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DarksideFilmesQue diabo de filme é esse?

V/H/S, 2012

Que diabo de filme é esse?

Um dos tempos mais áureos para os admiradores da sétima arte foram os das videolocadoras. Passar horas e horas escolhendo uma, duas ou mais fitas VHS para o fim de semana era o passatempo preferido de muitos. Hoje restam as memórias e histórias que resgatam esses tempos, e para nossa sorte, geralmente as que mais intrigam são justamente relacionadas ao horror. Filmes, séries e livros de hoje, regressam aos anos 80 e 90 com abordagens sinistras e personagens icônicos que conversam com o passado e realizam uma constante “metalinguagem” com obras dentro de obras. 

Um bom exemplo disso é o filme do subgênero found footage V/H/S de 2012, dirigido por um coletivo de diretores, entre eles Ti West e Adam Wingard. Sim, diretores no plural pois estamos diante de uma antologia, que reúne histórias de terror dos mais diferentes tipos. O centro da história gira em torno de um grupo de criminosos, que ao invadirem uma casa abandonada, se deparam com fitas cassetes, que possuem em seus conteúdos, uma história mais cabeluda do que a outra. A curiosidade dos personagens do longa, ao assistirem essas fitas, e serem pegos de surpresa com as imagens que presenciam, é quase como um jovem cercado por fitas na locadora, e sem conhecer todas, vai rumo ao desconhecido (ou choque), ao alugar um filme de terror que ainda não assistiu.

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Créditos: Movie Nation

Alguns dos segmentos mais criativos e sombrios do longa, são o primeiro, que conta com uma criatura assustadoramente marcante e violenta e o segundo, em que o quarto de hotel de um casal é invadido por uma pessoa mascarada e por mais simples que seja, ainda reserva surpresas. O tom amador da produção traz um contexto mais realista e me faz lembrar diretamente de uma obra literária, que resgata o VHS de forma primordial e igualmente perturbadora (ou até mais, na verdade). O livro VHS: Verdadeira Histórias de Sangue, de Cesar Bravo, é um verdadeiro tesouro de contos da época das locadoras e do universo macabro que brotam desse período tão rico.

O livro de Cesar, lançado pela DarkSide em 2019, apresenta a cidade de Três Rios, local onde literalmente tudo o que é mais bizarro pode acontecer. E isso é um deleite aos olhos do leitor fã do gênero. Uma vez que o autor desbrava por contos que vão desde os interiores de uma locadora, a FIRESTAR, onde faz referência a dezenas de filmes icônicos da década de 80 em um tom soturno hipnotizante. Até um matadouro, onde o leitor quase sente o cheiro da podridão através das descrições e dos diálogos. Ou se preferir, a visita de uma família a um museu, caindo aos pedaços, que leva o leitor a um passeio digno das melhores casas assombradas daqueles parques de diversão.

Todas as referências usadas por Cesar no decorrer de VHS, enquanto cria uma nova cidade, com novas situações repletas de imprevisibilidade (e um senso de urgência gritante), nos faz querer tanto buscar os grandes clássicos que estampavam as capas das locadoras, como conhecer mais desse mundo deliciosamente doentio de Três Rios. Felizmente, temos isso em DVD: Devoção Verdadeira a D., que explora as raízes do maldito lugar, além de remeter à uma época que veio após as fitas cassetes. E foi o início do fim, das tão amadas videolocadoras.

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Ainda vale citar o recente estouro dos anos 80 (e sua cultura pop) nas obras de thriller ou terror muito populares da atualidade, como Stranger Things e Maniac da Netflix, que trazem  tons de mistério e cinematografias que respiram aquele tempo. Além de filmes como Super 8 (que se passa em 79, mas já tem no sangue o que seria a década seguinte), ou até mesmo toda a vibe atmosférica e densa de “Corrente do Mal”. Em todos eles, jovens correndo para salvar suas vidas de algum mal, cores fortes, músicas marcantes e uma sensação agradável, nostálgica e por vezes tenebrosa da época que se rebobinava fitas e nos perdíamos nos corredores formados pelas estantes repletas de VHS.

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Sobre Lucas Maia

Lucas Maia é jornalista e pesquisador do gênero de terror. É criador do canal Refúgio Cult no YouTube, que fala principalmente sobre filmes e séries bizarras.

1 Comentário

  • Regina Celia Bastos Carvalho

    30 de outubro de 2021 às 00:17

    Realmente, quando se fala em VHS vêm uma intensa sensação nostálgica e lembranças maravilhosas.
    Quero muito conhecer a obra!

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