complexo seria hetero cis e branco? E justamente por apresentar personagens tão complexos e diferentes da nossa realidade é que os três livros de Becky Chambers acabam sendo sobre humanidade. 

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A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil me ensinou sobre relações, laços humanos e conexões. O livro fala sobre famílias, escolhidas ou não, e quão importante é se abrir ao outro que está ao nosso lado. Já A Vida Compartilhada Em Uma Admirável Órbita Fechada fala muito fortemente sobre humanidade, sobre se descobrir como indivíduo e entender que essência é essa que nos torna quem somos. É honestamente uma das leituras mais gostosas e naturais que eu já tive na vida. E eu mal posso esperar para iniciar a leitura de Os Registros De Uma Notável Odisseia Espacial e descobrir qual é a mensagem escondida dentro dessa ficção científica cheia de espécies intergalácticas.

Becky Chambers finalmente escreveu a ficção científica que meu eu criança acreditava existir. Diversa, complexa e que me permite sim sonhar com um mundo que respeite a diversidade, que os preconceitos estejam um pouco mais perto de deixar de existir.

Camila Cerdeira fala da série Wayfarers

Camila Cerdeira
Nerd de criação, negra, não binário e feminista, trabalha com escrita, fotografia e teatro. Mora em Fortaleza, onde também faz parte dos podcasts Orgulho Contra Ataca e Bisão Voador. Espalhada virtualmente, é quase sempre possível encontrá-la no Twitter @CamilaAngel ou Instagram @camilacerdeira, discursando sobre questões sociais ou sobre nerdiandade, mas provavelmente sobre ambos ao mesmo tempo. 

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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