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Steampunk: Conheça o gênero de Parthenon Místico

Obra de Enéias Tavares mistura modernidades com tecnologia do século 19.

Em Parthenon Místico, o autor Enéias Tavares apresenta ao leitor um Brasil bem diferente do que conhecemos, até mesmo através dos livros de história. Ambientado no século 19, este universo se utiliza de modernidades conhecidas dos dias atuais, mas com a tecnologia a vapor, no melhor estilo Steampunk.

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Mas afinal, o que é Steampunk? Trata-se de um subgênero da ficção científica com obras ambientadas no passado, mas em que os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na história da humanidade. Tais artefatos foram obtidos por meio da ciência já disponível na época em questão, como máquinas voadoras movidas a vapor, por exemplo.

Enquanto a ficção científica como a conhecemos é inspirada em viagens espaciais e alienígenas, o Steampunk se caracteriza pelo uso desta tecnologia mais rudimentar, com máquinas a vapor (steam, em inglês), engrenagens e materiais confeccionados em madeira, cobre e bronze. Ou seja, é um amálgama entre tecnologias atuais, só que como se elas tivessem sido produzidas há alguns séculos, em outro período histórico.

Ambientação e estética Steampunk

Uma característica bem específica do estilo Steampunk é sua ambientação na Era Vitoriana. Com forte influência da Revolução Industrial e com a indumentária do período, a estética tão característica deste subgênero também se mostra híbrida, unindo os tradicionais trajes da época, como cartolas e mangas bufantes, com vestimentas mais modernas, com mulheres vestindo calças, por exemplo.

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A escolha deste período não ocorre por acaso: foi com o advento da Revolução Industrial que os avanços tecnológicos deram um salto, movidos principalmente pela tecnologia a vapor. Foi nesta época que muitas automações foram possíveis através de um maquinário que agilizou processos e padronizou os meios de produção. 

Obras de Steampunk brincam com as possibilidades de certos avanços terem ocorrido por estes meios, inserindo tecnologias impensáveis para a época. Elementos recorrentes em obras deste subgênero ainda incluem robôs a vapor, carruagens turbinadas e cientistas loucos.

Steampunk na literatura e no cinema

Um dos motivos para que obras Steampunk sejam ambientadas na Era Vitoriana está em um de seus precursores: Julio Verne. A literatura foi a primeira forma de arte a abrigar histórias deste subgênero, através de livros como 20.000 Léguas Submarinas, Volta ao Mundo em 80 Dias e Viagem ao Centro da Terra.

Outros autores que exerceram forte influência com suas obras foram  Albert Robida, H. G. Wells, Mark Twain e Mary Shelley. Seus trabalhos apresentavam tecnologia avançada ambientada no século 19 ou início do século 20. Apesar de na época o Steampunk não ser considerado um nicho e muitos livros destes autores não se encaixarem propriamente no rótulo, são inegáveis suas contribuições. O subgênero só se popularizou e se consolidou no final da década de 1980.

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Com os avanços tecnológicos do mundo de não-ficção, as narrativas Steampunk se expandiram para o mundo do cinema, em filmes que pincelam esta temática, como O Mágico de Oz, A Bússola de Ouro, Sherlock Holmes, De volta para o futuro 3 e As loucas aventuras de James West, por exemplo. Sob este olhar, pode-se considerar que o curta Viagem à Lua, de Georges Mélies, é possivelmente o primeiro filme Steampunk da história do cinema.

A Caveira também se rendeu a este subgênero da ficção científica e conta com títulos ideais para os fãs de Steampunk. Além de Parthenon Místico, outro título deste estilo é O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine. Conheça a seguir um pouco de cada uma destas histórias:

Parthenon Místico: vários dos personagens do livro de Enéias Tavares já são conhecidos dos leitores. Eles já passaram por O Ateneu, de Raul Pompeia; Contos Amazônicos, de Inglês de Souza; Noite da Taverna, de Alvares de Azevedo; Dr. Benignus, de Augusto Emilio Zaluar; e em diversas outras obras. Diversas histórias da literatura brasileira se encontram com personagens originais de Brasiliana Steampunk, o universo criado por Tavares, em uma empolgante aventura.

O Circo Mecânico Tresaulti: em um mundo pós-apocalíptico, cheio de bombas e radiação remanescentes de uma guerra em que todos saíram derrotados, o romance de Genevieve Valentine apresenta uma caravana circense em eterna viagem através de muitas cidades que não mais pertencem a um país e que podem não existir quando o Circo retornar. Boss é a força motora do circo, que agrega novos personagens atraídos pela sua habilidade em recuperar corpos mutilados pela guerra, criando seres mecânicos pós-humanos.

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Um pouco mais sobre o universo de Parthenon Místico

Parthenon Místico foi pensado desde o início como uma experiência transmídia. Embora se trate de uma obra literária fechada em si mesma, cabe aos leitores decidirem se querem mais daquele universo ou não. Mas você sabe o que é uma Narrativa Transmídia (ou Transmedia Storytelling)?

A expressão foi cunhada pelo teórico de mídias e comunicação Henry Jenkins no seu Cultura da Convergência. “Transmedia Storytelling” ou “Narrativa Transmídia” são universos compartilhados e expandidos em diferentes mídias nos quais a lógica é menos a da adaptação – uma única história adaptada a diferentes mídias – e mais a da produção de porções inéditas da história em diferentes mídias que, quando consumidas em sua totalidade, resultam numa experiência de imersão por parte do leitor/espectador. O principal exemplo desse tipo de produção é a franquia Star Wars, na qual cinema, quadrinhos, animações e games se mesclam para produzir uma única experiência de acesso a um universo.

A edição de Parthenon Místico lançada pela DarkSide expande o universo da obra para noitários perdidos, relatórios de investigação, audiodramas inéditos, artes exclusivas, mapas do cenário e vários outros conteúdos. Esses materiais podem ser acessados através de um QR Code que acompanha o volume. Usando seu celular, o leitor entrará em uma seção exclusiva do site de Brasiliana Steampunk com essas expansões, uma extensão da experiência narrativa propiciada pelo romance em direção a novas possibilidades narrativas e tecnológicas, porém na companhia dos mesmos heróis libertários e revolucionários que habitam Porto Alegre dos Amantes e seus arredores. 

1 Comentário

  • Andrews

    21 de novembro de 2020 às 11:13

    Vai entrar na minha lista esse. Doido demais toda essa ambientação derivativa fantástica, eu adoro demais. E tem tantas outras, riquíssimas: Afrofuturismo, Sertãopunk, Weird Cangaço, Horror Amazônico etc etc. Brasil tem autores muito excelentes. E editoras excelentes tbm, como a Darkside! 🖤

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